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Guia Michelin: Brasil inaugura era com restaurantes três estrelas

Tuju e Evvai são reconhecidos pelo guia francês e entram para a seleta lista dos melhores restaurantes do mundo

Guia Michelin: três estrelas na gastronomia brasileira (Tadeu Brunelli/Evvai/Divulgação)

Guia Michelin: três estrelas na gastronomia brasileira (Tadeu Brunelli/Evvai/Divulgação)

Publicado em 13 de abril de 2026 às 22h08.

Última atualização em 13 de abril de 2026 às 22h11.

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Há anos o Brasil aguarda acrescentar uma terceira estrela do Guia Michelin na porta dos restaurantes. Em 2026, o jejum acabou e duas casas brasileiras foram eleitas como altíssima gastronomia: os chefs Ivan Ralston, do Tuju, e Luiz Filipe Souza, do Evvai, são os primeiros a conquistar três estrelas Michelin na América Latina.

Ambos os restaurantes vinham construindo uma trajetória sólida de excelência com o reconhecimento do guia francês nos últimos anos. No ano passado, estiveram entre os poucos restaurantes da América Latina premiados com duas estrelas, mantidas desde 2024.

Tuju: do fechamento da pandemia às três estrelas

Tuju: cardápio muda quatro vezes ao ano, de acordo com as estações das chuvas (Kato78/Tuju/Divulgação)

Inaugurado em 2014, o Tuju, comandado pelo chef Ivan Ralston e pela sommelière Katherina Cordás, é um ícone da alta gastronomia brasileira em São Paulo. No ano seguinte, recebeu a primeira estrela e em 2026 foi listado no Latin America's 50 Best Restaurants.

A segunda estrela veio em 2018. No ano seguinte, em 2019, figurou no top 100 da La Liste. Ivan foi eleito um dos 100 melhores chefs do mundo. Mas em 2020, a pandemia fez o estabelecimento fechar as portas.

O fechamento (ou interrupção) do Tuju se deve a uma demorada reflexão de Ralston e sua sócia, a nutricionista Marcia Cavalieri. “Não nos permitimos voltar exatamente como antes depois de tudo que o mundo viveu com a pandemia”, diz ela. O restaurante não aderiu ao delivery e diz ter mantido seu quadro de funcionários.

O hiato serviu para repensar os menus e o endereço. Após três anos, a casa retomou as atividades em 2023 no Jardim Paulistano. E com tudo: no ano seguinte, 2024, o restaurante reconquistou as duas estrelas Michelin. Esse ano, entram para a história com a terceira.

Evvaí: a caminhada estrelada

Chef Luiz Filipe Souza, do Evvai (Divulgação)

Também triplamente estrelado, o Evvai nasceu em 2017, lderado pelo jovem chef Luiz Filipe Souza, com uma cozinha que funde influências italianas e brasileiras em pratos criativos e precisos. Formado em Administração, ele largou carreira em banco por paixão à gastronomia, passando por Fasano, Girarrosto e Ristorantino.

Em 2018, foi eleito Chef Revelação; em 2019, ganhou a primeira estrela Michelin, entrou no top 30 da Latin America's 50 Best (atual 20) e foi finalista do Bocuse d'Or. Diferente do Tuju, manteve a estrela em 2020, mesmo na pandemia.

Em 2024, conquistou a segunda e com ela permaneceu. Agora, é alçado à seleta lista dos melhores restaurantes do mundo.

Não é só Luiz que brilha no Evvai. Bianca Mirabili, chef confeiteira, também entrou para a história como a melhor chef confeiteira da América Latina no 50 Best América Latina.

“A confeitaria me interessa quando ela me permite revelar a essência dos ingredientes brasileiros. Cada fruta, mel ou raiz tem uma arquitetura própria. Meu trabalho é entender essa estrutura e transformá-la em textura, temperatura e sensação, sempre sem perder de vista a origem”, disse à EXAME.

Bianca Mirabili. do restaurante Evvai: melhor chef confeiteira da América Latina (Juliana Primon/Divulgação)

Duas estrelas no páreo

Nesta edição, três casas conservaram duas estrelas: D.O.M., comandado por Alex Atala; Lasai, de Rafa Costa e Silva; e Oro, de Felipe Bronze. Não houve novos restaurantes nessa categoria.

