(Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter
Publicado em 9 de julho de 2026 às 15h01.
Um dos peixes mais enigmáticos do oceano finalmente foi observado onde realmente vive. Pela primeira vez, cientistas registraram um tubarão-duende (Mitsukurina owstoni) nadando livremente nas profundezas do mar, sem que o animal tivesse sido capturado antes por redes ou anzóis.
O estudo, publicado no Journal of Fish Biology, descreve dois encontros inéditos com a espécie em seu ambiente natural. Além de oferecer as primeiras imagens de indivíduos saudáveis vivendo em mar aberto, as observações indicam que o tubarão ocupa uma área muito maior do oceano e alcança profundidades superiores às registradas até agora.
Conhecido pelo focinho longo e achatado e pela mandíbula capaz de se projetar para capturar presas, o tubarão-duende é considerado um "fóssil vivo". Ele é o único representante sobrevivente de uma linhagem que existe há cerca de 125 milhões de anos.
Até agora, todos os registros confirmados de exemplares vivos haviam ocorrido apenas depois que os animais foram capturados acidentalmente por pescadores e levados à superfície. Nessas condições, eles costumavam morrer pouco tempo depois.
As novas imagens mostram um cenário completamente diferente: dois tubarões saudáveis nadando livremente nas profundezas do Pacífico.
Um dos animais foi observado próximo a um monte submarino nas proximidades da ilha Jarvis, no Pacífico Central. O segundo apareceu na encosta da Fossa de Tonga, quase 700 metros abaixo da maior profundidade em que a espécie havia sido documentada anteriormente.
Segundo os autores, a observação estabelece um novo recorde de profundidade para toda a ordem Lamniformes, grupo que reúne espécies como o tubarão-branco, o tubarão-mako e o tubarão-peregrino.

Além de ampliar o limite de profundidade conhecido, os registros também expandem significativamente a distribuição geográfica do tubarão-duende.
Antes do estudo, a espécie era conhecida principalmente em áreas próximas ao Japão, à Austrália e à costa oeste dos Estados Unidos, além de ocorrências pontuais nos oceanos Atlântico e Índico. As duas novas observações confirmam sua presença em regiões do Pacífico Central onde ela nunca havia sido registrada.
Para os pesquisadores, o trabalho reforça o quanto os oceanos profundos ainda permanecem pouco explorados. Mesmo uma espécie descrita há mais de um século continua revelando comportamentos e habitats que permaneciam desconhecidos pela ciência.