(Derek Berwin/Getty Images)
Redatora
Publicado em 20 de abril de 2026 às 06h57.
Cientistas encontraram novos indícios de que Marte pode ter abrigado um oceano no passado. A descoberta envolve uma formação descrita como um “anel de banheira”, que pode representar os limites de um antigo corpo de água nas planícies do norte do planeta.
O estudo foi baseado em dados topográficos coletados pela missão Mars Global Surveyor, da Nasa, e publicado na revista científica Nature nesta semana..
Os pesquisadores identificaram uma faixa de relevo que pode corresponder a uma espécie de plataforma costeira — estrutura semelhante às que delimitam oceanos na Terra. Essa formação foi comparada a um “anel de banheira”, marca que indicaria o nível atingido pela água em Marte no passado.
Segundo os cientistas, essa estrutura pode ter se formado ao longo de milhões de anos, com rios transportando sedimentos para o oceano, enquanto ondas e variações no nível da água redistribuíam esse material ao longo da costa.
Diferentemente da Terra, o planeta vermelho não possui continentes nem tectônica de placas, o que torna essas estruturas mais difíceis de interpretar.
De acordo com o estudo, o possível oceano teria existido há cerca de 3,7 bilhões de anos, quando Marte apresentava condições mais quentes e úmidas.
Naquele período, o planeta possuía um ciclo hidrológico ativo, com rios e lagos alimentando esse corpo de água. Com o tempo, Marte se tornou seco e frio, e o destino dessa água ainda é tema de debate entre cientistas.
A pesquisa se soma a estudos anteriores que já apontavam para a existência de praias antigas, deltas de rios e depósitos sedimentares no planeta. Dados de radar obtidos pelo rover chinês Zhurong também já indicaram possíveis formações semelhantes a praias enterradas, reforçando essa hipótese.
Diante dessas evidências, a constatação é de que a água pode ter permanecido por longos períodos na superfície marciana, cobrindo até um terço do planeta.
A possível existência de um oceano amplia as chances de que Marte tenha reunido condições favoráveis à vida no passado. A presença de água líquida por longos períodos é considerada um dos principais fatores para a habitabilidade de um ambiente.