Receita clássica leva partes iguais de cerveja e limonada, servidas bem geladas (Rachel Vanni/The New York Times)
Jonalista colaborador
Publicado em 6 de setembro de 2026 às 11h00.
O calor do verão costuma abrir espaço para bebidas mais leves e refrescantes, e uma receita que atravessa gerações voltou a ganhar espaço nos cardápios de bares em Nova York. Trata-se da shandy, combinação de cerveja com um segundo ingrediente doce e gaseificado, geralmente limonada, cerveja de gengibre ou ginger ale. A receita não exige nenhuma técnica de coquetelaria e pode ser preparada em poucos segundos, o que ajuda a explicar sua permanência em cardápios de bares ao longo de mais de um século.
O nome vem de shandygaff, termo que apareceu impresso pela primeira vez na Inglaterra do século 19. Registros do período situam a expressão já em uso na década de 1840, quando bares ingleses costumavam misturar cerveja com a mesma bebida no sabor de gengibre para render o estoque em dias de calor e trabalho pesado. O escritor Charles Dickens chegou a descrever a combinação como uma aliança perfeita entre cerveja e refrigerante, e o hábito segue vivo até hoje em versões regionais como o radler alemão, a clara espanhola e o panaché francês, todos batizados de formas diferentes para descrever essencialmente a mesma ideia.
Nos Estados Unidos, a shandy voltou a aparecer com força no cardápio do Dean's, restaurante de inspiração britânica aberto neste ano no SoHo, em Nova York, pela mesma equipe responsável pelo King, o Jupiter e o wine bar Lei. Annie Shi, sócia dos quatro endereços e responsável pelo programa de bebidas das casas, descreve a shandy como uma espécie de rito de passagem dentro da cultura dos pubs ingleses. Segundo ela, ao The New York Times, pedir a bebida pela primeira vez costuma funcionar como uma introdução ao universo da cerveja tradicional, antes de o cliente avançar para pintas mais robustas.
No Dean's, a versão da bebida usa xarope de gengibre reaproveitado da produção de gengibre cristalizado do próprio restaurante, misturado a uma limonada com um toque picante. A escolha reforça a ligação da casa com receitas de origem britânica, território de onde vieram também pratos como torta de peixe, presunto cozido e frutos do mar crus que compõem o cardápio principal do local.
Versão com crème de cassis dá à shandy tom avermelhado e camada extra de sabor (Rachel Vanni/The New York Times)
Fazer uma shandy em casa segue a mesma lógica de simplicidade que explica seu sucesso nos bares. A proporção clássica usa partes iguais de cerveja e limonade, podendo esta última ser gaseificada, caseira ou já engarrafada. Quem preferir o toque mais tradicional pode substituir a limonada por cerveja de gengibre, opção que traz mais profundidade de sabor e um leve ardor ao paladar. Frutas frescas amassadas no fundo do copo ou um pouco de crème de cassis também entram como variações populares, dando origem à chamada cassis shandy.
A escolha da cerveja também importa. Lagers mais leves combinam bem tanto com limonada quanto com cerveja de gengibre, resultando em uma bebida clara e efervescente. Cervejas de trigo, com notas cítricas naturais, se misturam de forma equilibrada ao mixer escolhido. Já entre as ales, versões blonde ou golden funcionam melhor do que tipos âmbar ou amargos, que tendem a competir com o sabor do complemento em vez de se harmonizar com ele. Versões sem álcool também são possíveis, bastando trocar a cerveja tradicional por uma opção zero.
Manter cerveja e mixer bem gelados desde o início do preparo é o que garante que a shandy chegue à mesa com a textura certa. Colocar o copo no congelador por até uma hora antes de servir ajuda a manter a temperatura baixa por mais tempo, especialmente em dias de calor intenso. A combinação de gás natural da cerveja com a efervescência da limonada ou do ginger ale é o que sustenta a espuma e a sensação refrescante característica da bebida, hoje disponível tanto em bares tradicionais quanto em cardápios autorais de restaurantes contemporâneos.