Vestidos de renda e organza em tons pastel reforçam a estética romântica que volta a circular entre as tendências do fim dos anos 2000 (Divulgação/Chloé)
Jonalista colaborador
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 14h44.
Nas araras da Hollister, camisetas regatas de renda dividem espaço com calças de perna larga e barra na altura do tornozelo, um combo que remete diretamente ao fim dos anos 2000. A cena se repete em campanhas e redes sociais. Depois de esgotar boa parte do repertório visual do Y2K e passar pela fase do indie sleaze, a moda avança no calendário da nostalgia e mira agora o período entre 2005 e 2012, quando o boho de Sienna Miller dividia espaço com o hipster e o normcore.
O Pinterest Predicts, relatório anual da plataforma que cruza volume de buscas com comportamento de compra, colocou a renda como uma das apostas centrais de 2026 sob o nome Laced Up. As buscas por lace nails subiram 215%, por lace bandana 150% e por lace doily 105%, segundo o levantamento. O interesse migrou rápido das unhas e dos acessórios para o guarda-roupa, puxando de volta peças como a camiseta regata de renda.
No street style, a calça de perna larga e barra cropped, prima da gaúcha, aparece como alternativa ao skinny jeans (Reprodução/Instagram)
A calça gaúcha, de perna larga e barra cropped, virou sucessora natural da capri, peça que dominou os looks neste verão. A Free People já lista 21 modelos em sua categoria de gauchos e culottes, com preços a partir de 78 dólares, cerca de R$ 420. Urban Outfitters, Uniqlo e Aritzia também venderam suas versões da peça, popularizada no início dos anos 2000 como referência ao figurino usado por vaqueiros sul-americanos. O modelo funciona como contraponto direto à calça skinny que dominou a década passada.
Backstage da Chloé, com Chemena Kamali à frente da marca, o boho ganha ruffles e tons terrosos que remetem aos anos 2000 (Divulgação/Chloé)
O WhoWhatWear listou o boho chic entre as sete estéticas que definem 2026, citando o legado de Sienna Miller e a assinatura de Chemena Kamali à frente da Chloé. Ponchos, capas de couro e tecidos com franjas aparecem entre as peças recorrentes, agora estilizados com cortes mais estruturados por baixo, como calças jeans skinny. A combinação evita o excesso de camadas que marcou a primeira onda do boho, no fim dos anos 2000.
Kaia Gerber usou um vestido bandagem no Festival de Toronto, em referência ao estilo usado pela mãe, Cindy Crawford (Reprodução/Instagram)
Kaia Gerber usou um Hervé Léger no Festival de Toronto em referência à mãe, a supermodelo Cindy Crawford, enquanto Kim Kardashian apareceu em um vestido bandagem da Alaïa. A House of CB relançou uma linha dedicada ao formato, com preços a partir de 148 dólares, cerca de R$ 800, e a própria Hervé Léger celebrou 40 anos com uma coleção de primavera 2026 assinada por Michelle Ochs. Um dos vestidos longos da coleção chega a 1.795 dólares, cerca de R$ 9.700.
Madonna leva os anos 2000 de volta aos palcos na turnê que acompanha o lançamento de Confessions II, sequência de Confessions on a Dance Floor (Divulgação)
O álbum Confessions II, lançado por Madonna em julho deste ano como sequência de Confessions on a Dance Floor, de 2005, reacendeu o interesse pelo figurino usado pela cantora naquele período. Entre as peças mais lembradas está a jaqueta bomber que a Gucci, sob direção criativa de Frida Giannini, criou para Madonna em 2006. O modelo, com capuz forrado e acabamento em couro, segue como referência para jaquetas cropped que voltaram ao varejo.
O cruzamento entre relatórios de busca e vendas de varejo se consolidou como ferramenta de trabalho entre profissionais de moda, que usam plataformas como o Pinterest para identificar sinais de comportamento antes da confirmação nas passarelas. Enquanto o Y2K segue presente no guarda-roupa da temporada, marcas como Hollister, Free People, Urban Outfitters, House of CB e Hervé Léger já direcionam parte das próximas coleções para o período seguinte, o fim dos anos 2000 e o início dos anos 2010.