Executivas brasileiras assumem o comando em setores de tecnologia, infraestrutura e saúde (Ryan McVay/Getty Images)
Plataforma de conteúdo
Publicado em 6 de março de 2026 às 15h00.
Última atualização em 9 de março de 2026 às 11h35.
No cenário corporativo de 2026, a presença de mulheres na liderança e a promoção da diversidade consolidaram-se como pilares fundamentais de competitividade e inovação estratégica.
De setores técnicos, como infraestrutura e biotecnologia, à alta gestão no varejo, a liderança feminina está redefinindo mercados e impulsionando resultados sólidos em áreas historicamente masculinas.
Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, confira como executivas brasileiras transformam a governança de grandes companhias e ampliam a representatividade feminina em cargos de alta complexidade
Enquanto a média nacional de mulheres na construção civil e infraestrutura é de apenas 11,1% (fonte: MTE, 2025), a Motiva, maior empresa de infraestrutura de mobilidade do país, atingiu 36,4% de mulheres na liderança.
Na alta gestão, o salto foi de 23% para 45% em apenas um ano (2023-2024). Os exemplos estão presentes nas diferentes plataformas de atuação da Companhia (rodovias, trilhos e aeroportos).
É o caso de Carla Fornasaro, primeira mulher a presidir a concessionária RioSP; Neucelia Cevalhos Messias, gerente do Centro de Operações rodoviário da Companhia; e Isabelle Souza Pereira, primeira mulher supervisora do Centro de Controle Operacional das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda de trens de São Paulo.
Em um mercado onde as mulheres influenciam cerca de 40% das decisões de compra de veículos no Brasil, mas ainda representam menos de 25% da força de trabalho da indústria automotiva, a BYD avança em direção oposta.
Na fábrica da companhia em Camaçari (BA), elas somam quase 50% do quadro total e ocupam funções técnicas, de engenharia e posições estratégicas de gestão em uma planta dedicada à nova geração de veículos elétricos.
Esse protagonismo vai da liderança feminina ao chão de fábrica. Executivas como Stella Li, responsável pela expansão da marca nas Américas e Europa, e PeiPei Cao, que conduz a estruturação financeira e regulatória no Brasil, participam diretamente das decisões de investimento e crescimento industrial.
Ao mesmo tempo, engenheiras, técnicas e operadoras atuam na manufatura e na adoção de tecnologias de automação. Na ponta, motoristas que utilizam caminhões elétricos relatam mais conforto, menos ruído e menor esforço físico, evidenciando como a eletrificação pode tornar o transporte pesado mais seguro e acessível.
Ao combinar inovação, eficiência energética e diversidade, a BYD reforça uma tendência da nova indústria: equipes mais plurais impulsionam competitividade, desempenho e sustentabilidade.
As mulheres ocupam 39% dos cargos gerenciais no setor, mas exemplos de gestão de alta complexidade mostram que há mudança no cenário. Alline Cezarani é CEO da Rede Santa Catarina.
Após uma trajetória interna de destaque, iniciada com trainee em 2003, hoje ela lidera 20 unidades de saúde, educação e assistência social em sete estados brasileiros. Sua gestão combina expansão, impacto social e humanização, com uma agenda clara de diversidade e equidade.
No campo oncológico, a cirurgiã Fabiana Makdissi, reconhecida como uma das poucas líderes no mundo à frente de uma equipe majoritariamente feminina, lidera desde 2016 o Centro de Referência da Mama do A.C.Camargo Cancer Center.
Já Mariana Brait destaca-se internacionalmente como professora na Johns Hopkins University e gerente de Pesquisa no A.C.Camargo. À frente do laboratório de oncologia molecular, ela desenvolve estudos para identificar sinais precoces do câncer e criar formas de detecção menos invasivas.
Cristhiane Coutinho iniciou há mais de 15 anos como consultora de vendas na Mafra, empresa Viveo voltada à distribuição de insumos de saúde. Como diretora executiva, agora lidera uma operação nacional integrada que inclui 15 centros de distribuição e uma base de mais de 20 mil clientes.
Embora dados ainda mostrem disparidades no topo da pirâmide, uma nova safra de executivas prova que a competência independe de gênero ou histórico social.
Seja gerindo universidades internacionais ou processos industriais de precisão, estas líderes personificam a transição para uma economia onde a gestão do capital intelectual e a coragem operacional definem o sucesso.
Giulianna Carbonari Meneghello é uma mulher latina na condução de uma universidade nos EUA, a MUST University, onde 70% do corpo discente é composto por mulheres buscando especialização internacional.
