Cibersegurança como serviço ajuda fintechs a crescerem com segurança digital (Oliver Nicolaas Ponder / EyeEm/Getty Images)
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Publicado em 21 de maio de 2026 às 15h00.
Por Vinicius Chagas*
Existe uma crença em muitas conversas sobre startups financeiras de que cibersegurança é um problema de grandes empresas.
Junto a essa ideia, circula a premissa de que em certo estágio, o risco é gerenciável porque ninguém vai atacar quem ainda está no chamado “early stage”. Esses pensamentos são caros e estou usando o termo no sentido literal.
O volume de ciberataques ao setor financeiro mais que dobrou em um único ano no Brasil.
Saltamos de 864 ocorrências em 2024 para 1.858 em 2025, o que representa um crescimento de 115% segundo relatório da Check Point Software.
O estudo coloca o Brasil entre os principais focos de ataques de ransomware e golpes financeiros na América Latina, com pressão crescente sobre bancos, fintechs e provedores de pagamentos.
Mas há algo que esses dados não mostram diretamente. Boa parte desses ataques não teve como alvo os grandes bancos - que têm setores dedicados à cibersegurança, times de resposta a incidentes e orçamentos na casa das dezenas de milhões.
Os ataques ocorrem justamente nas empresas que sequer pensavam que poderiam estar no radar.
O problema é que “não estar preparado” deixou de ser uma questão de negligência e passou a ser uma questão de modelo. E é exatamente aqui que o TaaS de cibersegurança acaba ganhando seu espaço.
Não se trata de uma ferramenta, mas de uma equipe especializada que opera como extensão do time da empresa, realizando atividades como pentest contínuo, monitoramento de ameaças, resposta a incidentes, gestão de vulnerabilidades e apoio à conformidade regulatória.
Nesse cenário, o provedor assume as operações de segurança do dia a dia usando uma combinação de ferramentas, automação e um SOC (Security Operations Center) que monitora o ambiente continuamente e age sobre ameaças,
permitindo às empresas ganharem capacidade de monitoramento e resposta sem arcar com o custo e a complexidade de construir tudo isso internamente.
Olhando pela perspetiva de uma fintech, esse serviço resolve um problema que nem sempre é por falta de motivação.
Montar uma área de segurança competente exige encontrar profissionais escassos no mercado, remunerar bem em um setor que disputa esses talentos com bancos globais e empresas de tecnologia, além de sustentar essa estrutura durante as fases em que o headcount precisa ir para o produto.
O TaaS transforma esse custo fixo elevado em um serviço escalável que acompanha o estágio da empresa. Em 2024, de acordo com a revista Fintech Weekly, o custo médio de uma violação de dados no setor financeiro chegou a US$ 6,08 milhões por incidente.
E quando uma fintech sofre um ataque, o dano que mais demora para ser reparado não é o técnico, é o reputacional.
Em um mercado em que a confiança do cliente é o único ativo que não aparece no balanço, um vazamento de dados ou uma fraude não investigada corretamente pode encerrar o ciclo de vida de uma empresa antes que ela chegue ao próximo round.
Dados da IBM apontam que uma violação de dados custa, em média, R$ 7,19 milhões para uma organização no Brasil, num cenário em que empresas ainda lidam com infraestruturas frágeis e baixo nível de maturidade em segurança.
Para uma startup em crescimento, esse número não precisa se materializar integralmente para ser fatal. A interrupção operacional, o custo jurídico e a perda de clientes ao longo de um trimestre já são suficientes para comprometer a tese de negócio.
Ainda assim, há uma mudança de perspectiva que precisa acontecer. Trata-se sobre como founders e líderes de produto enxergam a cibersegurança. Durante muito tempo, o argumento foi de proteção e o mote “invista em segurança para não perder”.
Agora, o que está ganhando relevância é a relação de crescimento. O investimento em segurança é recomendável para conseguir os clientes, parceiros e reguladores que sua empresa precisa para escalar.
Uma fintech que consegue apresentar evidência de pentest contínuo, histórico de resposta a incidentes e conformidade com as resoluções do Banco Central e com a LGPD não está apenas protegida,
está habilitada para fechar contratos com instituições financeiras maiores que exigem esse nível de governança como pré-requisito de integração.
O TaaS resolve esse problema na raiz, criando um cenário de segurança sem o peso de uma estrutura interna que a empresa ainda não tem runway para sustentar.
O mercado financeiro digital brasileiro está amadurecendo rápido e à medida que a regulação avança, a competição por clientes institucionais aumenta e a tolerância a incidentes de segurança diminui em proporção direta ao crescimento do ecossistema.
As empresas que construírem uma postura de segurança sólida agora não estão apenas se protegendo de ataques. Elas passarão a contar com uma vantagem competitiva, difícil de replicar às pressas quando uma emergência exigir.
*Vinicius Chagas é fundador e CEO da HOUS3.