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O mercado de segunda mão é o novo luxo na moda?

No Brasil já são 118 mil brechós ativos e R$ 24 bilhões previstos para 2025, no mesmo ritmo que encareceu o setor nos Estados Unidos

Brechós somam 118 mil lojas ativas no Brasil, setor que deve movimentar R$ 24 bilhões em 2025, segundo o Sebrae (Pexels)

Brechós somam 118 mil lojas ativas no Brasil, setor que deve movimentar R$ 24 bilhões em 2025, segundo o Sebrae (Pexels)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 11h46.

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O Brasil tem hoje cerca de 118 mil brechós ativos, alta de quase 31% em cinco anos, segundo dados do Sebrae, e, além disso, o setor deve movimentar R$ 24 bilhões em 2025, impulsionado por um comportamento de consumo que deixou de tratar a roupa usada como opção secundária. Só o estado de São Paulo concentra 7 mil lojas do segmento.

Redes de franquia acompanham o mesmo ritmo, como o Peça Rara Brechó, com mais de 130 unidades em operação, que fechou 2025 com crescimento de 25% no faturamento e redução de 10% no custo de mercadorias vendidas, segundo balanço divulgado pela própria empresa. A meta da rede é chegar a 300 lojas no país. Segundo a Associação Brasileira de Franchising, o setor de moda, no qual os brechós estão inseridos, teve alta de 8,5% no faturamento em 2024, ritmo acima da média do franchising nacional.

A moda circular deve crescer mais rápido que o fast fashion

Um estudo do Boston Consulting Group projeta que o mercado de moda circular brasileiro, que inclui brechós e plataformas de revenda, cresça entre 15% e 20% ao ano até 2030. Nesse ritmo, o segmento deve ultrapassar o valor de mercado do fast fashion no país dentro da década, segundo projeção do Instituto de Economia Gastão Vidigal, ligado à Associação Comercial de São Paulo. Uma pesquisa da plataforma Enjoei, em parceria com a mesma consultoria, mostrou que 56% dos brasileiros já realizaram ao menos uma transação de compra ou venda de item usado.

O comportamento também aparece do lado digital, como com as grandes redes varejistas que passaram a investir no setor, caso da Renner e da Arezzo. Ambas compraram plataformas de venda de roupas usadas online, movimento que sinaliza a aposta do varejo tradicional em um mercado que antes disputava espaço com ele.

O que os dados internacionais mostram

Goodwill

Bolsas e acessórios usados dividem espaço com roupas em loja da Goodwill, rede que faturou R$ 35,6 bilhões em 2025 nos EUA (Reprodução/Instagram)

Nos Estados Unidos, a Goodwill, maior rede de brechós da América do Norte, fechou 2025 com faturamento recorde de US$ 7 bilhões, o equivalente a R$ 35,6 bilhões, segundo levantamento do The Guardian. O jornal britânico apontou que o mercado global de roupas usadas cresceu 28% entre 2021 e 2022 e hoje movimenta cerca de US$ 350 bilhões, R$ 1,78 trilhão, com projeção da ThredUp de chegar a US$ 367 bilhões, R$ 1,86 trilhão, até 2029.

Esse crescimento trouxe um efeito colateral que também pode se repetir por aqui. Segundo a reportagem, o aumento da demanda elevou os preços mesmo nas pontas mais baratas da cadeia nos Estados Unidos, com peças vendidas por valores próximos aos de itens novos em algumas lojas de doação. No luxo, uma pesquisa da Bain & Company citada pelo jornal mostrou que metade dos compradores já consulta o preço de revenda de um item antes de decidir comprar a peça nova, sinal de que o mercado de segunda mão passou a interferir diretamente na decisão de compra.

Preço em alta também é parte do fenômeno brasileiro

No Brasil, o crescimento acelerado do setor levanta uma questão semelhante à observada lá fora, a de que o barato do brechó pode estar com os dias contados à medida que o mercado se profissionaliza. Peças raras e de marcas de luxo já circulam por valores elevados em plataformas de revenda no país, seguindo o padrão identificado em outros mercados, no qual a escassez de determinadas peças justifica preços cada vez mais próximos aos do varejo tradicional.

A diferença é que o Brasil ainda está em um estágio anterior de profissionalização em relação a mercados como o americano, o que deixa em aberto até onde vai essa curva de crescimento.

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