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O terno está de volta após perder força na pandemia

Suitsupply, Tailored Brands e Brooks Brothers registram crescimento de dois dígitos, enquanto casamentos e a volta ao escritório reacendem a demanda por peças formais no mundo todo

A marca holandesa, que via receita cair 40% em 2020, cresce cerca de 20% ao ano com um catálogo mais leve e colorido, hoje avaliado em mais de R$ 5,18 bilhões (Divulgação)

A marca holandesa, que via receita cair 40% em 2020, cresce cerca de 20% ao ano com um catálogo mais leve e colorido, hoje avaliado em mais de R$ 5,18 bilhões (Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 15 de agosto de 2026 às 10h20.

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Depois de ser dado como quase liquidado durante a pandemia, o terno voltou a crescer em faturamento e relevância em diferentes mercados. Marcas como Suitsupply, Tailored Brands e Brooks Brothers registram hoje crescimento de dois dígitos, um cenário oposto ao de 2020 e 2021, quando o home office e a informalidade dos escritórios reduziram drasticamente a demanda por peças formais.

A retração daquele período foi generalizada. Duas das maiores redes de alfaiataria em massa dos Estados Unidos, Brooks Brothers e Men's Wearhouse, chegaram a pedir recuperação judicial em 2020, com o fechamento de centenas de lojas. Nos anos seguintes, porém, casamentos, eventos sociais e o retorno gradual ao ambiente corporativo reacenderam a procura, ainda que por um perfil de terno mais experimental do que o clássico usado no dia a dia de trabalho.

Recuperação em números

Brooks Brothers

Depois de fechar mais de 50 lojas em 2020, a marca aposta em peças como o terno pinstripe para crescer com faturamento anual acima de R$ 5,18 bilhões (Divulgação)

A Suitsupply, com sede em Amsterdã, viu sua receita cair 40% em 2020, para 173 milhões de dólares, cerca de R$ 896 milhões na cotação atual. Desde 2023, a empresa cresce perto de 20% ao ano e hoje fatura mais de um bilhão de dólares, o equivalente a R$ 5,18 bilhões.

A americana Tailored Brands, dona da Men's Wearhouse e da Jos. A. Bank, fechou mais de 400 lojas na crise de 2020 e entrou com pedido de abertura de capital em julho deste ano. Entre 2021 e 2025, teve crescimento composto de 4,4% ao ano, somando vendas de 2,5 bilhões de dólares (R$ 12,95 bilhões) e lucro líquido de 217 milhões de dólares (R$ 1,12 bilhão).

A Brooks Brothers, comprada pela Authentic Brands Group em 2020, soma hoje receita anual estimada em mais de um bilhão de dólares, e o CEO Ken Ohashi cita crescimento de dois dígitos na categoria de ternos neste ano.

Personalização puxa a demanda

Parte do crescimento vem de peças que fogem do terno azul-marinho ou cinza tradicional. Linho, madras e estampas mais coloridas ganharam espaço nas coleções de verão, junto de blazers usados em jantares e eventos sociais fora do horário comercial. Na Bloomingdale's, os preços variam de 700 dólares (cerca de R$ 3.626) em marcas de entrada como a Hugo Boss a mais de 5 mil dólares (R$ 25.900) em grifes como a Zegna, segundo James Newell, vice-presidente de moda masculina da rede.

O movimento também alcança o público feminino. Na Savile Row, em Londres, a estilista Daisy Knatchbull afirma que seu ateliê de alfaiataria voltado a mulheres cresce em média 50% ao ano há cinco anos, com clientes buscando peças versáteis para diferentes momentos do dia.

No Brasil, o desafio das canetas emagrecedoras

Alexandre Won, na loja da Alfaiataria 706: jaquetões, paletós de abotoamento duplo e blazers em modelagem mais ampla (Leandro Fonseca/Exame)

No Brasil, a mesma retomada da alfaiataria sob medida convive com um obstáculo particular. O uso de canetas emagrecedoras como Mounjaro e Ozempic subiu 88% no país no ano passado, segundo o Conselho Federal de Farmácia, e passou a mudar o corpo dos clientes em meio ao próprio processo de confecção das peças.

No ateliê de Alexandre Won, em Moema, a primeira prova de cada terno passou a ser feita com no máximo trinta dias de antecedência da entrega, depois que clientes começaram a voltar com até 15 quilos a menos do que tinham na medição inicial. Vasco Vasconcellos, alfaiate gaúcho com ateliês em São Paulo e Brasília, contabilizou cerca de 350 ajustes significativos desde o segundo semestre do ano passado, num movimento que já considera estabilizado.

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