Insider: marca completa 9 anos com DNA tecnológico renovado
Repórter de Casual
Publicado em 27 de abril de 2026 às 07h01.
Última atualização em 28 de abril de 2026 às 11h53.
Houve um tempo, não muito distante, em que a moda do dia a dia era dividida em dois extremos desconfortáveis: ou você optava pelo formalismo rígido das camisas de algodão que amarrotavam no primeiro café, ou pelo sintético esportivo que gritava "academia" a quilômetros de distância. O meio-termo era caro, difícil de encontrar e pouco confortável. Até a chegada da Insider.
Criada em 2017, a marca se inventou e reinventou seguindo três pilares como guia: tecnologia, design e sustentabilidade. No início, ficou mais popular pelo marketing do que pelo uso. Apareceu no guarda-roupa de diversos influenciadores, estava em todos os anúncios nas redes sociais como uma das apostas mais tecnológicas do mercado. O catálogo da Insider também era simples, para dizer o mínimo: poucas peças, em sua maioria camisetas de cores escuras.
Depois da estratégia de marketing agressivo, a marca criou clientes frequentes. Quem comprou uma vez, voltou mais tarde e priorizou o tecido. Hoje, nove anos depois de chegar ao mercado, ela já tem uma presença importante e-commerce nacional: ultrapassou a marca de 1 milhão de clientes, registra 4,3 milhões de visitas mensais no site e mantém uma comunidade digital de 1,5 milhão de seguidores. Os dados foram enviados com exclusividade para a Casual EXAME,
"O crescimento da Insider não veio de tendência, veio de resolver problemas reais com tecnologia. Esse é o nosso diferencial", disse Yuri Gricheno, CEO e cofundador da companhia. "A proposta desde o início foi o tecido diferenciado, que oferece um conforto térmico, sempre pensando no dia a dia. Nosso foco continua sendo a tecnologia do tecido, acima de tudo".
O próximo passo, contou Yuri, é ampliar o acesso físico à marca.
Yuri Gricheno, CEO e cofundador da Insider (Insider/Divulgação)
A Insider foi pioneira ao trazer para o Brasil o modelo das DNVBs (Digitally Native Vertical Brands), empresas nascidas no ambiente online que vendem diretamente ao consumidor final, sem intermediários. E fez o negócio, ao longo de quase uma década, muito bem: se aproximou da clientela e fortaleceu a comunidade para além do marketing inicial, com grupos nas redes sociais e clientes fixos.
Hoje, ainda que a maior parte da receita venha do e-commerce (R$ 500 milhões em 2025), a marca já vê resultado no varejo físico. A loja popup instalada no Shopping Morumbi, primeira fora do ambiente digital da Insider, teve faturamento de R$ 5,6 milhões de outubro a dezembro de 2025. O espaço deve ser ampliado em breve no shopping, em uma loja própria, contou Yuri à EXAME em primeira mão.
Ainda que não tenha revelado os locais, o CEO destacou que a Insider pretende abrir pelo menos quatro novos pontos físicos entre 2026 e 2027.
"Entendemos que o potencial da loja física traz uma conversão muito positiva. E era algo que os nossos clientes sempre pediam: um espaço físico para conhecer melhor os produtos, experimentá-los, entre outras coisas. Além dessa ponte com quem já nos conhece, o ambiente físico também ajuda a ter mais reconhecimento para novos clientes", completou Yuri.
Coleção da Insider com Gloria Coelho
A aposta em tecnologia nunca foi da boca para fora. Nos últimos três anos, o aporte em inovação da Insider cresceu 1,5 vez ao ano e superou a marca de R$ 1,5 milhão, contou o CEO. Desde o início, a marca trabalhou com roupas desenvolvidas com pesquisa e desenvolvimento próprios. As tecnologias têxteis foram validadas em laboratório.
No portfólio atual, 80% da receita da empresa vem de matérias-primas de origem natural, como as bases modais, que consomem 97% menos água que o algodão e duram até dez vezes mais. O objetivo principal é ser referência no mercado de smartwear brasileiro, com peças que elevam a termoregulação, a resistência e a durabilidade.
Há até produtos com ativos para reduzir celulites e auxiliar na retenção de líquidos, feitos com produtos naturais. "Fizemos o tecido com uma composição de bioativos, incluindo o café e outros minerais orgânicos, que apresentou nos testes resultados contundentes para redução de inchaço e retenção de líquidos. É uma tecnologia nova que a gente desenvolveu do zero e trouxe para o mercado, para ir mais a fundo nessa linha esportiva casual", complementou Gricheno.
O investimento massivo em tecnologia, por outro lado, tem um preço diante dos concorrentes. Em nove anos circulando no mercado, a Insider lançou um total de somente 130 peças. A escassez de produtos, no entanto, não é algo que deixe Yuri preocupado. Faz parte, disse ele, da proposta da empresa.
"As marcas de hoje, num geral, estão preocupadas em lançar quantidades de peças. Do nosso lado, a gente foca na tecnologia. Lançar menos nos dá margem para campanhas mais eficientes e para garantir que cada peça tenha um diferencial real", explica Yuri. "Investir em tecnologia tem esse preço. Mas, quando a gente lança algo, o produto já vem com algo muito novo no mercado".
Ainda que a tecnologia tenha sido o fio condutor da marca, a Insider mudou (e muito) nos últimos anos. Se na pandemia o foco era o conforto do home office, em 2026, a marca lidera a transição para o que Yuri descreve como a "versão 2.0 das roupas de escritório". Peças elegantes que não abrem mão, sobretudo, do conforto adquirido nas peças usadas em casa.
"Pensamos em cortes mais voltados para o trabalho do dia a dia, sem cara de 'academia', mas com toda a tecnologia dos tecidos que trabalhamos. É aquela camisa que não vai te deixar suado, porque é termoregulada, e que não desgata ou perde a cor em poucas lavagens", contou ele enquanto mostrava o catálogo para a Casual EXAME.
"Temos no nosso portfólio o que chamamos de essencial, que é aquilo que vai muito além do básico, é aquilo que você não vive sem", pontua o CEO. Essa filosofia deu origem a linhas como a Tech T-Shirt e a linha Nextech, feitas para quem viaja com malas compactas, não quer passar ferro em roupas e exige tecidos que não irritam a pele.
Essa diversificação também atingiu o público feminino. O que antes era um guarda-roupa masculino funcional expandiu-se para categorias de casual, active, beachwear e workwear. Peças com cortes diferentes para que as pessoas que se identificam com o gênero feminino tenham em mãos a tecnologia do conforto.
Mesmo com a recente expansão para experiências físicas, a alma da companhia permanece nos dados. A marca construiu um repertório que vai além da funcionalidade, colaborando com nomes como Gloria Coelho e Ziraldo, e inserindo-se em territórios de lifestyle como a DW! Semana de Design de São Paulo.