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Sudeste ficou para trás: EVEO, de data centers, cresce 272% nos clientes do Nordeste e vai a Recife

Maior empresa de servidores dedicados e private cloud do Brasil vai ocupar segundo data center Tier III no Nordeste, em Recife, puxada por IA com menor latência; até 2030, mira R$ 500 milhões em receita

EVEO: servidores de data center e infraestrutura interna em racks iluminados (Eveo/Divulgação)

EVEO: servidores de data center e infraestrutura interna em racks iluminados (Eveo/Divulgação)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 17 de setembro de 2026 às 12h50.

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RESUMO | A EVEO vai ocupar um segundo data center Tier III no Nordeste, em Recife, após sua base regional de clientes crescer 272% em dois anos, revelou a empresa à EXAME. A expansão atende à demanda por servidores, private cloud e GPUs dedicadas para IA com menor latência; até 2030, a companhia mira R$ 500 milhões em receita.


Imagine pedir a uma inteligência artificial para responder algo e sentir aquele segundo a mais de demora, sem saber por quê. Muitas vezes o motivo não está no computador nem no aplicativo — está na distância física entre você e o servidor que processa aquele pedido, do outro lado do país.

Para empresas de IA no Nordeste, essa distância deixou de ser um detalhe técnico e virou uma decisão de negócio. Foi essa demanda que fez a base de clientes da EVEO na região crescer 272% em apenas dois anos.

Em conversa com a EXAME, a maior empresa de servidores dedicados e private cloud do Brasil revelou que vai abrir um segundo data center no Nordeste, desta vez em Recife — movimento que, segundo a companhia, deve ajudá-la a chegar a R$ 500 milhões em receita anual até 2030.

O empurrão vem principalmente de um tipo específico de cliente: empresas de inteligência artificial que precisam de GPU dedicada — o processador especializado que "faz o trabalho pesado" de rodar modelos de IA. Elas querem essa infraestrutura perto de casa, para não depender de servidores em São Paulo ou no Rio, e reduzir o tempo de resposta das próprias aplicações.

Para entender por que isso importa tanto, basta olhar o mapa: o Nordeste é gigantesco. Recife fica a 800 quilômetros de Fortaleza — a mesma distância de São Paulo a Belo Horizonte e Curitiba somadas, ou cerca de dez horas de carro. Um único data center na região simplesmente não dá conta de atender bem todo esse território, principalmente quando o cliente é uma aplicação de IA sensível a milissegundos de atraso.

Com a chegada a Recife, a EVEO passa a cobrir os dois maiores polos digitais do Nordeste ao mesmo tempo.

"A localização da infraestrutura vai além de uma decisão técnica. É um fator estratégico para o negócio. Estar em Fortaleza e, a partir de agora, também em Recife nos permite oferecer menor latência, maior disponibilidade e uma experiência muito mais consistente para os clientes de todo o Nordeste", afirma José Henrique Bermejo, CRO da EVEO.

Fundada em 2014, a EVEO opera cinco data centers com classificação Tier III — o "selo de qualidade" que garante que um data center continua funcionando mesmo em situações adversas, como um apagão causado por temporal. As unidades ficam em Cotia e Osasco (SP), Curitiba (PR), Fortaleza (CE) e Miami (EUA).

O movimento da EVEO acompanha uma explosão do setor no Brasil como um todo. Segundo o relatório Data Center Brasil 2026, da consultoria JLL, o país ganhou 106 megawatts de nova capacidade só no primeiro semestre deste ano, com mais 134 megawatts previstos até dezembro — o suficiente, no total, para movimentar cerca de US$ 8 bilhões em investimentos apenas em 2026.

Um dado ajuda a entender o tamanho da demanda: a taxa de vacância — ou seja, a fatia de capacidade disponível e sem uso — está em apenas 4% no país, o que a própria JLL classifica como sinal de mercado aquecido. O setor já é seis vezes maior do que era em 2012, e a consultoria projeta que ele volte a dobrar de tamanho até 2030, somando 660 megawatts em construção e cerca de US$ 17,4 bilhões em investimentos.

Por que Fortaleza virou porta de entrada da internet no Brasil?

Dentro desse cenário nacional, Fortaleza ocupa papel central por conta de ser um ponto de convergência de cabos submarinos, ligando o continente com outros — e explica por que a EVEO escolheu o Ceará como sua primeira base regional, em 2024.

Segundo dados da BBC e da TeleGeography, cerca de 90% do tráfego internacional de internet que chega ao Brasil passa pela Praia do Futuro, na capital cearense, por meio de 16 cabos submersos que conectam o país à Europa, aos Estados Unidos, ao Caribe e à África, o que torna a cidade o principal hub de conectividade da América Latina.

A expansão também se beneficia de um novo cenário regulatório. O Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), sancionado neste mês, cria incentivos tributários específicos para infraestrutura instalada nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além dos já concedidos ao restante do país.

Somada à energia renovável abundante na região, o Nordeste registrou 2.233 MW médios de "curtailment", termo usado para energia limpa gerada, mas desperdiçada por limitações de transmissão, só entre janeiro e abril deste ano.

A combinação já é vista por especialistas como diferencial capaz de atrair investidores para fora do eixo Sudeste, que historicamente concentra a infraestrutura digital do país.


Por que a EVEO vai ocupar um data center em Recife?

A EVEO escolheu Recife para reduzir a latência e ampliar a disponibilidade de aplicações de missão crítica no Nordeste. A capital pernambucana fica a cerca de 800 quilômetros de Fortaleza, distância que dificulta atender toda a região a partir de um único ponto.

Quanto cresceu a base de clientes da EVEO no Nordeste?

A base regional de clientes da EVEO cresceu 272% em dois anos. Segundo a empresa, o avanço foi impulsionado pela demanda por servidores dedicados, private cloud e GPUs dedicadas para projetos de inteligência artificial.

Qual é a meta de receita da EVEO para 2030?

A EVEO pretende alcançar R$ 500 milhões em receita até 2030, conforme revelou a companhia em entrevista à EXAME.

Onde ficam os data centers operados pela EVEO?

A EVEO opera cinco data centers Tier III, localizados em Cotia e Osasco, em São Paulo; Curitiba, no Paraná; Fortaleza, no Ceará; e Miami, nos Estados Unidos. A empresa também passará a ocupar uma unidade em Recife.

Por que Fortaleza é importante para a infraestrutura de internet do Brasil?

Cerca de 90% do tráfego internacional de internet que chega ao Brasil passa pela Praia do Futuro, em Fortaleza, segundo dados da BBC e da TeleGeography. A capital cearense reúne 16 cabos submarinos e é considerada o principal hub de conectividade da América Latina.

Quanto o mercado brasileiro de data centers deve crescer?

O Brasil recebeu 106 MW de nova capacidade no primeiro semestre de 2026 e pode adicionar mais 134 MW até dezembro, segundo o relatório Data Center Brasil 2026, da JLL. A consultoria estima cerca de US$ 8 bilhões em investimentos no ano e projeta que o setor dobre de tamanho até 2030.

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