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Redata pode atrair US$ 92 bilhões em investimentos no Brasil em 5 anos, diz Brasscom

Lei que zera impostos federais sobre equipamentos de data center é vista como decisiva para atrair investimentos; executivos do setor ouvidos pela EXAME comemoram a sanção, mas se preocupam com ICMS

Equinix: empresa vê potencial destravado com Redata (Equinix/Divulgação)

Equinix: empresa vê potencial destravado com Redata (Equinix/Divulgação)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 15 de setembro de 2026 às 16h38.

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RESUMO | O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira, 15, a lei que institui o Redata, regime que reduz a tributação sobre equipamentos de data centers no Brasil. A medida suspende PIS, Cofins, IPI e Imposto de Importação e prevê alíquota zero para empresas que assumirem compromissos de sustentabilidade, mas não inclui o ICMS.


Foi sancionada nesta terça-feira, 15, a lei que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), encerrando uma tramitação de quase dois anos marcada por reveses no Congresso.

Uma estimativa da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) aponta que a a medida pode atrair até US$ 92 bilhões em investimentos no país nos próximos cinco anos, apenas em infraestrutura física.

Em manifesto divulgado nesta terça, a entidade classificou a sanção como "passo decisivo para reposicionar o Brasil no mapa global de investimentos em infraestrutura digital, inteligência artificial e computação em nuvem".

Segundo a Brasscom, o Brasil fechou 2025 com déficit de quase US$ 8 bilhões na balança comercial de serviços de computação e informação, dados do Banco Central (BC)— valor que já havia chegado a US$ 4,8 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026.

"Com o Redata, invertemos essa lógica e criamos condições para reduzir a dependência de infraestrutura computacional localizada no exterior", afirma a entidade.

O texto havia sido aprovado como projeto de lei em dezembro de 2024, anulado por vício de iniciativa, reapresentado como Medida Provisória (MP) em setembro de 2025, perdeu validade sem votação no Senado e só avançou definitivamente no início deste mês, dentro do "esforço concentrado" de pauta combinado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta.

O ICMS ainda pesa

Executivos do setor de tecnologia ouvidos pela EXAME comemoraram a sanção, mas afirmam que a carga do ICMS ainda pesa sobre as empresas — o imposto estadual, segundo Andriei Gutierrez, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), responde por dois terços da tributação sobre equipamentos tecnológicos no Brasil e ficou de fora da nova lei.

O Redata suspende PIS, Cofins, IPI e Imposto de Importação na compra de equipamentos por empresas que operam data centers no Brasil, com alíquota zero para quem assumir compromissos de sustentabilidade.

Eduardo Carvalho, presidente da Equinix para a América Latina, afirma em nota que "é fundamental que as etapas pendentes de regulamentação e aprovação da redução do ICMS no Confaz avancem com rapidez".

"Em um setor no qual os investimentos são definidos globalmente e a velocidade de execução faz diferença, transformar a intenção da política pública em benefícios concretos o mais rapidamente possível será determinante para que o Brasil capture uma parcela maior dos investimentos em infraestrutura digital direcionados para suportar inteligência artificial, nuvem e processamento de dados", diz.

Além da pendência do ICMS, a Brasscom também aponta uma contradição na própria política de comércio exterior do governo: a decisão do Comitê de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) de elevar alíquotas do Imposto de Importação para bens de capital e de tecnologia.

Segundo a entidade, a medida "caminha na contramão da sanção que hoje celebramos", e sua revogação para as categorias de equipamentos incluídas no Redata seria urgente — sob risco de encarecer justamente a infraestrutura tecnológica de ponta que a nova lei tenta viabilizar, e que ainda não tem produção nacional equivalente. "Sem a adesão coordenada dos Estados, o esforço federal corre o risco de ser esvaziado", diz o texto da associação.

Janela de investimentos em data centers

A sanção chega em um momento de expansão acelerada do setor de data centers no mundo todo. Segundo a Fortune Business Insights, o mercado global de data centers deve saltar de US$ 269,79 bilhões em 2025 para US$ 300,64 bilhões em 2026, chegando a US$ 699,13 bilhões até 2034. A Moody's projeta que os hyperscalers americanos (Microsoft, Amazon, Alphabet, Oracle, Meta e CoreWeave) devem direcionar cerca de US$ 500 bilhões para data centers só em 2026, com a infraestrutura global do setor movimentando US$ 3 trilhões até 2030.

