Fábrica automatizada da UBTech na China opera com robôs humanoides e colaborativos na montagem de novos androides. (Imagem gerada por IA/Exame)
Redatora
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 16h19.
RESUMO | O segundo episódio da série documental Mundo Na Prática, do Na Prática, acompanha seis universitários brasileiros premiados em visitas a empresas de educação e tecnologia em Xangai. Eles conheceram laboratórios de ciência para crianças a partir de 4 anos, kits de robótica para quem ainda não sabe ler, uma plataforma que usa inteligência artificial para identificar dificuldades de alunos e uma fabricante de satélites que acaba de ser autorizada a operar no Brasil. O episódio já está disponível no YouTube.
Uma criança de 2 anos monta uma sequência de peças, aperta um botão e o carrinho anda exatamente para onde ela mandou. Não há tela, nem teclado. É programação antes da alfabetização, e é assim que uma empresa de Xangai apresenta a lógica de código aos menores clientes. A cena está no segundo episódio de "Mundo Na Prática", série documental do Na Prática que acompanha seis universitários brasileiros em uma viagem pela China, com o sistema educacional do país como fio condutor.
O pano de fundo ajuda a entender o que eles encontraram. Em junho deste ano, 12,9 milhões de estudantes se inscreveram no gaokao, o vestibular nacional chinês, segundo dados do Ministério da Educação do país divulgados pelo China Daily. Uma única prova decide a universidade, e a universidade pesa sobre a carreira inteira. Em torno dessa pressão cresceu um mercado de educação complementar que começa na primeira infância.
Os viajantes são os vencedores do Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário, escolhidos entre milhares de inscritos pelos projetos que criaram: Emilly Rodrigues (Engenharia Aeroespacial, UFSM), Gabriela Mendanha (Medicina, PUC Goiás), Hugo Maia (Engenharia de Energia), Naomi Ferreira (Medicina, UFC), Narayane Medeiros (Engenharia Aeroespacial, ITA) e Pedro Rodrigues (Medicina, USP). A viagem é guiada por Anamaíra Spaggiari, CEO do Na Prática.
O episódio começa com um trajeto de trem-bala entre Pequim e Xangai: 1.318 quilômetros percorridos em pouco mais de quatro horas, a até 390 km/h. Em Xangai, a primeira parada é o Zhiyong Science and Innovation Center, uma edtech criada por professores que monta laboratórios em estilo maker para alunos de 4 a 18 anos.
O espaço é dividido em mini salas de química, física, biologia, tecnologia e computação, com poucos alunos por turma. A ideia é colocar a mão na massa cedo. Um dos professores, ecobiólogo e docente de uma universidade de Xangai, recebeu o grupo com folhas de cânfora e a instrução de esmagá-las e sentir o cheiro, para mostrar como a criança aprende pela interação com o ambiente.
Quem conduziu a visita foi Wu Yuren, professora que viralizou durante a pandemia ao ensinar experimentos de física para crianças pela internet. Hoje ela é uma das maiores influenciadoras de ciência da China. O grupo saiu de lá com um livro de física em chinês e deixou, em troca, a edição da EXAME sobre o Prêmio Na Prática.
A visita que mais mexeu com o grupo foi à WhalesBot, empresa de robótica educacional que recebe delegações do mundo inteiro em seu showroom. O percurso é organizado por idade. Começa nos brinquedos sem tela para crianças de 2 anos e termina numa área para estudantes de engenharia de produção, que simula uma linha de montagem em miniatura para testar eficiência.
Depois vem um espaço que parece um parque de diversões, em que cada brinquedo ensina física, engenharia ou robótica. Gabriela pilotou um carro controlado por atividade cerebral: quanto maior a concentração, mais rápido ele anda; se a atenção cai, ele para.
Narayane, que estuda engenharia aeroespacial no ITA, se impressionou com os kits de montagem. Cada bloco tem um tipo de sensor, e ao juntá-los a criança monta o robô e o código ao mesmo tempo. "Eu nunca tinha visto kits assim para crianças tão jovens", diz. Ela completa: "Eu sinceramente adoraria se eu, quando criança, pudesse ter tido acesso a tantos robôs assim".
A terceira parada saiu da sala de aula e foi para a órbita. A Spacesail desenvolve a constelação Qianfan, de satélites de órbita baixa para internet, e se posiciona como concorrente chinesa da Starlink, de Elon Musk. A aposta é em satélites achatados, finos como placas, que permitem lançar vários de uma vez.
Para Emilly, também estudante de engenharia aeroespacial, a visita mostrou o setor aplicado a um problema concreto. "Quando a gente fala de áreas mais afastadas, pensando na Amazônia ou em regiões mais ao norte do Brasil, a gente tem essa dificuldade muito grande", diz, sobre a cobertura de internet.
O tema tem desdobramento brasileiro. Em fevereiro de 2026, depois das gravações, a Anatel autorizou a Spacesail a operar no país, com início comercial previsto para o fim deste ano. Segundo Emilly, a empresa planeja escritórios em São Paulo e Brasília.
Assista ao segundo episódio de Mundo Na Prática no YouTube
O dia terminou na Golden Education, empresa de ensino a distância que recebeu o grupo com a mensagem "Bem-vindos, Na Prática" em português no telão. A companhia oferece de preparatórios para vestibular e provas de validação profissional a cursos de liderança e programação.
Um software com inteligência artificial identifica em que matéria cada aluno tem mais dificuldade, e mentores da plataforma procuram os estudantes com pior desempenho. A Golden também faz a ponte com o mercado de trabalho: empresas informam as competências de que precisam, e a plataforma organiza competições para selecionar os candidatos.
Para Gabriela, estudante de medicina, a diferença entre os dois países está em quem pode pagar pelo estudo extra. "Quando o poder aquisitivo é baixo, uma educação extra não é o que se busca investir", diz. Na China, segundo ela, a educação é prioridade máxima, e a faculdade de origem pesa muito na carreira.
É uma série documental do Na Prática que acompanha os seis vencedores do Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário em uma viagem pela China com tudo pago. A primeira temporada tem três episódios, publicados no canal do Na Prática no YouTube.
Zhiyong Science and Innovation Center, WhalesBot, Spacesail e Golden Education, todas visitadas em Xangai.
Na WhalesBot, os kits de robótica atendem de 3 a 22 anos, e há brinquedos de lógica de programação sem tela para crianças de 2 anos.
O último episódio da temporada passa pelo chamado Vale do Silício chinês, por empresas de robôs e por uma companhia brasileira que opera do outro lado do mundo.
Numa das cenas, uma estudante do ITA diz que queria ter tido aqueles robôs na infância. A série não responde se o Brasil consegue oferecer isso às próximas gerações, mas deixa a pergunta na mesa.