Casual

A invasão asiática: marcas de beleza se unem para conquistar o Brasil

Na esteira do crescimento das importações sul-coreanas e chinesas, o grupo Klasmē aposta em curadoria de maquiagem, skincare e tratamento capilar vindos da China, Japão e Coreia do Sul

Grupo Klasmē: as seis novas marcas asiáticas que chegam ao Brasil (Florasis / Divulgação)

Grupo Klasmē: as seis novas marcas asiáticas que chegam ao Brasil (Florasis / Divulgação)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 10 de setembro de 2026 às 17h52.

Última atualização em 10 de setembro de 2026 às 18h35.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreBeleza
Saiba mais

Só em 2025, as exportações de cosméticos da Coreia do Sul para o Brasil cresceram 951% (US$ 54,36 milhões), segundo o Korea Customs Service. Importações brasileiras de itens de beleza e higiene vindas da China também saltaram de US$ 157,7 milhões em 2024 para US$ 220,3 milhões em 2025, de acordo com dados da ABIHPEC. Virou normal e é tendência: a onda de beleza asiática fisgou o mercado brasileiro. E cresceu tanto que, para conquistar território, as marcas de cosméticos da Ásia estão se unindo em grupos para vender no Brasil.

É o caso do recém-anunciado Klasmē Group. Até a última sexta-feira, 4, o grupo, na verdade, era uma junção de duas marcas — a Klasmē (Coreia do Sul, Japão e Taiwan), que chegou ao Brasil em 2018, e a Miya Kea, japonesa focada em colágeno. Na Beauty Fair, em São Paulo, a companhia anunciou a transição e lançou seis novas marcas asiáticas no mercado brasileiro: Florasis (China), O.TWO.O (China), GOGO TALES (China), VEECCI (China), Skinever (China) e Tang Dynasty (China).

A ideia é se tornar referência de exportação de marcas da Ásia no Brasil, hoje o terceiro maior consumidor de beleza no mundo. As estimativas são promissoras. O C-Beauty, indústria de beleza chinesa, deve atingir US$ 20 bilhões até 2030, mostram as estimativas da Future Market Insights e Grand View Research. Até 2034, segundo levantamento do IMARC Group, o mercado global de K-Beauty (Coreia do Sul) deve chegar aos US$ 34,4 bilhões, com crescimento médio de 8,61% ao ano.

“O mercado brasileiro demonstra um interesse crescente e qualificado pela beleza asiática e pelas marcas de C-Beauty, não como curiosidade passageira, mas como uma categoria que se consolida pela inovação”, afirma Kelvin Chen, CEO do Klasmē Group, em entrevista à Casual EXAME.

A invasão asiática no Brasil é real. E veio para ficar

Com esse avanço das importações no país, a mudança de posicionamento da Klasmē visa capturar a demanda de um mercado de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC) que movimentou US$ 37,4 bilhões no Brasil em 2024, de acordo com levantamento da ABIHPEC. O desafio é competir com fabricantes locais, como Natura e grupo O Boticário, e multinacionais estabelecidas, como o grupo L'Óreal, que hoje detêm a maior fatia do faturamento do setor.

No último ano, O Boticário atingiu R$ 9,9 bilhões em receita no país. A Natura, no mesmo período, fez R$ 13,4 bilhões. Ambas as marcas dominam o mercado pelo preço competitivo e reconhecimento de marca — algo que as asiáticas ainda têm dificuldade por aqui. Não significa, entretanto, que a Ásia tem vendido pouco no país.

Marcas como COSRX, Beauty of Joseon, SKIN1004, Anua, Medicube e Torriden são algumas das que já aparecem (e somem rápido) das prateleiras de farmácias brasileiras. Embora não abram receita no Brasil, são rótulos que crescem números no mundo inteiro a cada trimestre. A Klasmē está entre elas e foca em um modelo de curadoria que prioriza a adaptação das fórmulas às preferências da consumidora brasileira para chamar atenção.

“A verdadeira diferenciação está em não enxergar a Ásia apenas como fonte de tendências”, explica Chen. “Existe, por trás de cada lançamento, um trabalho de curadoria para entender quais produtos e conceitos realmente fazem sentido para a rotina e as expectativas do mercado local. Nosso desafio é construir marcas com identidade própria e uma relação de longo prazo com o consumidor.”

A expansão do portfólio no Brasil cobre frentes variadas do ecossistema de cosméticos, que vão da estética inspirada na história imperial chinesa ao skincare de alta tecnologia e linhas capilares. A Florasis, criada em Hangzhou (China), alia a Medicina Tradicional Chinesa à biotecnologia em itens de maquiagem com embalagens esculpidas em relevo artísticos. Já a O.TWO.O e a GOGO TALES, nascidas no polo de Guangzhou (China), trazem ao catálogo produtos multifuncionais, alta fixação e linguagem voltada ao público jovem.

O portfólio inclui ainda a VEECCI (China), especializada na área dos olhos e sobrancelhas e reconhecida pelo desenvolvimento de fórmulas líquidas de alta precisão, e a Skinever, desenvolvida em Seul com foco no cuidado com a pele a partir de ativos como centelha asiática, chá-verde e arbutina. No segmento capilar, a Tang Dynasty (China) utiliza ingredientes como colágeno e óleo de argan em tratamentos para fios quimicamente tratados.

"A escolha de cada marca que passa a integrar nosso portfólio nunca é motivada apenas pelo fato de ela estar em alta na Ásia. Existe, antes disso, um processo no qual avaliamos a proposta de valor da marca, o grau de inovação de seus produtos, o potencial real de mercado e, sobretudo, o quanto ela dialoga com o consumidor brasileiro em sua diversidade."

Presença física e experiência no varejo

A estratégia para consolidar as novas marcas no país apoia-se no fortalecimento da presença física. O grupo expandiu a atuação com a abertura de um ponto no Mata Lab, hub de curadoria de beleza dentro do Complexo Matarazzo, em São Paulo, e a instalação de um quiosque no Catarina Fashion Outlet, em São Roque.

Com operações também nos Estados Unidos e no Paraguai, a empresa sinaliza que a diversificação dos canais de venda e a ampliação da oferta de C-Beauty e K-Beauty dão o tom dos seus próximos passos. Sem divulgar números de faturamento, o grupo projeta a consolidação do portfólio no Brasil a partir do adensamento dessas novas categorias no varejo nacional.

Acompanhe tudo sobre:Coreia do SulChinaJapãoÁsiaBelezahigiene-pessoal-e-belezaExclusivo

Mais de Casual

Bvlgari leva instalação e nova coleção de alta joalheria a Nova York

O histórico 'vestido da vingança' de princesa Diana será leiloado

Montblanc celebra 100 anos de artigos de couro em Nova York

Os super-ricos estão reformando as casas para driblar o calor