Ibovespa: índice sofre com pressão de 'blue chips' (NurPhoto/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 11h14.
O Ibovespa opera em queda nesta Super-Quarta, 16, em uma sessão marcada pela expectativa pelas decisões de juros do Comitê de Política Monetária (Copom), no Brasil, e do Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos. Por volta das 10h57 (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 recuava 0,76%, aos 185.085 pontos.
O dólar comercial, por sua vez, operava praticamente estável, com leve alta de 0,08%, cotado a R$ 5,1573.
Entre as ações de maior peso, Petrobras pressiona o Ibovespa para baixo acompanhando a queda do petróleo no exterior. Apesar da baixa, tanto o WTI quanto o Brent operam acima dos US$ 100. As ações ordinárias da estatal (PETR3) recuam 2,15%, enquanto as preferenciais (PETR4) perdem 1,88%. Vale (VALE3) opera perto da estabilidade, mas retrai 0,20%.
Os grandes bancos também contribuem para o desempenho negativo do índice. Itaú Unibanco (ITUB4) cai 1,15%, Banco do Brasil (BBAS3) perde 1,77% e Bradesco recua 1,04% (BBDC4) e 0,99% (BBDC3), já Santander Brasil (SANB11) registra baixa de 0,33%.
Entre as maiores altas do Ibovespa, estão ações de empresas sensíveis a taxas de juros: Assaí (ASAI3) lidera os ganhos, com avanço de 2,49%, seguido por Totvs (TOTS3), que sobe 2,10%, e CPFL Energia (CPFE3), com valorização de 1,05%. CSN (CSNA3) avança 0,81% e Magazine Luiza (MGLU3) ganha 0,72%.
Na ponta negativa, Prio (PRIO3) e CSN Mineração (CMIN3) recuam 3,06%, as maiores quedas no horário, seguidas por Copasa (CSMG3), com baixa de 2,55%, e a própria Petrobras.
A agenda é dominada pelas decisões de política monetária no Brasil e nos EUA. O analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima, vê que o mercado antecipa movimentos em direções opostas nos dois países. "O mercado antecipa alta de 0,25 ponto percentual nos Estados Unidos e corte da mesma magnitude no Brasil."
Lima vê que essa combinação reduziria o diferencial nominal de juros em 0,50 ponto percentual, de aproximadamente 10,38 para 9,88 pontos. Ainda assim, ele avalia que o retorno brasileiro permaneceria elevado, ajudando a dar sustentação ao real.
Hoje a taxa básica de juros brasileira, Selic, está em 14% ao ano, mas a expectativa é que ela vá para 13,75% após a reunião do Copom.
Para a Bolsa, porém, os efeitos podem seguir direções distintas. "A Selic menor favorece empresas domésticas, enquanto os juros americanos mais altos aumentam a concorrência dos Treasuries pelo capital internacional", explicou.
Mais do que as decisões desta quarta, o mercado mira as indicações sobre o ritmo dos juros nos próximos meses.
No cenário doméstico, o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) avançou 1,47% em setembro, depois de cair 0,51% em agosto, influenciado pelo aumento das incertezas climáticas relacionadas ao El Niño, conforme a Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
Nos Estados Unidos, novos dados de atividade entram no radar antes da decisão do Fed. As vendas no varejo somaram US$ 773,9 bilhões em agosto, crescimento de 1,2% em relação ao mês anterior. O resultado superou a estimativa média de alta de 0,8%.
Em Wall Street, os índices operam sem direção única antes do anúncio do banco central americano. O Dow Jones recua 0,15%, enquanto o S&P 500 avança 0,29%. O Nasdaq sobe 0,60% e o Nasdaq 100 ganha 0,69%.
O mercado acompanha especialmente a possibilidade de o Fed iniciar um novo ciclo de aperto monetário e, principalmente, as indicações sobre a trajetória dos juros nos próximos meses.
Os preços do petróleo recuam, pressionando as ações do setor na B3. O West Texas Intermediate (WTI, referência norte-americana de preços) caía 2,01%, negociado a US$ 103,70 por barril, enquanto o parâmetro global Brent recuava 1,31%, a US$ 107,32.
A queda ocorre após autoridades americanas indicarem que a interrupção do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita pode ser temporária. A estrutura foi fechada após sofrer danos em ataques com drones na semana passada e vinha sendo utilizada para redirecionar exportações sauditas diante dos riscos no Estreito de Ormuz.
As principais bolsas europeias operam em alta. O Stoxx 600 avança 0,60%, enquanto o DAX, de Frankfurt, sobe 0,39%. O FTSE 100, de Londres, ganha 0,61%, o CAC 40, de Paris, avança 0,59%, e o FTSE MIB, de Milão, registra valorização de 0,68%.
Na agenda econômica, a inflação anual do Reino Unido acelerou para 3,1% em agosto, ante 2,9% em julho. Na comparação mensal, o Índice de Preços ao Consumidor avançou 0,5%.
Já a produção industrial da zona do euro recuou 0,1% em julho ante junho, considerando dados com ajuste sazonal. No conjunto da União Europeia, houve queda de 0,3%. Na comparação anual, a produção ficou estável na zona do euro e avançou 0,3% na União Europeia.
Os mercados asiáticos encerraram o pregão no campo positivo. No Japão, o Nikkei 225 avançou 0,69%, aos 63.923 pontos, enquanto o Topix ganhou 0,61%. Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 1,37%, aos 6.717 pontos, e o Kosdaq avançou 0,44%.
Na Austrália, o S&P/ASX 200 ganhou 0,28%. Os mercados chineses também avançaram, e o CSI 300, da China continental, fechou em alta de 0,68%, aos 4.480 pontos, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, ganhou 0,19%.