Já o total de endereços com uma estrela caiu de 20, em 2025, para 19. O Madame Olympe, do chef Claude Troisgros, foi a única estreia na lista.

Em 2026, passaram a integrar o Bib Gourmand os restaurantes Koral, Jiquitaia, Manioca JK, Ping Yang Thai Bar & Food, Tabôa Cozinha Artesanal e Tanit. Desses, cinco estão localizados em São Paulo e um no Rio de Janeiro.

À frente do restaurante Koral, no Rio, o chef Pedro Coronha foi o vencedor do Prêmio Michelin de Jovem Chef de 2026. Durante o evento, ele destacou a importância do ambiente gastronômico da cidade e do trabalho coletivo.

O Guia Michelin França 2023. (JOEL SAGET/AFP/Getty Images)

Como funciona o Guia Michelin?

Criado em 1900 pela fabricante de pneus francesa Michelin, o Guia Michelin nasceu como uma publicação para motoristas, com mapas, dicas de manutenção e sugestões de onde comer e se hospedar durante viagens. Com o passar do tempo, o guia passou a se destacar pelas recomendações gastronômicas e, a partir de 1926, começou a conceder estrelas a restaurantes — sistema que se tornou um dos selos de excelência mais respeitados do setor.

Segundo a organização do guia, a avaliação dos estabelecimentos estrelados levou em conta a "qualidade dos ingredientes, o domínio das técnicas culinárias, a harmonia dos sabores, a personalidade do chef expressa na cozinha e a consistência, tanto no menu quanto nas visitas regulares".

Esses critérios são aplicados por inspetores internacionais do Guia Michelin, que viajam anonimamente pelos destinos avaliados. A identidade dos inspetores e o momento em que visitam os restaurantes são mantidos em sigilo absoluto — uma medida fundamental para preservar a credibilidade e independência da seleção.

O guia francês concede até três estrelas aos restaurantes — três para cozinha excepcional, duas para excelente e uma para requintada — além do selo Bib Gourmand, destinado a estabelecimentos que se destacam pela boa relação entre qualidade e preço.

Atualmente, o Guia Michelin está presente em dezenas de países e avalia restaurantes com base em critérios como qualidade dos ingredientes, domínio técnico, harmonia dos sabores, personalidade da cozinha e consistência. Os estabelecimentos podem receber até três estrelas, sendo uma para “muito bom na categoria”, duas para “cozinha excelente, que vale o desvio” e três para “cozinha excepcional, que vale a viagem”.

Rio de Janeiro

  • Artigiano – Cozinha italiana. Av. Epitácio Pessoa 204, Ipanema. Seg a qui, das 18h30 à meia-noite. Sex e sáb, das 18h30 à 1h. Dom, das 12h às 22h.
  • Brota – Vegetariana. Rua Conde de Irajá, 98, Humaitá. Ter a sáb, das 12h às 23h. Dom, das 12h às 17h.
  • Didier – Cozinha francesa contemporânea. Rua Vinícius de Moraes 124, Ipanema. Seg, qua e qui, das 11h30 às 23h. Sex e sáb, das 11h30 à meia-noite. Dom, das 11h30 às 22h.
  • Maria e o Boi – Casa de carnes. Rua Maria Quitéria 111, Ipanema. Seg a qui, das 12h às 23h. Sex e sáb, das 12h às 23h30. Dom, das 12h às 22h.
  • Miam Miam – Cozinha moderna. Rua General Góis Monteiro 34, Botafogo. Ter a sáb, das 12h às 23h. Dom, das 12h às 17h.
  • Pici Trattoria – Cozinha italiana. Rua Barão da Torre 348, Ipanema. Seg a qui, das 12h à meia-noite. Sex e sáb, das 12h à 1h. Dom, das 12h às 23h.
  • Sult – Italiana contemporânea. Rua Fernandes Guimarães 77, Botafogo. Ter a qui, das 12h às 17h e das 19h às 23h. Sex e sáb, das 12h às 17h e das 19h à meia-noite. Dom, das 12h às 17h.
  • Koral (novo) – Rua Barão da Torre 446, Ipanema. Ter a qui, das 19h à meia-noite. Sex e sáb, das 12h à meia-noite. Dom, das 12h às 19h.

