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Copa em Miami: o que fazer na cidade mesmo sem ingresso para os jogos

Entre o calor e a herança maximalista da Ocean Drive, a cidade mais procurada por brasileiros nos Estados Unidos oferece praia, museu, golfe, gastronomia e fan zones para o dia em que a Seleção encara a Escócia no Hard Rock Stadium

Mariana Martucci
Mariana Martucci

Head de distribuição e audiovisual

Publicado em 23 de junho de 2026 às 06h30.

Última atualização em 25 de junho de 2026 às 11h03.

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MIAMI* — Junho em Miami fecha a tarde com 34ºC no termômetro, sensação térmica acima dos 36ºC e umidade que você sente pelo corpo todo. Na FIFA Fan Festival do Bayfront Park, em plena Downtown, os torcedores se acomodam embaixo das poucas árvores disponíveis para acompanhar os jogos longe do sol. Os locais entendem isso há tempos. O passeio em Miami se faz na sombra, no carro com ar-condicionado, dentro do shopping, dentro do museu, dentro do hotel. O calor pauta a vida da cidade e, neste mês de Copa do Mundo, pauta também os jogos.

A FIFA decidiu, pela primeira vez na história da competição, tornar obrigatórias pausas de três minutos para hidratação na metade de cada tempo, justificando a medida como proteção dos jogadores diante das temperaturas registradas nos Estados Unidos, no México e no Canadá. A decisão virou um dos temas mais comentados desta edição. O capitão da seleção holandesa, Virgil van Dijk, classificou as paradas como "curiosas" e disse não gostar de ver o jogo interrompido para comerciais. Nos Estados Unidos, a FOX, detentora dos direitos de transmissão, passou a cobrar US$ 200 mil por anúncio de 30 segundos exibido durante as pausas, e a estimativa de receita do pacote chega a US$ 250 milhões.

FIFA Fan Festival em Miami, Florida. ( Joe Raedle/Getty Images)

É nesse calor que o Brasil joga nesta quarta-feira, dia 24, contra a Escócia, às 19h pelo horário de Brasília, no Hard Rock Stadium, fechando a fase de grupos. Nenhuma cidade dos Estados Unidos recebe mais brasileiros do que a região metropolitana de Miami. Em 2025, foram 1,3 milhão de turistas brasileiros desembarcando na Flórida, recorde histórico que colocou o Brasil pela primeira vez à frente do Reino Unido como maior emissor de turistas estrangeiros do estado. Os argentinos aparecem em quinto, com 557 mil. Em Miami especificamente, o Brasil é o segundo maior mercado internacional, atrás apenas dos colombianos, num ano em que a cidade recebeu 28,3 milhões de visitantes. A Casual EXAME foi convidada para passar alguns dias na cidade e montar um roteiro para quem está em Miami sem ingresso para o Hard Rock. 


Onde ficar

Brickell é a escolha mais óbvia. Verticalizada, com restaurantes premiados e bares em cada quarteirão, é a única região da cidade que se navega razoavelmente a pé. Fica a quinze minutos do aeroporto, vinte minutos das praias de Miami Beach e concentra os melhores endereços de hospedagem.

Por lá, está o Brickell Arch, da Luxury Collection, na 1395 Brickell Avenue. O hotel tem pé direito alto, vista da Biscayne Bay e do Bayfront Park, piscina e bar no rooftop. Hospeda o restaurante ADRIFT Mare, do chef David Myers, no 25º andar. O Brickell City Centre, principal endereço de luxo da cidade, fica a cinco minutos de caminhada.

Coral Gables é a alternativa para quem busca clima mais sossegado. Apelidada de "Riviera Americana" desde os anos 1920, foi planejada pelo arquiteto George Merrick com inspiração mediterrânea. Tem ruas arborizadas, fontes, casarões e atmosfera de cidade europeia que contrasta com o resto de Miami. É boa opção para famílias e fica próxima das duas praias.

