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O chá japonês que está substituindo o matcha e pode conquistar o Brasil

O hojicha tem notas terrosas com nuances de noz e caramelo. Assim como o matcha, a sugestão de consumo é com leite

Hojicha: o chá que está com crescimento no consumo e pode substituir o matcha (Anastasiia Voloshko/Divulgação)

Hojicha: o chá que está com crescimento no consumo e pode substituir o matcha (Anastasiia Voloshko/Divulgação)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 13 de agosto de 2025 às 07h20.

Última atualização em 13 de agosto de 2025 às 15h22.

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O matcha, chá-verde japonês em pó conhecido pelo alto teor de antioxidantes, está no centro de um fenômeno global: o consumo disparou a ponto de gerar uma escassez mundial do produto. No Brasil, a procura cresce em ritmo ainda mais acelerado do que no restante do mundo, impulsionada pela popularidade do chá em redes sociais. No entanto, outra variedade surge no mercado e pode substituir o matcha: o hojicha.

O hojicha é um primo próximo do matcha, já que é feito a partir das folhas de chá-verde. "O Hojicha é um chá verde japonês torrado, que pode ser produzido a partir de folhas de bancha, sencha ou caules (kukicha). Ele é torrado em alta temperatura e dá uma cor castanho-avermelhada, ele é mais docinho e tostado. E o amargor dele é quase inexistente", diz Lígia Fernandes, nutricionista e mestre em ciências dos alimentos.

O chá tem notas terrosas com nuances de noz e caramelo. Assim como o matcha, a sugestão de consumo é com leite.

A bebida também oferece os benefícios para a saúde. "O processo de torra reduz muito a quantidade de cafeína, assim, o consumo é indicado para a noite ou para pessoas sensíveis à cafeína. Sem contar que o hojicha preserva compostos antioxidantes, como catequinas e outros polifenóis, que ajuda no combate aos radicais livres, embora em menor concentração que no matcha, por exemplo. Também tem L-teanina, composto associado ao relaxamento e à melhora da concentração, que tem nos chás. Por ser menos adstringente e ácido, é mais suave para o estômago, indicado para pessoas com sensibilidade gástrica", diz Fernandes.

No Brasil, o consumo dos chás tem aumentado. Segundo dados da Euromonitor, entre 2013 e 2020, houve aumento de 25%, quase o dobro da média mundial de 13%, indicando um mercado promissor. A busca por bebidas saudáveis, livres de açúcar e com baixo teor calórico tem impulsionado essa expansão. A expectativa é que o mercado brasileiro de chá cresça 43% entre 2019 e 2023, alcançando um valor de R$ 1,5 bilhão.

“O chá é a segunda bebida mais vendida no mundo, ficando atrás apenas da água. Claro que isso envolve todo tipo de chá, como os de saquinho, os de ervas, os mates engarrafados. Mas a verdade é que o chá premium — os de folhas soltas, que levam semanas, meses para serem produzidos, assim como o vinho — tem ganhado mais notoriedade”, diz Tânia Rampi, proprietária da TeaRoad, importadora de chás premium no Brasil. “O mercado de chás premium ainda é tímido, já que o brasileiro gosta dos blends e das infusões".

No Ocidente, onde o chá-preto reinou por décadas, os paladares começam a se abrir para as nuances do pu-erh, do chá branco, do mate, e do hojicha tostado.

“No ocidente, o chá-preto era o mais famoso porque chegou com bebidas como Lipton e outras parecidas. Mas o nosso trabalho como charista é mostrar ao público como o chá vai além disso. É uma bebida com complexidade, e que se desdobra com aromas, texturas, retrogostos. É uma perfeição para quem busca sabor”, comenta Carla Saueressig, charista e proprietária da A Loja do Chá. Assim como o matcha, o hojicha pode ser consumido quente ou gelado, em bebidas e sobremesas.

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