Ciência

Ácido domoico deixa leões-marinhos desorientados — e pode afetar humanos

Mais de 100 casos foram registrados em 2026, enquanto especialistas investigam o aumento tardio das intoxicações na costa da Califórnia

Leões-marinhos: animais intoxicados por ácido domoico apresentam desorientação, convulsões e alterações de comportamento (Freepik)

Leões-marinhos: animais intoxicados por ácido domoico apresentam desorientação, convulsões e alterações de comportamento (Freepik)

Publicado em 20 de setembro de 2026 às 13h15.

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Dezenas de leões-marinhos apareceram doentes ou mortos na costa da Califórnia, nos Estados Unidos. Os animais apresentam convulsões, espasmos, desorientação e alterações de comportamento.

Segundo o SFGATE, mais de 100 casos de intoxicação por ácido domoico envolvendo leões-marinhos foram registrados no Estado em 2026. O número supera os 70 a 90 casos normalmente registrados em um ano.

A substância é uma neurotoxina produzida por algumas espécies de algas marinhas. Ela pode se acumular em peixes consumidos pelos leões-marinhos e afetar o sistema nervoso dos animais.

Intoxicação por ácido domoico causa sintomas neurológicos

O ácido domoico está associado principalmente a algas do gênero Pseudo-nitzschia. Durante determinadas florações, a concentração da toxina pode aumentar no ambiente marinho.

Sardinhas e anchovas estão entre os peixes que podem acumular a substância. Quando ingeridos pelos leões-marinhos, os peixes contaminados transferem a toxina para os predadores. A intoxicação pode provocar convulsões, tremores, espasmos, letargia e desorientação. O ácido domoico também pode afetar regiões do cérebro ligadas à memória e ao comportamento.

Casos se concentram em diferentes áreas da Califórnia

Os registros recentes incluem animais encontrados na região da Baía de San Francisco, na Península de Monterey e em outras áreas da costa central.

Equipes do Marine Mammal Center têm recebido chamados para avaliar animais doentes ou debilitados. A organização recomenda que as pessoas mantenham distância dos mamíferos marinhos encontrados na praia. O contato com um leão-marinho intoxicado não representa, por si só, uma forma de transmissão da toxina. O principal risco para humanos está no consumo de alimentos contaminados.

Intoxicação também pode afetar humanos

Em seres humanos, o ácido domoico pode causar a chamada intoxicação amnésica por moluscos. A condição está relacionada principalmente ao consumo de frutos do mar contaminados. Mexilhões, ostras, amêijoas e vieiras podem acumular a toxina. Sardinhas e anchovas também podem apresentar níveis elevados da substância.

O ácido domoico não é eliminado pelo cozimento ou pelo congelamento. Em casos graves, a exposição pode provocar sintomas neurológicos e levar à morte.

Florações de algas estão no centro do problema

O crescimento de algas produtoras de ácido domoico depende de diferentes condições ambientais. Entre elas estão a disponibilidade de nutrientes e a circulação das águas oceânicas.

A ressurgência, fenômeno que leva águas profundas ricas em nutrientes para a superfície, pode favorecer algumas florações. Segundo o SFGATE, o fenômeno pode ocorrer tanto em períodos de águas mais frias quanto em condições mais quentes.

As condições do oceano podem influenciar a concentração da toxina disponível para os animais. No entanto, não há uma causa única estabelecida para explicar o aumento dos casos em 2026.

Leões-marinhos precisam de distância

Animais afetados pelo ácido domoico podem apresentar comportamento incomum e movimentos descoordenados. Alguns permanecem imóveis na areia ou sofrem convulsões.

Por isso, especialistas recomendam não tocar, alimentar ou tentar devolver ao mar animais encontrados em condições anormais. A orientação é manter distância e acionar equipes especializadas. O atendimento adequado reduz os riscos para os animais e para as pessoas que encontram os mamíferos na costa.

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