Casual

A Sara Joias traz a marca de relógios Franck Muller ao mercado brasileiro

A joalheria do Rio de Janeiro se prepara para comemorar 50 anos de história com novo ponto de venda em Ipanema

Rafael e David Zilberman: duas gerações à frente da empresa (Sara Joias/Divulgação)

Rafael e David Zilberman: duas gerações à frente da empresa (Sara Joias/Divulgação)

Ivan Padilla
Ivan Padilla

Editor de Casual e Especiais

Publicado em 11 de agosto de 2026 às 11h00.

Última atualização em 12 de agosto de 2026 às 16h18.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreRelógios
Saiba mais

Como um cinquentão em plena forma, a Sara Joias vive uma das fases mais movimentadas de sua trajetória, poucos meses antes de completar meio século de história. A primeira notícia é que a joalheria fundada no Rio de Janeiro em 1977, hoje uma das maiores multimarcas de alta relojoaria do país, vai ganhar um novo endereço.

A nova loja vai ocupar um casarão histórico e fica perto do ponto de venda na Rua Garcia D’Avila, um das mais sofisticadas de Ipanema. A nova operação deve começar no ano que vem, como parte das celebrações do aniversário de 50 anos.

Essa não é a única novidade da joalheria. A notícias da inauguração do novo endereço coincide com dois anúncios. Um deles é que a Sara acaba de assumir a distribuição oficial da Franck Muller no Brasil.

A manufatura foi fundada em Genebra em 1991 pelo mestre relojoeiro Franck Muller. Conhecida como a "Mestra das Complicações", a marca tem prestígio entre os aficionados pela engenharia mecânica de alto nível e pelo design irreverente, com caixas em formato alongado e numerais grandes em estilo art decó no mostrador.

Na semana passada, a Sara Joias também esteve na boca dos colecionadores pela coleção exclusiva da Hublot em comemoração aos 130 anos do Flamengo. Foram lançados 130 unidades do Classic Fusion com o escudo do clube gravado no caseback e na pulseira, e detalhes em vermelho rubro-negro. Tudo exclusivo da butique.

Da medicina para a joalheria

A história da Sara Joias começa, na verdade, com uma frustração — e com o nome de uma imigrante. A marca foi batizada em homenagem a Sara Zilberman, que chegou ao Brasil em 1953 e iniciou a tradição da família na joalheria, ainda em pequena escala.

Foi o filho dela, David Zilberman, quem transformou o legado em negócio. Ele estudava medicina, assim como a irmã, Laja Zylberman, mas estava frustrado com os rumos da profissão e acabou assumindo o escritório que a mãe havia montado.

A loja precisou ser decorada com troncos de madeira recuperados de uma demolição em Niterói, depois que o orçamento do arquiteto Ricardo Campos estourou no meio da obra. No primeiro Natal, o ponto recebeu clientes até as 11h30 da noite. Sara Zilberman morreu em 1983, e foram David e Laja quem seguiram tocando o negócio.

David conta um episódio ocorrido que mostra sua aproximação com o universo dos relógios. “Um amigo trouxe à loja um relógio de mostrador enorme, com um parafuso quebrado, pedindo apenas o conserto. Arrumei em 15 minutos, mas demorei 15 dias para devolver. Estava fascinado com a peça.”

Era um Panerai, marca até então restrita a militares e mergulhadores da marinha italiana, que naquele ano de 1996 passava a ser comercializada. Quando a fábrica ofereceu um lote inicial de apenas 30 peças para o mercado brasileiro, David não hesitou.

“Peguei os 30. Muita gente achava que eu era louco, ninguém conhecia a marca então”, conta. A aposta deu certo, e a casa se tornou uma das primeiras a vender Panerai no país. Naquele momento, a relojoaria forte do Rio de Janeiro era a Natan, que tinha acordo com as principais manufaturas.

David começou a vender marcas de menor apelo no mercado brasileiro, como Audemars Piguet, Chopard e Hublot. A Sara Joias chegou a operar até oito lojas simultaneamente, entre elas a do extinto Fashion Mall, que chegou a ser o grande shopping de luxo do Rio. Foi lá que a marca conquistou a representação da Cartier.

Outra marca foi a chegada da Rolex, no Shopping Village Mall e, mais tarde, no Shopping Leblon. Hoje são quatro lojas no Rio e uma em São Paulo, com 12 marcas no total: Rolex, Cartier, Bvlgari, Breitling, IWC, Jaeger-LeCoultre, Panerai, Hublot, Tudor, TAG Heuer, Montblanc e, agora, Franck Muller.

Crescimento de 30% ao ano

A chegada da Franck Muller ao portfólio é fruto de mais de dois anos de conversas. A marca suíça é conhecida pelas caixas em formato Cintrée Curvex e por complicações como o Crazy Hours, em que os números do mostrador aparecem embaralhados, mas seguem uma lógica matemática de saltos regulares.

No momento, a distribuição ficará concentrada em São Paulo, com modelos como o Casablanca em aço, a partir de cerca de R$ 70 mil, e sua versão cronógrafo na faixa de R$ 150 mil a R$ 160 mil.

Enquanto a relojoaria cresce, a joalheria segue como pilar histórico da marca — e segue um processo pouco convencional de fabricação. Em vez de desenhar a peça primeiro e comprar a pedra depois, a Sara Joias faz o caminho inverso: garimpa a gema e então desenha a peça ao redor dela. O time de design é interno, e 90% das joias produzidas são únicas, sem repetição.

Historicamente, o faturamento da casa sempre cresceu cerca de 10% ao ano. Desde a pandemia, o número passou para 30%, com destaque para Cartier e Tudor como as marcas de crescimento mais expressivo no portfólio atual. O tíquete médio por relógio vendido gira em torno de R$ 40 mil, entre peças de entrada de R$ 15 mil e modelos de mais de R$ 300 mil.

Para David, o fenômeno tem uma explicação simples: a pandemia ensinou o consumidor brasileiro a comprar no Brasil. "Aqui eu tenho serviço, aqui eu sou atendido por uma vendedora que me dá um tratamento maravilhoso, a loja está aqui pra mim", diz.

David conta hoje com a companhia do filho Rafael na administração da empresa. Para ele, que hoje acompanha de perto o mercado de relojoaria por newsletters de sites especializados e relatórios de exportação da indústria suíça, o fascínio pelo universo dos relógios vai além dos números. "Cada relógio conta uma história", disse. "Pra mim, cada relógio é um troféu. Gosto de guardar e lembrar de cada pessoa quando eu olho pra ele."

Acompanhe tudo sobre:RelógiosJoiasRio de JaneiroExclusivo

Mais de Casual

A goleira olímpica que virou referência mundial em salada Caesar

Vai para Salvador? Esses são os 5 lugares favoritos de Wagner Moura

Após críticas, John Galliano recua de homenagem no Metropolitan Museum de Nova York

Grand Slams se tornam vitrine para marcas e criadores digitais