RAIBO2: robô sul-coreano foi desenvolvido para percorrer longas distâncias com menor gasto de energia (Nature)
Redatora
Publicado em 30 de setembro de 2026 às 17h32.
Um cão-robô desenvolvido por engenheiros sul-coreanos conseguiu completar os 42,2 quilômetros de uma maratona sem colisões ou superaquecimento. Batizado de RAIBO2, o equipamento terminou a prova com mais de um terço da bateria ainda disponível.
O robô participou da Maratona do Caqui Seco de Sangju, na Coreia do Sul, em 2024. Os detalhes do projeto e do desempenho durante o percurso foram publicados na última quarta-feira, 23, na revista científica Nature.
Além de testar a resistência da máquina em uma situação real, a prova permitiu avaliar soluções desenvolvidas para reduzir o consumo de energia de robôs com pernas, uma das principais limitações para seu uso em percursos longos.
Robôs com pernas enfrentam um desafio diferente dos modelos com rodas. Além da energia necessária para avançar, eles precisam sustentar o próprio peso e compensar as perdas provocadas a cada passo.
Esse problema limitava a distância percorrida pelas máquinas desenvolvidas pela equipe a cerca de 19 quilômetros. Para ampliar a autonomia, os engenheiros reduziram o peso dos membros e desenvolveram uma placa de motor personalizada, com menor resistência e maior eficiência.
A mudança também abriu espaço para uma bateria maior, com capacidade de 2.016 watts-hora. O objetivo não era apenas disputar uma corrida. Segundo o estudo, esse tipo de robô pode ser destinado a missões de busca e resgate e outras atividades que exijam deslocamentos por longas distâncias.
Parte do desempenho veio do treinamento realizado antes da maratona. Os pesquisadores recorreram ao aprendizado por reforço, técnica na qual determinadas ações recebem recompensas durante uma simulação computacional.
O sistema favorecia movimentos em que o RAIBO2 apoiava as patas suavemente no chão, sem escorregar ou superaquecer. Com o processo, os engenheiros buscaram desenvolver uma marcha mais estável e consistente, ao mesmo tempo que reduziam o desperdício de energia durante o deslocamento.
O treinamento também precisava preparar a máquina para condições encontradas fora do laboratório. O percurso da prova tinha curvas, desníveis e superfícies escorregadias, além da presença de corredores humanos.
Os pesquisadores também calcularam o chamado custo de transporte, indicador que relaciona a energia necessária para deslocar determinado peso por uma distância.
O RAIBO2 registrou um valor de 0,25. Quanto menor o resultado, maior a eficiência energética. Para comparação, o valor apresentado no material para um corredor humano médio é de 0,37.
O desempenho mostra quanto os ajustes mecânicos e o treinamento contribuíram para ampliar a autonomia do equipamento em relação às versões anteriores.
Apesar do desempenho, o cão-robô não percorreu a maratona de forma totalmente autônoma. Uma câmera instalada em sua cabeça transmitia imagens do trajeto para um operador humano, responsável por orientar a direção e impedir que a máquina saísse da rota.
A decisão também estava relacionada ao consumo energético. Segundo os pesquisadores, adicionar os recursos computacionais necessários para tornar o RAIBO2 completamente autônomo exigiria mais energia e reduziria a duração da bateria.
Mesmo com essa limitação, o teste mostrou que um robô quadrúpede pode percorrer uma distância de maratona em condições reais enquanto mantém energia disponível ao final do trajeto.