Casual

Como Copenhague transformou sua moda em uma marca da cidade

A cidade completa 20 anos de Copenhagen Fashion Week no mesmo ano em que volta a liderar o ranking de vivibilidade da Economist Intelligence Unit

Copenhague celebra 20 anos de CFW no mesmo ano em que volta a ser eleita a cidade mais vivível do mundo (Reprodução/Instagram)

Copenhague celebra 20 anos de CFW no mesmo ano em que volta a ser eleita a cidade mais vivível do mundo (Reprodução/Instagram)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 8 de agosto de 2026 às 08h02.

Tudo sobreModa
Saiba mais

Em 2026, a cidade de Copenhague comemora duas conquistas. A capital dinamarquesa celebra duas décadas de Copenhagen Fashion Week no mesmo período em que volta a ser eleita a cidade mais vivível do mundo pela Economist Intelligence Unit, pelo segundo ano consecutivo. As duas avaliações partem de critérios diferentes, mas apontam para o mesmo tipo de cidade: organizada, funcional e capaz de transformar identidade local em relevância internacional.

A CPHFW nasceu em 2006, em um momento em que Copenhague ainda não integrava o circuito global de moda. Hoje é chamada de quinta semana de moda do mundo, atrás de Paris, Milão, Londres e Nova York. A edição comemorativa da primavera/verão 2027 acontece entre os dias 3 e 7 de agosto, com 34 desfiles e apresentações, e celebrações que se estendem ao longo do ano.

O crescimento do evento acompanhou o de marcas como Ganni, Cecilie Bahnsen, Saks Potts, Stine Goya, Rotate e Baum und Pferdgarten, responsáveis por ampliar a percepção sobre o design escandinavo, historicamente associado ao minimalismo. Mangas statement, estampas fortes e silhuetas românticas passaram a dividir espaço com essa herança, formando uma identidade visual fácil de reconhecer e compartilhar, o que ajudou a moda dinamarquesa a crescer junto com as redes sociais.

Bicicletas, ruas e passarelas

Vista de Copenhague ao entardecer, cidade coroada pelo Índice de Vivibilidade da EIU em 2026 (Pexels)

O street style da CPHFW se tornou parte do espetáculo desde cedo, muito além das passarelas. Nomes como Pernille Teisbaek, Emili Sindlev, Jeanette Madsen e Thora Valdimars ajudaram a consolidar a imagem da cidade também fora dos desfiles.

A bicicleta, meio de transporte mais comum entre os moradores, se tornou símbolo recorrente nas imagens do evento, e o mesmo relatório da Economist Intelligence Unit que elegeu Copenhague como cidade mais vivível do planeta destaca justamente a facilidade de locomoção urbana entre os fatores que sustentam a boa avaliação da capital.

A pontuação da cidade no índice de 2026 chegou a 98 sobre 100, à frente de Viena, com 97,1, e Melbourne, com 97. O levantamento avalia 173 cidades a partir de cerca de 30 indicadores, divididos em cinco categorias: estabilidade, saúde, cultura e ambiente, educação e infraestrutura. Copenhague obteve nota máxima em três delas, estabilidade, educação e infraestrutura, e a lista das dez primeiras colocadas incluiu ainda Sydney, Zurique, Genebra, Osaka, Adelaide, Vancouver e Tóquio.

Sustentabilidade como linguagem comum

O critério ambiental aparece tanto na moda quanto na gestão urbana da cidade, funcionando quase como um idioma comum entre os dois setores. Desde 2023, marcas que integram o calendário oficial da CPHFW precisam cumprir 19 exigências mínimas, entre elas a mensuração e compensação de emissões de carbono e a eliminação de cabides e sacolas plásticas de uso único. A organização do evento também criou a Carta Ética da Moda Dinamarquesa, voltada à proteção de profissionais do setor, com atenção especial às modelos.

No campo urbano, a prefeitura aposta no projeto CopenPay, criado para lidar com o excesso de turismo por meio de incentivos, e não de restrições, aproximando o comportamento dos visitantes ao dos moradores locais, historicamente atentos à redução de impacto ambiental.

As exportações do setor de moda dinamarquês cresceram 84% nos últimos vinte anos, respondendo hoje por dois terços da receita total da indústria no país, segundo dados da organização da CPHFW. O desempenho comercial da moda e a boa colocação no ranking de vivibilidade caminham lado a lado em um mesmo discurso de cidade, o que ajuda a explicar por que Copenhague se tornou referência tanto para visitantes quanto para investidores do setor criativo.

Acompanhe tudo sobre:ModaDinamarcaLuxoSustentabilidade

Mais de Casual

As obras de arte vestíveis da Bvlgari

Dia da Cerveja: veja onde comemorar a data em São Paulo

Os calçados 'gelatinosos' se tornaram os itens mais desejados na moda

A nova fronteira da beleza: algoritmos que analisam o seu rosto