Câncer de mama: pesquisa analisou cerca de 150 mil casos e encontrou crescimento expressivo dos diagnósticos (Siam Pukkato / EyeEm/Getty Images)
Redatora
Publicado em 23 de agosto de 2026 às 08h07.
Os casos de câncer de mama estão aumentando rapidamente entre mulheres asiático-americanas nos Estados Unidos, sobretudo entre aquelas com menos de 50 anos e entre pacientes diagnosticadas com formas mais agressivas da doença. Embora mudanças nos exames de rastreamento possam influenciar parte das estatísticas, pesquisadores afirmam que esse fator não explica o avanço observado e que as causas ainda permanecem desconhecidas.
Os resultados foram apresentados por pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) e publicados na revista JAMA Network Open. A análise mostra que o crescimento da incidência ocorreu em praticamente todos os grupos étnicos asiático-americanos avaliados e em ritmo superior ao observado em qualquer outro grupo populacional dos Estados Unidos.
Os pesquisadores analisaram aproximadamente 150 mil casos de câncer de mama invasivo diagnosticados entre 2000 e 2022, utilizando dados do programa SEER (Surveillance, Epidemiology and End Results), do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos.
A pesquisa incluiu nove grupos específicos de asiático-americanos, nativos havaianos e habitantes das ilhas do Pacífico distribuídos por 14 estados norte-americanos, onde vivem cerca de dois terços dessa população.
Segundo o estudo, a incidência de câncer de mama aumentou mais de 3% ao ano na maioria dos grupos analisados. Entre mulheres de origem chinesa e vietnamita, o crescimento foi ainda mais elevado.
Os pesquisadores observaram que o avanço da doença foi mais intenso entre mulheres com menos de 50 anos, além de casos diagnosticados em estágios mais avançados.
Outro dado que chamou atenção foi o crescimento do câncer de mama triplo-negativo, considerado um dos subtipos mais agressivos da doença. Entre mulheres sino-americanas, a incidência desse tipo de tumor aumentou mais de 6% ao ano entre 2017 e 2022.
Historicamente, com exceção das mulheres nativas do Havaí, as asiático-americanas apresentavam taxas de câncer de mama inferiores às das mulheres brancas não hispânicas. Segundo o estudo, essa diferença praticamente desapareceu entre mulheres com menos de 50 anos em 2022.
Segundo os autores, o aumento da realização de mamografias não parece ser suficiente para explicar a tendência observada. Isso porque programas de rastreamento costumam elevar principalmente o diagnóstico de tumores em estágios iniciais. No entanto, neste estudo, os maiores aumentos ocorreram justamente entre cânceres que já haviam se espalhado para outras regiões do organismo.
Para a pesquisadora Scarlett Lin Gomez, professora de Epidemiologia e Bioestatística da UCSF e autora sênior do estudo, os resultados reforçam a importância de analisar separadamente os diferentes grupos étnicos asiático-americanos, em vez de tratá-los como uma única população.