O multifranqueado tende a ganhar ainda mais relevância como agente de expansão do franchising brasileiro (Sutthiphong Chandaeng/Shutterstock)
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Publicado em 27 de abril de 2026 às 07h00.
O multifranqueado, empreendedor dono de duas ou mais unidades de uma mesma rede está se tornando um dos perfis mais populares no franchising – e os motivos são muitos.
O cenário, favorável, aponta para um setor com faturamento de R$ 301,7 bilhões em 2025, crescimento de 10,5% em relação ao ano anterior, superando a marca histórica dos R$ 300 bilhões.
Atualmente, o Brasil conta com mais de 202 mil unidades franqueadas e cerca de 3,3 mil redes, responsáveis por gerar aproximadamente 1,76 milhão de empregos diretos no país.
Convidamos, Maurício Galhardo, sócio da F360, plataforma de gestão financeira para grandes varejistas e franquias, para elencar as 3 principais estratégias de crescimento e otimização na gestão no franchising brasileiro.
Para os empreendedores multifranqueados, estes são três pilares orientadores da estratégia.
Com múltiplas unidades sob gestão, o desafio deixa de ser apenas operacional e passa a envolver estratégia e controle. Processos financeiros, fluxo de caixa, acompanhamento de indicadores e padronização de operações tornam-se ainda mais críticos para manter a rentabilidade do negócio.
“A expansão por meio de múltiplas unidades exige uma mudança de mentalidade do empreendedor. Quando o franqueado passa a operar duas ou mais unidades, ele deixa de ser apenas um gestor de loja e precisa atuar como gestor de negócio, com controle financeiro e indicadores claros para cada operação”, afirma.
Segundo ele, muitos multifranqueados enfrentam dificuldades justamente na organização das informações financeiras e operacionais. Sem sistemas integrados e dados consolidados, fica mais difícil acompanhar desempenho, identificar gargalos e tomar decisões estratégicas.
Nesse contexto, ferramentas de gestão financeira e análise de dados ganham protagonismo. Elas permitem que franqueados acompanhem indicadores-chave como margem por unidade, custos operacionais, desempenho por praça e evolução de receitas.
Para Galhardo, a digitalização da gestão é um passo fundamental para quem pretende crescer dentro do franchising. “Escalar uma operação de franquias exige visibilidade sobre números e processos. Sem tecnologia para centralizar informações e padronizar rotinas, o crescimento pode gerar mais complexidade do que resultado”, explica.
Além da gestão financeira, outro ponto relevante é a padronização das operações. Multifranqueados bem-sucedidos tendem a replicar processos que já funcionam em uma unidade, criando rotinas claras de treinamento, atendimento e gestão de equipes.
A expansão do perfil multifranqueado acompanha o amadurecimento do próprio mercado de franquias no Brasil. Redes cada vez mais estruturadas buscam parceiros capazes de operar múltiplas unidades, o que acelera a expansão territorial e fortalece a presença da marca.
A tendência deve continuar nos próximos anos. A ABF (Associação Brasileira de Franchising) projeta que o setor mantenha crescimento entre 8% e 10% em 2026, impulsionado pela abertura de novas unidades e pela ampliação das redes já consolidadas.
Nesse cenário, o multifranqueado tende a ganhar ainda mais relevância como agente de expansão do franchising brasileiro.
“Para os empreendedores, o movimento representa uma oportunidade de escala e diversificação de receitas, desde que acompanhado de gestão profissional, planejamento financeiro e uso estratégico de tecnologia”, conclui Galhardo.