Brickell City Centre, Miami (Craig Williamson/SNS Group/Getty Images)


Manhã

Coral Gables

Mesmo quem fica em Brickell ganha uma manhã em Coral Gables. A Miracle Mile concentra boutiques, restaurantes e cafés. A Giralda Plaza é exclusiva para pedestres e tem mesas em calçada num clima "europeu". E o Fairchild Tropical Botanic Garden, com 83 acres de plantas tropicais, fica próximo.

A Venetian Pool também fica na região. É a maior piscina pública dos Estados Unidos, construída em 1923 sobre uma antiga pedreira de coral. Tem cascatas, grutas e água gelada renovada diariamente por poço artesiano. Quando o calor aperta de verdade, é onde os locais se refugiam.

Venetian Pool, em Coral Gables, Miami. (Wolfgang Kaehler/LightRocket/Getty Images)

Golfe, dentro ou fora

Miami é, junto com Palm Beach, o coração do golfe americano. Tem campos públicos vizinhos da Biscayne Bay, campos privados em hotéis históricos e campos de competição que receberam Tiger Woods e Jack Nicklaus.

O Crandon Golf, em Key Biscayne, é o único campo público da baía de Biscayne. O Biltmore, em Coral Gables, é um par-71 de 18 buracos dentro do hotel mais histórico da cidade. E o Trump National Doral, a poucos quilômetros do aeroporto, tem quatro campos profissionais. O lendário Blue Monster recebeu o PGA Tour de volta em maio de 2026, depois de uma reforma de US$ 250 milhões no resort.

Se o termômetro estiver impedindo qualquer atividade ao ar livre, dá para fazer o programa em ambiente fechado. O Five Iron Golf de Coral Gables, inaugurado no início de 2026, é a maior unidade da rede americana nos Estados Unidos. Tem doze simuladores TrackMan, doze pistas de boliche e um bar completo. Funciona como happy hour, como festa de aniversário, como aula com instrutor certificado pela Jim McLean Golf School. E o ar-condicionado é potente.

Hora do shopping

Brickell City Centre, para o luxo. O complexo é de conceito aberto. O shopping se funde com a rua e dá para circular em três quarteirões sem perceber que está num shopping. Ancora o espaço uma Saks Fifth Avenue de quase dez mil metros quadrados, e o desenvolvimento de US$ 1,05 bilhão concentra 50 mil metros quadrados de varejo em quatro andares. Saks, Apple, Valentino, Christian Louboutin, Hugo Boss, Stuart Weitzman, Coach, La Perla, Bally, Sandro, Santa Maria Novella, Diptyque, Sephora, Zara e Suitsupply. Dentro da Saks, vale parar no Casa Tua Cucina, espaço de cozinha aberta com pastas, pizzas e crudo. No 40º andar do East Hotel, o bar Sugar tem vista panorâmica do bairro e é onde os moradores costumam fechar a noite.

Dolphin Mall, para os outlets. A oito quilômetros do aeroporto, é o maior shopping de outlets de Miami. Tem mais de 240 lojas em 130 mil metros quadrados. As marcas familiares ao brasileiro estão todas lá, de Nike e Polo Ralph Lauren a Tommy Hilfiger, Calvin Klein, Coach, Adidas, Lacoste e Carter's. Inclui Bloomingdale's Outlet, Saks Off 5th, Last Call by Neiman Marcus, Marshalls e Ross Dress for Less. 

Dolphin Mall, em Miami. (Joe Raedle/Getty Images)


Almoço

O Serafina, no Miami Worldcenter, é uma boa parada. A rede italiana tem unidades em Nova York, Londres, Dubai e São Paulo. Ocupa uma esquina arborizada do complexo de 27 acres em Downtown, em frente à Apple Store. A cozinha aposta no aconchego italiano que faz nome desde a primeira casa em Manhattan, em 1995. Pizzas finas, antepastos, e os famosos raviolis de lagosta, que Drake cita em "Make Them Pay" — "I remember lobster ravioli up at Serafina".


