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Ele trocou a IBM por uma escola de rock e vai faturar R$ 120 milhões

Rede de educação musical acelera no Brasil, cresce 60% e aposta em experiências e saúde mental para sustentar a expansão

Paulo Portela, CEO da School of Rock Brasil: “A educação musical é o veículo, mas a jornada é cheia de experiências de vida” (Divulgação)

Paulo Portela, CEO da School of Rock Brasil: “A educação musical é o veículo, mas a jornada é cheia de experiências de vida” (Divulgação)

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 29 de abril de 2026 às 10h27.

Em um mundo cada vez mais digital, negócios baseados em experiências físicas ganham força — especialmente entre crianças e adolescentes.

A School of Rock, rede de educação musical criada nos Estados Unidos, vem ganhando espaço no Brasil com uma metodologia que favorece a experiência. 

A operação é liderada pelo empresário Paulo Portela, que trouxe a marca ao país em 2013. Hoje, a rede soma 84 escolas em 42 cidades, além de unidades em Portugal e Espanha.

Para 2026, a rede projeta um faturamento de R$ 120 milhões, impulsionada por uma alta de 60% na receita no primeiro trimestre. 

A aposta está nas experiências, como shows em grandes festivais, e na agenda de saúde mental para sustentar a expansão. O plano é chegar a 150 escolas até 2030.

Como a School of Rock começou no Brasil

A história começa em 2010, quando Portela e a esposa decidiram sair do mundo corporativo. Ambos eram executivos da IBM e passaram a investir em negócios próprios, principalmente franquias de alimentação e uma incorporadora.

A virada veio em uma viagem a Nova York.

Em um bar próximo à Times Square, o casal assistiu a uma apresentação de alunos da School of Rock — jovens entre 14 e 16 anos tocando ao vivo.

Foram atrás dos executivos da empresa e no dia viram um grupo de crianças de 8 anos se apresentando durante uma visita a uma unidade da rede. “Aquilo foi uma coisa que me marcou”, diz. 

A identificação também era pessoal.

Portela relata ter sido uma criança tímida, com dificuldade para falar em público — algo que impactou sua trajetória até a vida executiva. A proposta da escola, com estímulo à performance e comunicação, parecia ser um bom exemplo para dar às crianças no Brasil. 

O contrato foi fechado em 2013, com a primeira unidade inaugurada na cidade de São Paulo.

Como é a estratégia de expansão pelo modelo de franquias

Nos primeiros anos, a operação seguiu com unidades próprias antes de franquear. A expansão com franqueados começou em 2017. No ano seguinte, a rede já estava com 30 novas unidades – que se concentravam em especial na capital e interior de São Paulo.

Hoje, o investimento para abrir uma unidade começa em R$ 600 mil.

Com o tempo, a School of Rock se expandiu por outros estados do Brasil – e o empresário recebeu o convite da rede para fazer a expansão para Portugal e Espanha, o que começou em 2019. 

“Nós somos brasileiros, então conhecemos o comportamento do consumidor brasileiro, mas tinha muito medo de como seria a aceitação lá fora”, afirma.

Apesar do medo, chegaram no mercado europeu sem muitas adaptações – com mudanças de idioma e de comunicação – mas com a mesma metodologia. 

“A primeira escola que abrimos foi na Espanha e foi a unidade que chegou mais rápido à marca de 200 alunos”, diz. 

A gestão das franquias do Brasil, Portugal e Espanha é integrada e ganha uma nova estratégia neste ano.

A rede passou a centralizar no Brasil áreas como planejamento financeiro, marketing e parte do processo de venda de franquias, enquanto os times locais ficaram focados no suporte aos franqueados e no desenvolvimento do mercado. 

O objetivo é ganhar eficiência e padronizar a operação, além de acelerar a troca de práticas entre os países. 

Como é o modelo de negócio

A School of Rock não se posiciona apenas como escola de música. O modelo é baseado em performance e experiências ao vivo — o chamado modelo experiencial.

Os alunos participam de shows, turnês e gravações em estúdios. Um dos principais ativos é a presença em eventos de música. Neste ano, por exemplo, a rede pretende levar mais de 500 alunos para o Rock in Rio Lisboa.

“A educação musical é o veículo, mas a jornada é cheia de experiências de vida”, afirma Portela.

Para ele, é essa proposta que vem impactando no crescimento do negócio.

Na prática, a empresa captura uma mudança clara no comportamento das famílias: a busca por atividades que tirem crianças e adolescentes das telas, ampliem a socialização e contribuam para saúde mental. 

Soma-se a isso o fortalecimento da marca, que reduz a resistência na hora da matrícula, e o efeito das próprias experiências, que aumentam o engajamento e a retenção dos alunos. 

“Saúde mental é um tema que eu acompanho de perto. A gente vive hoje um aumento da ansiedade e uma busca muito forte por pertencimento, muito influenciada pelas redes sociais. Nesse contexto, o nosso modelo acaba se encaixando bem”, diz.

“No caso dos alunos adultos, a lógica é parecida: 90% são executivos e empresários que usam a música como forma de aliviar o estresse”, afirma. 

Novo projeto mira inclusão

A School of Rock iniciou um novo projeto no Brasil ao integrar o Alma de Batera, iniciativa voltada ao ensino de bateria para pessoas com deficiência, à sua operação. 

O piloto começou na unidade do Brooklin, em São Paulo, onde os alunos do projeto passaram a frequentar a estrutura da escola e compartilhar atividades com outros estudantes. 

Criado há mais de 18 anos, o Alma de Batera já atendeu cerca de 400 alunos e se tornou referência no ensino adaptado de música, com foco em autonomia e expressão. Com a parceria, a metodologia do projeto também começa a ser transferida para a rede da School of Rock, com treinamento de professores e adaptação das aulas. 

Quais são as estratégias para crescer

Para crescer, a rede aposta em facilitar a entrada de novos franqueados por meio de financiamentos. Ao mesmo tempo, busca aumentar a participação de multifranqueados: hoje, 37 das 84 escolas já pertencem a operadores com mais de uma unidade, com casos de grupos que chegam a 10 escolas.

A estratégia também passa por expansão geográfica, com foco em cidades das quais a marca ainda não está presente, como capitais do Nordeste e cidades médias como Maringá, Uberlândia e Uberaba. 

“A receita no primeiro trimestre cresceu 60%, bem acima do que a gente esperava. Isso veio acompanhado de quase 4 mil matrículas em quatro meses, muito puxado pelas experiências que a gente concentrou nesse período”, diz Portela. 

Só nos primeiros meses do ano, a rede registrou um aumento de 20% nas matrículas em comparação com o mesmo período de 2025 A longo prazo, o objetivo é chegar a 150 escolas até 2030.

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