Desfile da marca Ricardo Almeida: alfaiataria fluída (Ricardo Almeida/Divulgação)
Editor de Casual e Especiais
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 16h56.
Ricardo Almeida já fez desfiles memoráveis. No Morumbi Fashion de 1997 ele vestiu o cantor Milton Nascimento. Foi um marco na relação da marca com celebridades em apresentações. Na celebração de 25 anos de carreira, em 2011, ele colocou na passarela Hebe Camargo como figura feminina e atores como Edson Celulari, Malvino Salvador, Fábio Assunção e Márcio Garcia.
Em vez de usar apenas modelos profissionais, Ricardo entendeu que a presença forte de famosos emprestava prestígio a suas peças impecáveis, uma alfaiataria com informação de moda em suas diferentes épocas – e vice-versa. A relação com atores, cantores e atletas virou amizade. Nas peças e nos eventos, era Ricardo Almeida que as personalidades vestiam.
Para marcar os 30 anos de sua estreia em desfiles, no Morumbi Fashion de 1996, a marca Ricardo Almeida apresentou na tarde desta terça-feira, 18, uma leitura abrangente sobre a evolução da alfaiataria. Foi em um desfile chamado “Raízes” em seu estúdio no Cidade Matarazzo, em São Paulo, reservado para a imprensa e convidados. Lá, o alfaiate apresentou uma transição natural entre a estrutura tradicional, a leveza do corte desconstruído e a linguagem contemporânea da linha RA2, de seus filhos Ricardo e Arthur Almeida com Gabriel Pascolato.
Não faltaram rostos conhecidos, ou nem tanto, mas que fazem parte da história do alfaiate e sua marca. A apresentação trouxe nomes que integraram o elenco da estreia de 1996, como Guilherme London, Marcus Panthera e René Castrucci, além de homenagear a contribuição histórica do consultor de moda Fernando de Barros, já falecido, a quem Ricardo costuma agradecer em suas entrevistas. Entre personalidades mais recentes em sua história, o destaque ficou para Alexandre Nero.
O desfile foi dividido em dois atos. A abertura reuniu 28 silhuetas das linhas masculina e feminina em um exercício de fluidez e corte. Jaquetões de um botão, paletós alongados com abotoamento rebaixado e jaquetas híbridas foram combinados com calças de prega em proporções amplas.
No segundo momento, a linha RA2 assumiu a cena com 12 looks conceituais, mas menos oversized que em coleções anteriores. Os destaques ficaram para o paletó de estrutura box sem lapela, as calças samurai reeditadas em linho leve e criações com costura reversa.
A cartela de cores teve o verde como fio condutor, em variações oliva, acinzentadas e folha, amparado por tons de off-white, bege, caqui e pontos de vibração em amarelo, lilás, tons terrosos e no laranja que integra a nova identidade da marca.
Não faltou nem mesmo um look em black tie, que destoava das combinações apresentadas, mas tinha uma razão de estar ali: foi uma referência àquele primeiro desfile.
"Comemorar três décadas de passarela é olhar para a nossa origem no sob medida e entender como essa estrutura se adapta ao ritmo do homem contemporâneo”, disse Ricardo Almeida. “O tema 'Raízes' sintetiza a nossa busca constante por proporções exatas, seja em um smoking tradicional ou em uma peça fluida de linho.”