Henrique Kirilauskas: golfe como extensão da carreira (Gustavo Garrett/Divulgação)
Colunista
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 14h54.
Ninguém fecha um negócio importante em 15 minutos de reunião. Fecha em quatro horas de caminhada, sem celular na mão, com tempo de sobra para medir quem está do outro lado. É isso que o golfe vende e é por isso que o Brasil, silenciosamente, dobrou o número de campos na última década e meia. Poucos perceberam. Só quem já estava dentro desse mundo, mas o silêncio começa a ser rompido.
São 122 campos hoje, mais nove a caminho só em 2026. Temos 25.000 jogadores espalhados por 17 estados brasileiros e uma repercussão cada vez maior desse esporte.
O país já viveu duas ondas, a inglesa, que oficializou o golfe em 1901 com o São Paulo Golf Club, e a japonesa, que o espalhou pelo interior. A que vivemos agora não veio de fora: nasceu dentro dos muros dos condomínios fechados, que descobriram no golfe algo raro, um ativo que valoriza terra, filtra convivência e assina status, tudo ao mesmo tempo.
O golfe nunca foi só esporte. É um filtro social com dezoito buracos, e chamo de filtro social porque não é um esporte de elite por dinheiro, é de elite porque a elite entendeu antes o valor agregado que ele carrega: ética, etiqueta, respeito ao campo, silêncio na hora da tacada. Um esporte que constrói relacionamento, exige foco e concentração, aproxima a família e, de bônus, ainda faz bem para a saúde.
Os números confirmam o que o campo já sabia: 90% de quem joga no Brasil é empresário, diretor ou profissional liberal. Não é coincidência, é seleção natural. Poucos esportes exigem tempo, paciência e um código de ética tão rígido quanto o golfe, e é exatamente essa exigência que dá a quem negocia com um golfista uma certeza rara: do outro lado da mesa, há alguém que joga pelas regras.
É esse Brasil, o do fairway como antessala de negócio, o da família que se reencontra em campo, o de quem trocou o crachá pela luva que estreia, a partir desta edição, como coluna na EXAME Casual. Toda semana, aqui no site, e uma vez por mês na edição impressa, o golfe será pretexto para falar do que realmente importa: como o topo da pirâmide brasileira decide onde investir tempo, dinheiro e confiança.
Henrique Kirilauskas é apresentador do The Golf Brasil, único programa do gênero na TV brasileira. Sua carreira de quase três décadas uma trajetória na comunicação passa por rádio, TV, comercial e conteúdo digital antes de chegar ao golfe.
Paulista de 48 anos, nascido em São Caetano do Sul, Kiri, como é conhecido, cursou Publicidade. Foi diretor nacional de Branded Content da TV Bandeirantes, onde desenvolveu ações comerciais como as provas do MasterChef e viabilizou comercialmente programas como Me Poupe, com Nathalia Arcury.
Em 2018, assumiu o Band.com. Durante a pandemia, passou pela Record. Estruturou ainda a estratégia comercial digital da RedeTV! e prestou consultoria a emissoras sobre monetização comercial.
O golfe surgiu como consequência natural dessa trajetória. Kiri foi responsável pela primeira transmissão ao vivo de um torneio brasileiro na TV. O The Golf Brasil está no ar desde 2021, quando estreou no BandSports. Em 2024 e 2025, o programa esteve na CNN Brasil, retornando agora à Band, desta vez com presença simultânea nas três emissoras do grupo.