São Paulo

  • A Baianeira – Comida brasileira. Rua Dona Elisa 117, Barra Funda. Ter a sex, das 9h às 15h. Sáb, das 9h às 16h.
  • A Baianeira MASP – Av. Paulista 1510, Bela Vista.
  • A Casa do Porco – Comida brasileira. Rua Araújo 124, República. Seg a sáb, das 12h às 23h. Dom, das 12h às 17h.
  • AE! Café & Cozinha – Comida brasileira. Rua Áurea 285, Vila Mariana.
  • Balaio IMS – Comida brasileira. Av. Paulista 2424, Bela Vista.
  • Banzeiro – Comida brasileira. Rua Tabapuã 830, Itaim Bibi.
  • Barú Marisquería – Frutos do mar. Rua Augusta 2542, Jardim Paulista.
  • Bistrot de Paris – Cozinha francesa. Rua Augusta 2542, Jardins.
  • Brasserie Victória – Cozinha libanesa. Av. Presidente Juscelino Kubitschek 545, Itaim Bibi.
  • Capim Santo – Tradicional. Av. Brig. Faria Lima 2705, Jardim Europa.
  • Cepa – Comida caseira, do campo para a mesa. Rua Antônio Camardo 895, Vila Gomes Cardim.
  • Clandestina – Contemporânea. Rua Girassol 833B, Vila Madalena.
  • Cora – Brasileira, do mercado. Rua Amaral Gurgel 344, Vila Buarque.
  • Corrutela – Comida sazonal, do campo para a mesa. Rua Medeiros de Albuquerque 256, Vila Madalena.
  • Cuia – Criativa. Av. Ipiranga 200, Lj 48, República.
  • Ecully Gastronomia – Culinária internacional. Rua Cotoxó 493, Pompeia.
  • Fitó – Comida brasileira. Rua Cardeal Arcoverde 2773, Pinheiros.
  • Komah – Cozinha coreana. Rua Cônego Vicente Miguel Marino 378, Barra Funda.
  • Kotori – Japonesa. Rua Cônego Eugênio Leite 639, Vila Madalena.
  • Jacó – Contemporânea, moderna. Rua Fidalga 357, Pinheiros.
  • Le Bife – Casa de carnes e grelhados. Rua Pedroso Alvarenga 1088, Itaim Bibi.
  • Manioca – Cozinha moderna. Av. Brigadeiro Faria Lima 2232, Jardins.
  • Manioca da Mata – Moderna. Rua da Mata 212, Itaim Bibi.
  • Mocotó – Comida brasileira. Av. Nossa Senhora do Loreto 1100, Vila Medeiros.
  • Mocotó Leopoldina – Comida brasileira. Rua Aroaba 333, Vila Leopoldina.
  • Nomo – Contemporânea. Rua Harmonia 815, Sumarezinho.
  • Petí Gastronomia – Cozinha moderna. Rua Cotoxó 110, Pompeia.
  • Più Higienópolis – Italiana criativa. Av. Higienópolis 618.
  • Più Pinheiros – Cozinha italiana. Rua Ferreira de Araújo 314, Pinheiros.
  • Shihoma Pasta Fresca – Italiana. Rua Medeiros de Albuquerque 431, Vila Madalena.
  • The Kith – Comida brasileira. Av. Rebouças 3875, Pinheiros.
  • Tordesilhas – Comida brasileira. Alameda Tietê 489, Cerqueira César.
  • Zena Cucina – Comida italiana. Rua Peixoto Gomide 1901, Jardim Paulista.

Novos em São Paulo: Jiquitaia, Manioca JK, Ping Yang Thai Bar & Food, Tabôa Cozinha Artesanal e Tanit.

100 Melhores Restaurantes do Brasil

No final de abril do ano passado, a Casual EXAME revelou a lista dos 100 Melhores Restaurantes do Brasil. O Origem, de Salvador, ficou no topo — a primeira vez que um restaurante fora do eixo Rio-São Paulo conquista o primeiro lugar do ranking. Em segundo lugar está o Lasai, do Rio de Janeiro, que liderou a lista no ano passado, seguido pelo curitibano Manu. O Tuju, de São Paulo, ocupa a quarta posição.

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