Jaquetas de couro e camisas esportivas representam o tipo de peça versátil que gera mais dúvida na hora de compor um look completo, segundo o levantamento da ASOS (Divulgação)
Jonalista colaborador
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 06h30.
Uma pesquisa encomendada pela ASOS à consultoria Attest, realizada com quase dois mil consumidores no Reino Unido, mapeou um comportamento que ajuda a entender a fadiga do consumo de moda online nos dias de hoje. Segundo o levantamento, 64% dos entrevistados afirmam que a indústria oferece opções demais e orientação de menos sobre como combiná-las, e 68% dizem que é mais fácil escolher o que comprar do que descobrir como usar.
Apesar da sensação de saturação, 67% dos consumidores ainda recorrem a plataformas como Instagram, TikTok e Pinterest na hora de se vestir, e 68% concordam que essas redes trazem boas referências visuais, mas pouca orientação prática sobre como aplicá-las no guarda-roupa.
O apetite por autenticidade aparece nos números seguintes, uma vez que cerca de 86% dos entrevistados dizem procurar peças que reflitam o próprio gosto, ainda que a metade admita dificuldade para desenvolver uma identidade de estilo própria. O resultado é um consumidor que deseja diferenciação e, ao mesmo tempo, continua girando dentro do mesmo ciclo de referências repetidas pelos algoritmos.
Vestidos de festa em tons vibrantes ilustram o tipo de peça que, segundo a pesquisa, motiva o consumidor a comprar mesmo sem saber como vai usá-la (Divulgação)
A pesquisa também aponta uma queda na influência de celebridades e criadores de conteúdo sobre as escolhas de vestuário. Entre os entrevistados, 39% afirmam se inspirar em amigos e familiares, e 31% citam pessoas que veem na rua como referência de estilo, à frente de nomes que dominam as redes sociais. O dado reforça um movimento de valorização de uma moda mais funcional e próxima da realidade de quem consome, em contraste com a estética editorial que ainda domina boa parte do feed.
O comportamento de compra confirma a dificuldade relatada pelos consumidores. Segundo o estudo, um em cada três entrevistados já desistiu de uma compra por não conseguir imaginar como usaria a peça no dia a dia. Aparecem também 45% que compraram algo sem saber com o que combinar, e 55% que adquiriram itens extras apenas para fechar um look que não tinham planejado originalmente.
Diante desse cenário, plataformas de comércio eletrônico já reagem com ferramentas de inteligência artificial voltadas à composição de looks. A própria ASOS oferece o recurso AI Stylist e a função de prova virtual, batizada de Virtual Try On, que simulam como as peças ficariam no corpo do cliente antes da compra ser concluída. A expectativa do setor é que essa demanda por orientação também chegue às lojas físicas, com a volta de stylists e personal shoppers para ajudar o consumidor a montar combinações a partir do que já foi comprado.
O levantamento da ASOS se soma a outros estudos recentes sobre o comportamento do consumidor de moda, que apontam cansaço com o excesso de estímulo digital e uma busca crescente por curadoria personalizada, seja ela humana ou automatizada.