Tarde

Praia em Miami Beach

Não tem como vir a Miami e não pisar em Miami Beach. A travessia da MacArthur Causeway é por si só um espetáculo. Sai-se dos arranha-céus de Brickell, atravessa-se a Biscayne Bay e desemboca-se numa orla de areia branca e mar azul A praia tem todas as opções. South Beach para os curiosos, Mid-Beach para os reservados, North Beach para quem quer paz. Vale escolher um beach club de hotel grande, como Faena, Edition ou 1 Hotel South Beach, ou simplesmente alugar cadeira e guarda-sol num dos pontos públicos.

A Ocean Drive precisa ser percorrida com calma. Quem assistiu The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story, da FX, vai reconhecer o cenário em segundos. A série foi gravada em parte na própria mansão do estilista, com Edgar Ramirez como Versace, Penelope Cruz como Donatella e Ricky Martin como Antonio D'Amico, e capturou exatamente a vibe maximalista que define a região. Hotéis art déco coloridos dos anos 1930 alinhados à frente da praia, varandas com toldos listrados, letreiros de neon curvos e Lamborghinis paradas em fila no meio-fio. É o tipo de cidade que nunca teve vergonha de exagerar nas cores. E que cobrou esse exagero como identidade.

No número 1116 está a Casa Casuarina. Era a casa de Gianni Versace. O estilista comprou o casarão de 1930 por US$ 2,95 milhões em 1992 e foi assassinado na escadaria de entrada por Andrew Cunanan em 1997. A propriedade foi vendida e revendida e hoje pertence à família Nakash, que pagou US$ 41,5 milhões em 2013. Funciona como hotel de dez suítes e abriga o restaurante Gianni's. Almoço de três tempos custa US$ 39,50, e a piscina central de mosaico com folhas de ouro 24 quilates é uma das imagens mais reconhecíveis de South Beach. Pode-se ir só para tomar um Aperol pela borda da piscina e já vale a tarde. 

Para casais e grupos de amigos, a ReefLine

Concebido pela curadora argentina Ximena Caminos e listado pela revista Time entre os melhores destinos do mundo em 2026, o ReefLine é um parque público de esculturas subaquáticas a 180 metros da praia de Miami Beach. A proposta pode soar estranha à primeira vista, mas tem propósito ambiental. As esculturas funcionam ao mesmo tempo como obra de arte e como estrutura de recife artificial.

A primeira obra já está submersa. Concrete Coral, do argentino Leandro Erlich, são 22 carros de concreto em escala real instalados a seis metros de profundidade. A peça utiliza uma tecnologia chamada Coral Lok que sustenta mais de dois mil corais cultivados em laboratório. Dá para fazer o passeio de snorkel com guia credenciado pela organização, ou só ler sobre o projeto no celular antes de ir nadar na praia. O parque previsto se estende por onze quilômetros até Bal Harbour, e novas obras de Carlos Betancourt e do britânico Petroc Sesti chegam ao longo de 2026.

Para famílias com criança, Frost Science e Pérez Art Museum

Os dois museus dividem o Museum Park, em Downtown, com vista direta para a Biscayne Bay. O Phillip and Patricia Frost Museum of Science foi inaugurado em 2017, ocupa 23 mil metros quadrados em quatro prédios separados (aquário, planetário e duas asas de exposição) e foi projetado pelo escritório Grimshaw Architects. O aquário tem três andares e um tanque cônico de 1,89 milhão de litros que se observa de baixo por uma lente Oculus de 30 pés, mostrando tubarões e arraias passando sobre a cabeça. O planetário tem 250 lugares e tela em cúpula com projeção 8K. Ingressos custam US$ 29,95 por adulto e US$ 24,95 por criança de 3 a 11 anos. 