Sua visão disruptiva foca na remoção de barreiras geográficas e linguísticas, utilizando a tecnologia como ferramenta de inclusão. Para a executiva, a educação internacional não deve ser um privilégio de poucos, mas uma oportunidade tangível.
Esse compromisso com a excelência e a diversidade reafirma seu papel como uma das vozes mais influentes na educação digital contemporânea, moldando o futuro do mercado de trabalho para a força laboral latina.
No varejo, onde mulheres são 70% da base, mas apenas 35% da alta liderança, algumas companhias se destacam por indicadores robustos.
A Espaçolaser, sob o comando de Magali Leite, é líder absoluta em seu segmento e única empresa de estética listada na bolsa brasileira. A operação de 4,6 mil colaboradores é composta por 95% de mulheres.
Nas Lojas Renner S.A., as mulheres representam 64,9% do quadro de colaboradores, 61,9% das posições de liderança e 47,9% da alta liderança. A companhia tem meta pública de alcançar 55% de mulheres na alta liderança até 2030.
O Grupo Pereira conta com Ines Menendez, vice-presidente de Finanças. Com 35 anos de carreira, acompanhou o crescimento do grupo de 3 para 182 unidades.
Em um ambiente de negócios marcado por mudanças aceleradas, temas como inovação e impacto social passaram a guiar todas as decisões.
Nesse cenário, lideranças femininas vêm assumindo papéis decisivos, atuando em frentes complementares que conectam negócios, cultura e pessoas. Marília Zanoli, CMO da Kimberly-Clark, lidera a renovação completa dos portfólios de suas categorias.
Sua atuação reflete uma mudança estrutural no papel do marketing dentro das organizações: de área de comunicação para vetor estratégico de crescimento, reputação e geração de valor.
Historicamente vinculada ao trabalho artesanal masculino, a marcenaria brasileira atravessa uma fase de profissionalização e expansão liderada por mulheres.
Esse movimento reflete uma mudança de paradigma no setor: a migração da marcenaria como "ofício de oficina" para uma "indústria de soluções". Silvia Luratto personifica essa transição na Marcenaria Luratto, saindo do operacional para a alta gestão.
Em 2024, participou de uma comitiva de 50 mulheres marceneiras em uma visita técnica à fábrica da Duratex, reforçando que a ocupação de espaços industriais por mulheres é um caminho sem volta.
No Brasil, a representatividade feminina em cargos de liderança em Ciência e Tecnologia é alarmante, situando-se entre 0% e 2%, segundo relatório da Unesco.
Rompendo com esses indicadores, a Flyttr Brasil, plataforma de biotecnologia que atua na supressão do mosquito vetor da dengue, apresenta uma equação inversa: 64% de seu corpo diretivo é composto por mulheres.
A liderança é sustentada por executivas como Natalia Ferreira, diretora executiva da Flyttr Brasil e diretora Global de Assuntos Regulatórios. Doutora em Genética e Biologia Molecular, lidera operações complexas, da regulação ao compliance.
Também doutora, Luciana Medeiros atua como interface estratégica entre a ciência e o mercado, enquanto Adriana Capella, diretora de P&D e Produção, comanda o escalonamento de processos e novos produtos.
O ecossistema digital brasileiro ainda opera sob um funil que, sistematicamente, afasta mulheres das camadas técnicas e das cadeiras de decisão.
As mulheres na tecnologia ocupam 34,2% da força de trabalho no setor, mas o verdadeiro gargalo está na baixa representatividade em cargos de diretoria e gerência.
Nesse cenário, Laura Rocha Barros, vice-presidente de Produto e Marketing da EXA, é um exemplo de uma quebra de regra. Ela pivotou sua carreira ao migrar do jurídico para a operação de áreas como RH e Marketing.
Na EXA, Laura lidera a entrega de soluções de segurança defendendo que a liderança feminina é um pilar que garante uma inovação de fato sólida e sustentável.
As mulheres representam 57% da força de trabalho do setor (ENS, 2023), mas a presença feminina ainda diminui nos níveis mais altos da hierarquia corporativa.
Nos últimos anos, porém, iniciativas voltadas à diversidade e profissionalização da gestão têm ampliado o espaço para lideranças femininas em posições decisórias.
Joyce Barbosa, diretora comercial da MetLife, construiu carreira na área comercial, tradicionalmente masculina. Mulher negra e de origem humilde, hoje ocupa um cargo de alta gestão em uma multinacional do setor.
A presença feminina na liderança da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) subiu de 26% para 38%; no quadro total, já são 50,3%.
Com mentorias e vagas afirmativas, a CCEE fortalece a equidade de gênero. Para Gerusa Côrtes, vice-presidente, a diversidade é agenda estratégica e motor de modernização do setor.