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Parte da programação aconteceu no icônico MASP, na Avenida Paulista (Leonardo Finotti/Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 8 de agosto de 2026 às 14h00.
Um espaço de continuidade da agenda climática global, conectando uma COP à outra e mantendo a mobilização viva para a implementação de soluções concretas.
Esse é, na definição de Michel Porcino, fundador da SP Climate Week, o maior legado da terceira edição, que chegou ao fim nesta sexta-feira, 7.
"Deixamos de ser apenas um evento nos tornarmos uma plataforma permanente de ação em prol do clima", destacou à EXAME.
A última semana foi intensa na capital paulista: foram mais de 230 atividades organizadas em seis eixos temáticos: energia, indústria e transporte; florestas, oceanos e biodiversidade; agricultura e sistemas alimentares; cidades resilientes; desenvolvimento humano e social; e financiamento e tecnologia.
Na estreia da Climate House, a pergunta que abriu a programação foi também a que resume seu propósito: como tirar do papel os compromissos assumidos na COP30, em Belém?
A resposta passa por empresas, governos, academia e sociedade civil, e o espírito do mutirão reuniu os atores para colocar na mesa o que será entregue de concreto na próxima COP, na Turquia, em novembro.
Nesta edição, algo inédito aconteceu em uma Semana do Clima ao redor do mundo: pela primeira vez, a abertura aconteceu dentro de um território indígena, na Tekoa Yvy Porã, na zona noroeste da capital paulista.
O gesto simbólico deu o tom do que estava por vir: os territórios precisam ser ouvidos nas decisões, e o espaço não pode ficar restrito a grandes empresas e governos. Afinal, as comunidades tradicionais carregam um saber ancestral que, em diálogo ativo com a ciência, pode apontar caminhos para um futuro mais sustentável.
Um dos desdobramentos do último dia veio do ESG Supply Summit, evento específico dedicado ao escopo 3 (cadeia de fornecedores): o lançamento do C3 ActionLab, iniciativa colaborativa que conecta grandes empresas, fornecedores e parceiros estratégicos em uma jornada contínua de capacitação, implementação e compartilhamento de boas práticas para acelerar a descarbonização das cadeias de valor.
O foco neste escopo é intencional. Para a maioria das companhias, mais de 70% das emissões estão concentradas na cadeia de valor e é justamente aí que mora o maior gargalo para o cumprimento das metas climáticas.
É também uma agenda que não se resolve sozinha: exige colaboração entre setor privado, fornecedores, instituições financeiras e parceiros.
Por isso, o C3 ActionLab nasce para acelerar a capacitação de fornecedores, disseminar práticas positivas e estruturar projetos sustentávies. A iniciativa está alinhada à Agenda Global de Ação Climática e aos desdobramentos da COP30, reforçando o papel do setor privado.
Para Michel, outro legado foi consolidar São Paulo como um polo internacional da agenda climática.
"Trouxemos lideranças do Brasil e do mundo para discutir os grandes desafios da transição e, ao mesmo tempo, construir junto com quem está nos territórios", afirmou.
A plataforma permanente segue ativa por meio de grupos de trabalho, coalizões e projetos que nasceram durante a semana e seguirão ativos nos próximos meses, com metas, indicadores e acompanhamento de resultados.
É esse movimento que justifica o lançamento, nesta sexta-feira, da Jornada de Ação Climática, que conecta os GTs e os Action Labs aos eixos da Agenda Global de Ação.
"No fim do dia, nossa missão é que essa edição seja lembrada não pelos debates que promoveu, mas pelas transformações que ajudou a colocar em prática", resume Michel.
No centro dessa estratégia de implementação que o Brasil corre para entregar estão os 120 Planos de Aceleração de Soluções (PAS), organizados em torno dos seis eixos e apoiados por mais de 400 iniciativas e coalizões — parte do arcabouço que a jornada promete manter vivo até a COP31.