Bússola

Um conteúdo Bússola

Favela Potência: o fim do mito da carência e o ecossistema que movimenta R$ 200 bi

No RepCast, Celso Athayde, fundador da CUFA e CEO da Favela Holding, compartilha como mudança de mentalidade, geração de riqueza e empreendedorismo ajudaram a transformar a favela em uma potência de consumo e negócios. 

Celso Athayde no RepCast, videocast da FSB Holding (Repcast / YouTube/Reprodução)

Celso Athayde no RepCast, videocast da FSB Holding (Repcast / YouTube/Reprodução)

Bússola
Bússola

Plataforma de conteúdo

Publicado em 30 de maio de 2026 às 07h00.

Por décadas, as favelas brasileiras foram observadas principalmente pelo viés da vulnerabilidade social. Para Celso Athayde, fundador da CUFA e CEO da Favela Holding, essa leitura limitada ignorou um fator central: comunidades periféricas também são territórios de produção, consumo, empreendedorismo e geração de riqueza.

“Quem está aqui trabalhando como segurança, garçom, tem baixa renda. Não são pessoas carentes”, afirma Athayde durante participação no RepCast, videocast da FSB Holding.

yt thumbnail

A tese se tornou um dos pilares do conceito de “Favela Potência”, visão defendida pelo empresário para reposicionar a percepção sobre os territórios periféricos e destacar sua relevância econômica. Hoje, segundo ele, as favelas brasileiras movimentam cerca de R$ 200 bilhões por ano em consumo.

A mudança de percepção também alterou a forma como grandes empresas passaram a olhar para esse mercado. Marcas globais passaram a disputar espaço em territórios antes enxergados apenas pela ótica da assistência social. 

“O jovem da favela faz a barba. Compra tênis. Consome tecnologia. Constitui família. Tem aspirações”, resume Celso. 

A quebra do mito: da carência à potência econômica

Para Athayde, a transformação começou quando foi preciso romper uma visão limitada sobre esses territórios: a de que baixa renda significa, necessariamente, carência. 

Ao separar vulnerabilidade social de capacidade produtiva, a favela deixa de ocupar apenas o lugar de beneficiária e passa a ser entendida como agente econômico.

Foi dessa visão que nasceu o conceito de “Favela Potência”, defendendo que territórios periféricos geram negócios, movimentam cadeias econômicas, influenciam mercados e produzem riqueza. 

Hoje, empresas de diferentes setores passaram a direcionar atenção para esse público ao reconhecer seu potencial econômico e capacidade de consumo.

Geração de riqueza como estratégia de transformação

De acordo com o CEO, a transformação social sustentável não se apoia exclusivamente em assistência ou filantropia. Ela depende de mecanismos capazes de gerar autonomia econômica. 

Foi dessa lógica que surgiu a Favela Holding: estruturar negócios que fortaleçam empreendedores locais, criem oportunidades e sustentem financeiramente o próprio ecossistema.

Um dos exemplos citados pelo executivo é a Vai Voando, rede de franquias voltada ao mercado de turismo, construída para ampliar o acesso ao empreendedorismo local. O modelo reduz barreiras de entrada e permite que moradores empreendam sem necessidade de investimentos iniciais elevados. 

Segundo ele, mudar a matriz econômica dos territórios é condição necessária para ampliar desenvolvimento e reduzir dependências históricas. 

A estratégia também aparece em outras iniciativas do grupo. Na Favela Log, empresa do ecossistema, 93% dos colaboradores passaram pelo sistema prisional. A proposta busca criar oportunidades de reinserção produtiva e ampliar perspectivas de reconstrução social por meio do trabalho.

Consumo, autonomia e mobilidade social

Na visão do empresário, desenvolvimento econômico e liberdade caminham juntos. Para ele, autonomia financeira representa um elemento central da transformação social. “A verdadeira liberdade é poder escolher”, afirma.

A reflexão aparece diretamente conectada à capacidade de produzir renda, consumir e construir independência financeira. “Não é sobre esperar o que alguém vai oferecer. É sobre poder produzir, trabalhar e construir caminhos próprios”. Mais do que renda, trata-se de ampliar autonomia e possibilidades de escolha.

Confiança e reputação como ativos estratégicos

Por trás da expansão do ecossistema liderado por Athayde existe um elemento que ele considera inegociável: confiança. Em ambientes complexos, reputação e consistência operacional se tornam ativos estratégicos para sustentar crescimento no longo prazo.

As regras internas são objetivas: não delinquir, não mentir e não se envolver formalmente com política partidária. Para Athayde, reputação não se sustenta apenas no discurso. Ela se constrói diariamente na capacidade de cumprir o que se promete.“A verdade acima de tudo”, resume.

A lógica, segundo ele, vale tanto para organizações sociais quanto para grandes empresas. Em um ambiente cada vez mais orientado por reputação, confiança deixou de ser apenas atributo institucional. Tornou-se variável estratégica de negócio.

 

Acompanhe tudo sobre:Reputação de empresasReputação profissionalRepCast

Mais de Bússola

O que a série 'The Pitt' ensina sobre gestão de pessoas e liderança

Gestão Sustentável: como riscos socioambientais impactam negócios

Dia do Meio Ambiente: 8 iniciativas do setor de energia

MindFlow: a IA consegue entender quem somos?