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'Me mimei': pesquisa mostra que brasileiros pagam mais para evitar estresse

Estudo mostra que segurança, conveniência e previsibilidade ganham espaço nas decisões dos consumidores

"Me mimei": pesquisa aponta que brasileiros pagam mais para ter experiências com menos estresse (Magnific)

"Me mimei": pesquisa aponta que brasileiros pagam mais para ter experiências com menos estresse (Magnific)

Soraia Alves
Soraia Alves

Repórter de Marketing

Publicado em 11 de agosto de 2026 às 11h50.

Última atualização em 11 de agosto de 2026 às 11h54.

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“Me mimei” virou uma espécie de legenda para pequenos luxos do cotidiano. Pode ser um café mais caro, o transporte por aplicativo ou uma refeição em um restaurante especial. Mas, uma pesquisa realizada pela consultoria Casa Mundo Latam mostra que por trás do meme há uma mudança mais profunda na relação dos brasileiros com conforto e consumo.

De acordo com estudo “Status Quo do Me Mimei”, que ouviu 524 pessoas no Brasil, México, Colômbia e Argentina, os consumidores estão dispostos a pagar mais caro por um produto ou serviço não exatamente por exclusividade, mas por segurança e menos atrito na rotina.

No Brasil, 51% dos entrevistados se dizem dispostos a investir para garantir “experiências sem perrengue”. Alimentação saudável aparece em segundo lugar como motivo que vale o investimento extra (40%), seguido por deixar a casa mais confortável (37%).

O comportamento conecta-se com uma percepção mais profunda da rotina: 77% dos brasileiros entrevistados concordam que ter uma rotina segura e previsível é um privilégio. E 66% gostariam de ter mais dinheiro para garantir experiências com menos estresse.

“A pesquisa não critica quem busca conforto. Mas a questão surge quando essa busca se torna permanente e se transforma no desejo de não esperar, não conversar, não se adaptar e não lidar com nenhum imprevisto”, analisa Adriana Hack, fundadora e diretora executiva da Casa Mundo Latam.

Insatisfação com o básico

Para a executiva, o dado mais importante da pesquisa é a percepção de que o básico já não funciona.

“No Brasil, 52% concordam que muitas experiências básicas não funcionam, o que incentiva o pagamento por uma versão melhor. Isso mostra que a discussão vai além das escolhas individuais e envolve a própria estrutura de um mercado que transforma qualidade, previsibilidade e bom atendimento em adicionais pagos”, diz Hack.

Quando perguntados sobre quais situações acabam pagando mais para evitar estresse, espera ou imprevisto, 61% dos brasileiros responderam “saúde”. Na sequência aparecem “comida” (44%) e “lazer” (37%).

Para a especialista, os números também ajudam a entender por que a fronteira entre necessidade, conveniência e luxo está ficando menos nítida.

“Em muitos casos, o consumo premium tem menos relação com ostentação do que com conveniência. O consumidor não necessariamente quer mostrar que tem mais; quer experimentar menos fricção”, destaca.

Hack também afirma que é importante identificar o por que de estar gastando a mais.

“O mimo eventual pode ser prazer, recompensa e cuidado. A armadilha surge quando toda experiência precisa ser otimizada, personalizada ou elevada a uma versão premium. Nesse momento, o conforto deixa de ser exceção e se transforma em um padrão permanente, caro e difícil de sustentar”, finaliza.

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