Delivery de culinária japonesa ganha escala no Brasil com apoio de novas tecnologias (Nadia Stepaniuk/Shutterstock)
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Publicado em 30 de maio de 2026 às 13h00.
Por Ricardo Leme*
Por muito tempo, pedir sushi era algo reservado para ocasiões especiais. Era o jantar de comemoração, o encontro de fim de semana ou aquela experiência em restaurantes sofisticados.
Mas essa percepção mudou, e os números ajudam a explicar isso. Em 2025, a culinária japonesa ultrapassou a marca de 43 milhões de pedidos no iFood, movimentando cerca de R$ 2 bilhões em delivery.
Foram mais de 122 mil pedidos diários de sushi, sashimi e temakis. O dado mostra que o sushi entrou na rotina do brasileiro.
Parte dessa mudança está ligada ao crescimento da cultura asiática no país. O interesse por animes, séries, filmes e música da cultura pop oriental cresceu nos últimos anos e ajudou a aproximar o consumidor de experiências que antes pareciam distantes.
O sushi aproveitou esse ritmo e passou a fazer parte da mesa de diferentes gerações.
Existe também outro ponto essencial nesse aumento de consumo. Agora, o mercado aprendeu a escalar essa operação.
Muita gente olha para a expansão da comida japonesa e pensa apenas em demanda. Mas existe uma evolução operacional muito grande por trás disso.
Diferentemente de outros segmentos do delivery, trabalhar com sushi exige um nível alto de controle, pois estamos falando de ingredientes extremamente sensíveis.
E esse crescimento só se tornou possível graças ao desenvolvimento de tecnologia aplicada à operação.
Quando uma cozinha trabalha com alto volume de pedidos e ingredientes perecíveis, processos manuais deixam de ser suficientes.
Hoje, sistemas ajudam a controlar estoque, rastrear insumos, acompanhar temperaturas, prever demanda, organizar produção e reduzir falhas operacionais em tempo real.
O objetivo, além da velocidade, é manter um padrão elevado de qualidade enquanto a escala aumenta. Sem esse suporte tecnológico, cresce o risco de desperdícios, atrasos ou inconsistências.
Peixe cru precisa de rastreabilidade, controle de temperatura, armazenamento correto e processos rígidos desde a chegada do produto até a entrega ao consumidor.
Não existe espaço para improviso. Uma falha pequena na cadeia logística pode comprometer a qualidade do alimento e a experiência inteira.
Por isso, certificações e protocolos sanitários ganham ainda mais importância.
Implantação de Boas Práticas de Manipulação (BPM), Manual de Boas Práticas e Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs) documentados ajudam a reforçar a credibilidade de uma rede.
O consumidor se acostumou a pedir sushi em casa, mas também ficou mais atento à procedência do produto.
A pergunta para o mercado hoje já não é mais se o sushi é luxo, mas como tornar uma experiência que exige tanta técnica mais acessível sem perder qualidade?
No fim, o que mudou foi o acesso. Graças à evolução tecnológica e logística, o sushi passou a ocupar um espaço que poucos imaginavam há alguns anos atrás: o da rotina.
* Ricardo Leme é cofundador do Sushi Garden, restaurante japonês criado em 2019 com operação 100% voltada ao delivery. Formado em Administração de Empresas pela Faculdade Getúlio Vargas, também atua como investidor e lidera a estratégia do negócio com foco em eficiência operacional, uso de tecnologia e alto nível de personalização dos combinados.