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Gestão Sustentável: Desigualdade pode custar 0,8% do PIB

Estudo mostra que discriminação e desigualdade reduzem produtividade, excluem trabalhadores e limitam a formação de capital humano

Desigualdade e discriminação drenam produtividade, restringem talentos e impõem custos invisíveis à economia e às empresas

Desigualdade e discriminação drenam produtividade, restringem talentos e impõem custos invisíveis à economia e às empresas

Danilo Maeda
Danilo Maeda

Diretor-geral da Beon - Colunista Bússola

Publicado em 26 de agosto de 2026 às 13h00.

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A desigualdade é a maior de nossas mazelas, um traço definidor de toda a nossa história e que carrega em si a raiz de inúmeros outros transtornos sociais, ambientais e econômicos.

Por muito tempo, no entanto, o debate sobre a exclusão no ambiente corporativo foi tratado quase exclusivamente sob um prisma ético.

Embora o imperativo moral de combater a discriminação seja inquestionável, um novo estudo vem jogar luz sobre uma face cruel e pragmática desse cenário: a desigualdade tem um preço altíssimo para a competitividade das empresas e drena silenciosamente a capacidade produtiva do país.

Desigualdade pode custar até 0,8% do PIB brasileiro

Um levantamento recente, conduzido pelos economistas Michael França e Daniel Duque em parceria com o Instituto Ethos e o Núcleo de Estudos Raciais do Insper (NERI), conseguiu traduzir em números o impacto macroeconômico das nossas falhas estruturais.

O estudo aponta que a discriminação e a desigualdade podem custar até 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Esse percentual representa bilhões de reais perdidos todos os anos devido à redução da produtividade, à exclusão de trabalhadores e às severas limitações impostas à formação de nosso capital humano.

Ao colocar uma lupa sobre a nossa realidade, a pesquisa prova que o abismo social cobra uma fatura que, mesmo não aparecendo como uma linha contábil explícita nos balanços financeiros, restringe o crescimento de toda a economia.

Exclusão reduz a força de trabalho e a produtividade

Para compreender a verdadeira dimensão desse impacto, precisamos olhar para as dinâmicas de exclusão que operam nas ruas e afetam diretamente a força de trabalho.

O estudo destaca a mortalidade de jovens, que atinge de forma desproporcional homens negros de baixa escolaridade.

A perda de uma vida nesse perfil representa não apenas uma tragédia humana inaceitável, mas também uma estimativa de 550 mil reais de produtividade futura por indivíduo que deixa de ser gerada para o país.

Em paralelo, a criminalidade e a falta de infraestrutura social criam barreiras gigantescas para a inserção produtiva das mulheres, podendo afastar até sete pontos percentuais dessa parcela da população do mercado de trabalho.

Com menos pessoas produzindo e consumindo, a renda das famílias despenca e o conjunto de talentos disponíveis para as organizações torna-se cada vez mais restrito.

O custo invisível da desconfiança para as empresas

Outro conceito brilhante e perturbador trazido pela pesquisa é o chamado "custo invisível da desconfiança".

Em sociedades fraturadas por disparidades profundas, a coesão social esgarça, e as relações econômicas passam a exigir margens adicionais de proteção.

Na prática, isso significa que empresas inseridas em ambientes de baixa confiança precisam gastar muito mais com mecanismos de controle, supervisão, aparatos de segurança e arranjos contratuais complexos.

Desigualdade limita o desenvolvimento sustentável

Como já alertei ao discutir a necessidade de reequilibrar nossa sociedade, o desenvolvimento sustentável exige mudanças profundas de comportamento em múltiplos níveis.

É irracional continuarmos destinando volumes formidáveis de recursos para nos defendermos uns dos outros, quando deveríamos canalizar esses investimentos para a redução de vulnerabilidades, a inovação em tecnologias limpas e um ambiente de negócios mais colaborativo.

Diversidade, equidade e inclusão como capacidade competitiva

Qualquer debate sobre o desenvolvimento de países como o Brasil será inócuo se não enfrentar a desigualdade como questão central.

A pauta de diversidade, equidade e inclusão não pode ser encarada pelas companhias apenas como uma agenda de reputação corporativa.

Promover ambientes inclusivos e combater ativamente a discriminação não é uma concessão filantrópica do setor privado, mas sim a construção direta de capacidade competitiva e resiliência.

Enquanto continuarmos ignorando as raízes profundas que estruturam a exclusão no Brasil, estaremos abdicando do nosso próprio futuro.

Acompanhe tudo sobre:Desigualdade social

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