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Peças raras de Comme des Garçons vão a leilão em Londres

Kerry Taylor Auctions recebe em 15 de setembro parte do acervo de Octavius La Rosa, fundador da revendedora Dot Comme, com peças que vão da década de 1970 até a coleção Broken Bride, de 2005

Looks em vermelho de Comme des Garçons, marca cujo acervo particular de Octavius La Rosa vai a leilão em setembro na Kerry Taylor Auctions (Divulgação)

Looks em vermelho de Comme des Garçons, marca cujo acervo particular de Octavius La Rosa vai a leilão em setembro na Kerry Taylor Auctions (Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 14h00.

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O colecionador e revendedor australiano Octavius La Rosa abre mão de uma fatia nobre da própria coleção de Comme des Garçons. No dia 15 de setembro, a casa de leilões Kerry Taylor Auctions, em Londres, coloca à venda 265 peças escolhidas dentro de um acervo que soma cerca de 4 mil itens da grife japonesa fundada por Rei Kawakubo.

O lote reúne 18 peças do início da marca, ainda na década de 1970, além de looks das primeiras coleções de Kawakubo nas passarelas de Paris nos anos 1980. A venda também inclui trabalhos de Junya Watanabe, discípulo da designer que hoje comanda sua própria maison.

Peças que atravessam décadas de coleção

Comme des Garçons

Peças do acervo de Octavius La Rosa que vão a leilão na Kerry Taylor Auctions em setembro, incluindo o conjunto multitartan da primavera de 2006 assinado por Rei Kawakubo (Divulgação)

Entre os destaques está uma capa de chuva preta em poliuretano com detalhes em nós, avaliada entre R$ 3.500 e R$ 4.950, o equivalente a 500 e 700 libras esterlinas. Também está à venda um conjunto de lã da coleção Pirates, do outono de 1982, com estimativa entre R$ 5.660 e R$ 8.480, ou 800 a 1.200 libras.

A seleção ainda traz um conjunto multitartan da primavera de 2006 e uma peça delicada da coleção Broken Bride, do outono de 2005, que arrancou lágrimas da plateia durante o desfile.

Alex Baddeley, diretor e leiloeiro da Kerry Taylor Auctions, descreveu o acervo de La Rosa como reflexo de uma amplitude pouco comum entre colecionadores da marca. "Ele entende essa marca de um jeito que poucas pessoas entendem, o que permitiu criar uma coleção com qualidade de museu, mas também um rigor quase acadêmico. Ele é genuinamente apaixonado pelo assunto", afirmou à WWD.

Da loja de Melbourne ao leilão em Londres

La Rosa é fundador da Dot Comme, loja e site de revenda especializada em Comme des Garçons, com sede em Melbourne há 15 anos. O dinheiro arrecadado no leilão vai financiar a expansão do negócio. A loja australiana muda para um endereço maior em setembro, e a marca abriu em junho do ano passado um espaço permanente em Paris, na Rue de l'Abbaye. O plano é abrir uma segunda unidade na capital francesa voltada a historiadores de moda, designers e museus, com serviço de aluguel de peças previsto para mais adiante.

O colecionador relatou ter sido o primeiro da fila quando o Costume Institute do Met organizou, em 2017, uma retrospectiva dedicada a Rei Kawakubo. Nunca conheceu a estilista pessoalmente, mas acenou para ela durante o evento e recebeu uma reverência em resposta. Segundo La Rosa, a maior parte das peças foi garimpada em leilões online, embora parte do acervo também tenha vindo de brechós no Japão. "Isso foi há muitos anos, hoje está bem mais difícil", afirmou. Ele começou comprando Comme des Garçons para vestir e, aos poucos, ampliou o hábito para o de organizar e catalogar o próprio guarda-roupa.

Recorde da marca e interesse por leilões de moda

A Kerry Taylor Auctions bateu em junho o recorde mundial de leilão para uma peça de Comme des Garçons. Um "grande museu", segundo Baddeley, pagou R$ 459.550, ou 65 mil libras, por um conjunto de suéter e saia deliberadamente rasgados, da coleção Holes, do outono de 1982. O leiloeiro espera que as peças mais antigas do acervo de La Rosa concentrem as disputas mais acirradas da noite de setembro.

O leiloeiro aponta ainda o crescimento do mercado de leilões de moda, hoje movido cada vez mais por colecionadores individuais, além de marchands e museus. "Especialmente em vendas de um único dono, temos muito mais capacidade de contar uma história, de organizar as peças de um jeito específico", comentou à WWD.

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