Phillip and Patricia Frost Museum ( Lokman Vural Elibol/Anadolu/Getty Images)

Vizinho, o Pérez Art Museum Miami abre nesta quinta, 25 de junho, uma exposição que justifica a visita por si só. Basquiat: Figures, Signs, Symbols reúne nove pinturas e uma escultura do artista, vindas da coleção do bilionário Kenneth C. Griffin, fundador e CEO da Citadel. Entre as obras está Untitled (Skull) de 1982, que vendeu por US$ 110,5 milhões em leilão na Sotheby's em 2017 e foi adquirida por Griffin em 2024 por US$ 200 milhões. É a maior apresentação da obra de Basquiat já realizada na Flórida, curada por Franklin Sirmans, diretor do PAMM e cocurador da retrospectiva itinerante de 2005 no Brooklyn Museum. A exposição fica em cartaz por um ano.  O prédio do PAMM é assinado pelos suíços Herzog & de Meuron, tem jardim suspenso de plantas tropicais penduradas, café com vista para a baía e coleção de arte moderna com brasileiros no acervo.


Onde assistir aos jogos

Em Miami, cada nacionalidade tem seu bar. Para quem quer viver o jogo do Brasil ao lado de gente que vibra junto, ou se aventurar por uma torcida vizinha, vale escolher o endereço certo.

Casa D, em Wynwood. A casa colombiana abriu sua primeira unidade internacional em Miami em outubro de 2025, com decoração art déco anos 1970 e cardápio de pratos compartilháveis, carnes grelhadas e coquetéis. Atrai uma clientela frequentemente famosa, incluindo Sofia Vergara e Marc Anthony, e tem como diferencial um karaokê de catálogo latino que entra em cena depois da meia-noite. A vibe é aconchegante, a torcida colombiana lota o lugar nos dias de jogo da Colômbia, e funciona bem como aquecimento antes de outro programa.

Novecento, em Brickell. Na 900 S Miami Ave #260, é uma das casas argentinas mais tradicionais da cidade, fundada em 1991 e referência em parrilla, empanadas e malbec. Para a Copa, virou ponto de encontro oficial da torcida argentina em Miami. Camisetas albicelestes lotam o salão, e os garçons servem provoletas como se estivessem em Buenos Aires.

Grails Wynwood. Para quem prefere uma sports bar tradicional. Foi eleito pelo USA Today em 2026 como melhor sports bar de futebol dos Estados Unidos. Transmite os 64 jogos da Copa em mais de 75 telões distribuídos entre um lounge interno e o pátio externo, e a entrada é gratuita. Funciona como ponto de encontro de torcidas estrangeiras misturadas.

FIFA Fan Festival no Bayfront Park. A opção oficial. Aberta gratuitamente até 5 de julho, transformou o Bayfront Park em fan zone à beira-mar com telões gigantes, food trucks, atrações culturais ao vivo e ambiente familiar. É onde a torcida internacional se mistura. O sol pega forte, mas as árvores do parque servem de refúgio.

FIFA Fan Festival em Miami, Florida. ( Joe Raedle/Getty Images)


Onde jantar

O Hutong, na 600 Brickell Avenue, é a parada do jantar para quem quer entender por que Miami tem se firmado como uma das cidades gastronômicas mais interessantes dos Estados Unidos. A casa veio de Hong Kong e tem irmãs em Londres, Nova York e Dubai. O espaço é maximalista no melhor sentido. Um muro de 21 metros foi montado a partir de portas chinesas importadas e talhadas à mão, com proporções inspiradas na dinastia Qin. Iluminação dramática, mosaicos antigos misturados com cores pop, talheres pesados e cristais Spiegelau.

A casa é especialmente conhecida por dois pratos. O Halibut Red Star Noodles chega à mesa dentro de uma estrela vermelha de massa que o garçom abre na hora, liberando um halibute em caldo apimentado e macarrão de arroz fresco preparado a mão. O prato é assinatura do head chef do grupo, que abriu as unidades de Nova York, Miami e Dubai. E o Flaming Duck chega flambado na mesa. É assinado pelo chef Martin Mak, mestre churrasqueiro com mais de cinquenta anos de experiência. O pato fica 36 horas marinando em pimenta sichuan verde, anis estrelado, pimenta-do-reino e pasta caseira de chili, é assado por quarenta minutos e flambado na mesa com vinho rosé chinês e rum. Vem com panquecas chinesas finas que se enrolam sobre a fatia ainda quente.

*A jornalista viajou a convite da GMCVB/Visit Miami. 

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