Vista do Estadio Sao Januario antes da partida entre Vasco da Gama x Goias pelo Campeonato Brasileiro A em 22 de junho de 2023. Foto: Daniel RAMALHO/VASCO (Daniel Ramalho / Vasco/Divulgação)
Repórter
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 18h27.
A decisão da Justiça do Rio de Janeiro marcou mais um passo no processo de reestruturação do Vasco. Nesta quinta-feira, a juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital, autorizou o clube a buscar um novo financiamento na modalidade DIP (Debtor-in-Possession), com limite de até R$ 150 milhões. Além disso, a magistrada determinou a abertura do leilão para a venda de 90% das ações da nova Sociedade Anônima do Futebol (SAF) cruz-maltina. A informação foi divulgada pelo GE.
As propostas pela chamada UPI Equity, que corresponde a 90% da participação acionária da SAF, serão apresentadas em envelopes fechados. A abertura e análise das ofertas está marcada para o dia 25 de setembro, às 14h, em audiência específica para o procedimento.
O financiamento autorizado poderá ser contratado junto à Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa ligada ao empresário Marcos Lamacchia. Filho de José Lamacchia e enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, ele é apontado como o principal interessado na aquisição da nova SAF vascaína.
Apesar da autorização para captação de até R$ 150 milhões, a decisão judicial ressalta que o valor não deverá ser utilizado integralmente de forma automática. Segundo o texto, os desembolsos deverão ocorrer conforme as necessidades efetivas de caixa da Vasco SAF, com acompanhamento e fiscalização permanentes da situação financeira da companhia.
O Flamengo levou à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) uma reclamação sobre a situação financeira do Vasco. O clube rubro-negro solicitou que o órgão analise a conduta do rival à luz das regras do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), especialmente diante dos novos investimentos realizados pelo clube cruz-maltino no mercado, segundo o GE.
Na avaliação do Flamengo, existe uma contradição entre as dificuldades econômicas apresentadas pelo Vasco no âmbito de sua recuperação judicial e a movimentação da equipe para reforçar o elenco. O clube carioca cita o pedido feito pelo rival à Justiça para obter autorização para um novo financiamento emergencial, destinado à manutenção das operações, enquanto o departamento de futebol continua buscando contratações.
A preocupação apresentada pelo Flamengo não se limita aos valores envolvidos nas negociações. O clube entende que o cenário pode gerar uma diferença esportiva entre equipes que cumprem rigorosamente suas obrigações financeiras e aquelas que, mesmo enfrentando dificuldades, conseguem ampliar os gastos com o elenco.