Marte: planeta pode ter abrigado vida (Getty Images)
Repórter
Publicado em 9 de julho de 2026 às 13h01.
A resposta para uma das perguntas mais antigas da exploração espacial pode depender de duas moléculas quase desconhecidas fora dos laboratórios.
Um estudo publicado por pesquisadores do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar mostrou que o instrumento científico do rover Rosalind Franklin consegue distinguir versões "espelhadas" de compostos orgânicos considerados candidatos a bioassinaturas — um passo importante para identificar se Marte já abrigou vida.
O trabalho não encontrou evidências de organismos marcianos. O avanço está na validação de uma técnica capaz de separar moléculas produzidas por processos biológicos daquelas formadas apenas por reações químicas naturais, um dos maiores desafios da astrobiologia.
Os pesquisadores concentraram os testes em duas substâncias: pristano e fitano. Além de serem extremamente estáveis, elas podem permanecer preservadas por bilhões de anos, tornando-se candidatas a sobreviver desde a época em que Marte possivelmente tinha água líquida em sua superfície.
Mais importante do que a presença dessas moléculas é sua configuração química. Elas existem em duas formas que são imagens espelhadas entre si.
Na Terra, organismos vivos costumam produzir predominantemente apenas uma dessas versões, enquanto processos não biológicos geram ambas em quantidades semelhantes.
Se esse mesmo padrão for encontrado em Marte, ele poderá fornecer uma evidência muito mais consistente do que simplesmente detectar matéria orgânica.
Para validar o método, os cientistas analisaram amostras do meteorito Murchison, que caiu na Austrália em 1969.
A expectativa era encontrar sinais de contaminação biológica ocorrida após sua chegada à Terra.
Em vez disso, as moléculas apresentaram uma distribuição compatível com compostos alterados por derivados de petróleo. Segundo os autores, a contaminação provavelmente ocorreu durante a passagem do meteorito pela atmosfera terrestre, ao entrar em contato com aerossóis produzidos pela queima de combustíveis fósseis.
Além de demonstrar a capacidade do instrumento de identificar diferenças extremamente sutis entre moléculas, o resultado também indica que meteoritos podem adquirir contaminação atmosférica antes mesmo de atingir o solo, um fator que deverá ser considerado em futuras análises de material extraterrestre.