No Brasil, a Mordor Intelligence projeta que o mercado de data centers deve crescer de US$ 3,38 bilhões em 2026 para US$ 6,67 bilhões até 2031 — ritmo mais acelerado que a média global, já citando o Redata como fator capaz de "desbloquear capital significativo e encurtar prazos de construção".

"O Brasil já reunia condições muito favoráveis, mas carregava uma desvantagem relevante no custo de implantação dos projetos. Com o Redata, reduzimos essa assimetria justamente em um momento em que a inteligência artificial e a computação em nuvem estão acelerando a demanda por capacidade computacional em todo o mundo", diz Eduardo Sodero, CEO da Takoda Data Centers.

Gutierrez, da ABES, reforça o caráter urgente da medida. "Avançar com o Redata é urgente para que o Brasil não perca a atual janela global de investimentos em data centers [...] Mais do que um incentivo fiscal, trata-se de uma política estratégica para ampliar a capacidade de processamento de dados no país, atrair capital, fortalecer a infraestrutura necessária ao avanço da inteligência artificial e posicionar o Brasil de forma mais competitiva na economia digital global", diz.

O que muda com o Redata?

Com a sanção de Lula, a lei cria um regime especial de tributação voltado a quem opera data centers no Brasil, reduzindo o custo de importação de equipamentos usados na infraestrutura de tecnologia. Mudam:

  • Suspensão de PIS e Cofins na compra de equipamentos de data center;
  • Suspensão de IPI sobre esses mesmos equipamentos;
  • Suspensão do Imposto de Importação para quem traz esse tipo de hardware de fora do país;
  • Alíquota zero para empresas que assumirem compromissos de sustentabilidade;
  • Benefício estimado em até um terço do capex total de um projeto de data center, segundo a ABES.

Segundo Carvalho, da Equinix, o programa não financia a construção física dos data centers propriamente ditos. "Os itens que mais pesam em um projeto de expansão, como obras civis, sistemas de energia, geradores e refrigeração, não estão entre os principais beneficiados pelo regime", afirma.

Para ele, o impacto real está em outra ponta: "a lei impacta na redução do custo para importação de servidores, GPUs e outros equipamentos de TI [...] o incentivo acelera o investimento em capacidade computacional, e esse crescimento, por sua vez, gera demanda por mais espaço, energia e conectividade nos data centers."


O que é o Redata?

O Redata é um regime especial de tributação para empresas que operam data centers no Brasil. A lei reduz o custo de importação de servidores, GPUs e outros equipamentos usados na infraestrutura de tecnologia.

Quais impostos são suspensos pelo Redata?

O Redata suspende PIS, Cofins, IPI e Imposto de Importação na compra de equipamentos para data centers. A lei também prevê alíquota zero para empresas que assumirem compromissos de sustentabilidade.

O Redata reduz o ICMS sobre equipamentos de data centers?

Não. O ICMS ficou fora da nova lei e ainda depende de aprovação no Confaz. Segundo Andriei Gutierrez, presidente da ABES, o imposto estadual representa dois terços da tributação sobre equipamentos tecnológicos no Brasil.

Quanto o Redata pode atrair em investimentos?

A Brasscom estima US$ 92 bilhões em investimentos possíveis no país nos próximos cinco anos, apenas em infraestrutura física. Já a Mordor Intelligence projeta que o mercado brasileiro de data centers crescerá de US$ 3,38 bilhões em 2026 para US$ 6,67 bilhões em 2031.

Qual é o déficit que o Brasil tem hoje com serviços de computação?

Segundo dados do Banco Central citados pela Brasscom, o Brasil fechou 2025 com déficit de quase US$ 8 bilhões na balança comercial de serviços de computação e informação — valor que já havia chegado a US$ 4,8 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026.

Por que o setor considera urgente a implementação do Redata?

Andriei Gutierrez, presidente da ABES, afirma que a medida é urgente para o Brasil aproveitar a atual janela global de investimentos em data centers. Eduardo Carvalho, da Equinix, defende rapidez na regulamentação do regime e na discussão sobre a redução do ICMS no Confaz. A Brasscom também cobra a revogação de uma alta recente do Imposto de Importação sobre bens de capital e tecnologia, decidida pelo Gecex/Camex, que considera contraditória com os objetivos do Redata.

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