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Insider, startup de moda, desenvolve biocouro feito de borra de café

Companhia testa material que reduz uso de água em 50 vezes na comparação com couro tradicional e se decompõe em 50% em até 15 dias

A composição do biocouro é estimada em pelo menos 75% de materiais de origem vegetal (Letícia Ozório/Exame)

A composição do biocouro é estimada em pelo menos 75% de materiais de origem vegetal (Letícia Ozório/Exame)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 8 de junho de 2026 às 15h21.

A startup brasileira de moda e estilo Insider anunciou o desenvolvimento de um material alternativo ao couro produzido a partir de borra de café, resíduo gerado após o preparo da bebida.

A novidade, apresentada como um projeto de pesquisa e desenvolvimento, busca oferecer uma opção mais sustentável para a indústria da moda ao combinar matéria-prima de origem vegetal, menor consumo de água e potencial biodegradabilidade.

Segundo a empresa, o chamado biocouro foi desenvolvido em laboratório ao longo de três meses e passou por cerca de 30 protótipos até alcançar características de textura, resistência e aparência semelhantes às do couro convencional. O material será apresentado inicialmente em uma peça-conceito: uma jaqueta de design exclusivo, sem previsão de comercialização em larga escala neste momento.

De acordo com testes realizados pela equipe de Pesquisa e Desenvolvimento da Insider, cerca de 50% do material se decompõe em solo em apenas 15 dias e aproximadamente dois terços em 30 dias. No mesmo período, amostras de couro animal e de materiais sintéticos produzidos com poliuretano (PU) e policloreto de vinila (PVC) não apresentaram alterações significativas.

Moda sustentável

Outro destaque apontado pela empresa é a redução no consumo de água durante a produção. Enquanto o curtimento do couro tradicional pode demandar mais de 100 litros de água por metro quadrado, o novo material utiliza menos de dois litros para a mesma área, representando uma redução superior a 50 vezes.

A composição do biocouro é estimada em pelo menos 75% de materiais de origem vegetal. Cada metro quadrado incorpora 3,8 gramas de borra de café seca, transformando um resíduo agroindustrial em matéria-prima para a indústria da moda. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), essa quantidade equivale a cerca de 30% do consumo diário médio de café moído e torrado por pessoa no país.

Para Karen Prado, líder de Pesquisa e Desenvolvimento da Insider, o principal desafio foi criar uma alternativa que oferecesse desempenho e apelo estético sem reproduzir os impactos ambientais associados tanto ao couro animal quanto aos materiais sintéticos derivados de plástico.

“O desafio foi criar um material que entregasse estética e performance sem repetir os impactos ambientais do couro animal ou dos sintéticos plásticos. Estamos falando de um desenvolvimento nacional que mostra que tecnologia têxtil e estilo não precisam ser opostos”, afirma.

Alternativas ao couro animal

A iniciativa surge em um cenário de crescimento do mercado global de alternativas ao couro. Dados da consultoria Future Market Insights indicam que os materiais derivados de fontes biológicas devem movimentar cerca de US$ 805 milhões por ano, com crescimento médio anual estimado em 6,6% até 2030. O avanço é impulsionado pela demanda por produtos veganos, livres de crueldade animal e por soluções consideradas menos poluentes que os couros sintéticos convencionais.

Embora ainda esteja em fase experimental, a Insider afirma que o projeto faz parte de uma estratégia de longo prazo voltada ao desenvolvimento de novos materiais para a moda. Segundo a empresa, a apresentação da jaqueta busca demonstrar o potencial da tecnologia e abrir caminho para futuras aplicações comerciais.

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