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Data centers sustentam a expansão da inteligência artificial no Brasil
Redação Exame
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 06h00.
O Brasil encerrou o primeiro semestre de 2026 com 706 megawatts (MW) de capacidade instalada em data centers, mais de seis vezes o volume registrado em 2012.
Até o fim do ano, outros 134 MW devem entrar em operação, depois dos 106 MW entregues nos primeiros seis meses. O movimento faz de 2026 um ano recorde para o setor, segundo levantamento da JLL.
A expansão acompanha uma necessidade diretamente ligada ao avanço da inteligência artificial: mais processamento e armazenamento exigem uma infraestrutura capaz de sustentar cargas computacionais cada vez maiores.
Para o mercado brasileiro, a combinação de demanda, disponibilidade energética e localização tornou o país um destino de novos projetos.
O investimento associado às entregas previstas para 2026 é estimado em aproximadamente US$ 8 bilhões. A expectativa para os próximos anos também é de forte expansão.
O levantamento aponta que o mercado brasileiro pode dobrar de tamanho até 2030, chegando a 660 MW adicionais em construção e atraindo cerca de US$ 17,4 bilhões. São Paulo concentra 38% da capacidade do país e permanece como o principal polo nacional e latino-americano.
Os chamados hyperscalers, grandes provedores de serviços digitais, aumentaram a contratação de espaço em data centers de cerca de 230 MW em 2021 para 780 MW no primeiro semestre de 2026.
Aplicações de inteligência artificial dependem de uma quantidade elevada de processamento. O crescimento dessa demanda ajuda a explicar por que novos empreendimentos são planejados já considerando necessidades específicas para cargas de IA.
Um exemplo está no projeto conduzido pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) para implantação de um novo supercomputador voltado à inteligência artificial no Rio Grande do Norte.
A iniciativa faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e busca ampliar a capacidade nacional de computação de alto desempenho.
A infraestrutura também passou a ocupar espaço nas políticas públicas. Nesta terça-feira (15), o governo federal sancionou o Redata, regime que oferece incentivos para investimentos em data centers e estabelece contrapartidas relacionadas a pesquisa, desenvolvimento e oferta de capacidade de processamento no mercado nacional.
O avanço, porém, depende de outra infraestrutura: a elétrica. Estudo da Schneider Electric em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estima que a capacidade instalada de data centers no Brasil poderá chegar a 26 GW ou 45 GW até 2050, dependendo da expansão da geração e transmissão de energia renovável.
Para profissionais de tecnologia, infraestrutura e negócios, a movimentação amplia a demanda por conhecimentos relacionados a computação em nuvem, segurança, energia, dados e inteligência artificial.
A expansão dos data centers cria a base física para que novas aplicações sejam desenvolvidas e utilizadas no país e coloca competências ligadas a essa cadeia no centro de uma transformação que já está avançando.