Ryan Gosling e Margot Robbie em cena de Barbie: elenco e Warner Bros. ainda não fecharam os termos financeiros da sequência (Reprodução)
Jonalista colaborador
Publicado em 6 de agosto de 2026 às 07h02.
Três anos depois de faturar cerca de US$ 1,5 bilhão em bilheteria mundial, o equivalente a aproximadamente R$ 7,7 bilhões na cotação atual, Barbie segue sem uma continuação confirmada. O filme foi o maior sucesso comercial da história da Warner Bros. e rendeu oito indicações ao Oscar, o que deixou o estúdio sob pressão para colocar uma sequência em produção rapidamente. Nenhum acordo foi fechado, e o tempo está se esgotando: os direitos da sequência voltam para a Mattel, dona da boneca, caso a Warner não feche os termos com o elenco e a direção até dezembro.
O acordo do estúdio com a Mattel para o novo filme prevê repasse de porcentagem sobre o lucro bruto à fabricante, no mesmo formato aplicado ao primeiro longa, segundo pessoas a par das tratativas. Falta fechar os contratos com os nomes que fizeram o filme original, entre eles a diretora e roteirista Greta Gerwig e os atores Margot Robbie e Ryan Gosling.
As conversas entre os executivos do estúdio e os representantes do elenco já duram meses. As propostas incluem participação nos lucros caso o filme atinja determinado patamar de bilheteria, além de reajustes fixos, entre eles um pagamento de US$ 20 milhões para Ryan Gosling, cerca de R$ 103 milhões, valor que corresponde ao que o ator vem pedindo. David Zaslav, CEO da Warner Bros. Discovery, considerou as ofertas generosas demais e não autorizou o avanço dos termos, segundo pessoas com conhecimento do assunto.
Segundo The New York Times, uma porta-voz da Warner afirmou que os representantes do elenco recusaram a última proposta, feita em maio, e ainda não apresentaram uma contraproposta. Ela negou que Zaslav tenha voltado atrás em termos já acertados por seus executivos. Em comunicado, os copresidentes do estúdio, Pam Abdy e Michael De Luca, disseram manter um acordo de direitos com a Mattel e afirmaram ter feito diversas ofertas para viabilizar o próximo filme, mas ainda sem consenso com o elenco.
A negociação acontece em um momento delicado para a Warner Bros. Discovery. A fusão entre a companhia e a Paramount foi colocada em suspensão depois que procuradores-gerais de alguns estados moveram ação para bloquear o negócio, o que obriga o estúdio a manter operação independente enquanto o caso se resolve. Barbie ocupa papel central na estratégia de franquias da companhia nesse cenário. O desempenho recente nos cinemas também foi irregular, com Supergirl e A Noiva não recuperando os custos de produção e divulgação.
Do lado da Mattel, o cenário também mudou. Sob o comando do CEO Ynon Kreiz, a fabricante de brinquedos tem adotado postura mais firme nas negociações com Hollywood. Em entrevista concedida em maio, Kreiz afirmou esperar que os projetos avancem e permaneçam em desenvolvimento ativo. Caso a Mattel decida romper o acordo, a empresa teria que desenvolver Barbie do zero, sem levar elementos da trama ou os atores para outro estúdio.
O impasse atual tem raiz no contrato do primeiro filme, como aponta o The New York Times. Gerwig e os protagonistas não quiseram incluir cláusulas sobre sequência quando assinaram para fazer Barbie, segundo três pessoas a par do assunto. A Warner topou avançar sem essa garantia para conseguir Gerwig como diretora e roteirista do projeto.
Mesmo que um acordo seja fechado agora, o filme ainda levaria anos para chegar aos cinemas. Gerwig está concluindo Nárnia: O Sobrinho do Mágico para a Netflix e, segundo as fontes, já deixou claro nas negociações que tem uma história pronta para contar ao lado do marido e parceiro de roteiro, Noah Baumbach. A Warner ainda não sabe do que se trata a ideia, e a dupla não pretende revelar o enredo antes de o contrato estar assinado.