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Data center: Infraestrutura de data centers em São Paulo e Campinas concentram a maior parte da capacidade operacional do país (Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 26 de agosto de 2026 às 11h03.
A grande maioria dos data centers no Brasil está localizada em dois polos. São Paulo & Barueri e Campinas somam 585 megawatts (MW) de capacidade instalada — 269 MW e 316 MW, respectivamente —, mais da metade de toda a capacidade operacional do país, hoje em 706 MW, segundo a consultoria imobiliária JLL em pesquisa enviada à EXAME.
Mais do que o tamanho, o que diferencia essas duas regiões é a eficiência de ocupação, de acordo com a JLL.
Enquanto submercados emergentes, como Fortaleza e Porto Alegre, registram vacância de 25% e 40%, respectivamente, São Paulo & Barueri opera com apenas 6% de espaço disponível, e Campinas, com só 1% — praticamente lotado.
É essa combinação de escala com vacância baixíssima que a JLL aponta como o que torna os dois submercados os mais eficientemente utilizados do país.
O apetite por espaço nessas duas regiões segue firme. Das 106 MW de nova capacidade entregues no Brasil no primeiro semestre deste ano, 75 MW vieram de Campinas — incluindo uma instalação de 20 MW da Ascenty, em Vinhedo — e 31 MW, de São Paulo & Barueri. O volume de espaço já pré-comprometido antes mesmo de ficar pronto também é alto nos dois mercados: 108 MW em São Paulo & Barueri e 62 MW em Campinas, sinal de que a demanda das hyperscalers segue absorvendo a nova oferta assim que ela é anunciada.
Ainda assim, os dois maiores mercados do país não são os mais caros. Segundo a JLL, o aluguel de espaço no formato varejo (contratos abaixo de 250 kW) custa em média US$ 338 por quilowatt (kW) ao mês em São Paulo & Barueri e US$ 320 em Campinas — valores mais baixos do que os praticados em Fortaleza (US$ 385) e Porto Alegre (US$ 333), mercados menores, mas com custo mais elevado por causa da escala reduzida de operação e da oferta mais restrita.
É essa combinação entre escala, baixa vacância e preço competitivo que explica por que São Paulo & Barueri e Campinas seguem como a âncora da demanda por data centers no país, mesmo com o surgimento de novos polos, como Fortaleza, apoiados por projetos de grande porte ligados à infraestrutura de inteligência artificial (IA).
Enquanto essas novas regiões amadurecem, é o eixo paulista que sustenta a posição do Brasil como líder absoluto do mercado de data centers na América Latina, hoje responsável por cerca de metade de toda a capacidade instalada na região.