Flávio e Michelle: atritos devido à campanha presidencial bolsonarista preocupa o pré-candidato, que diz buscar união da direita contra o PT (Divulgação/Instagram)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 31 de julho de 2026 às 19h14.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 31, que ainda não se reuniu pessoalmente com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) desde o início da crise entre os dois. Desde junho, o campo político bolsonarista tem passado por turbulências devido a um vídeo publicado pela ex-primeira-dama e líder do PL Mulher, onde ela afirmou ter sido excluída da campanha presidencial.
"Não me encontrei com Flávio. Domingo, com certeza, né? Se ele estiver. Eu quase não tenho saído de casa", afirmou Michelle em entrevista coletiva realizada após reunião com o diretor nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Michelle também afirmou que ainda não decidiu se disputará uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal e disse que a definição será tomada em conjunto com o ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem tem cuidado desde que ele voltou a enfrentar problemas de saúde.
"Tudo que eu gosto, gosto de fazer bem feito, por isso vou definir com ele. Estou cuidando dele e a prioridade é ele. Mas há uma expectativa do nosso grupo de mulheres", afirmou.
A decisão poderá ser anunciada até domingo, durante a convenção do PL no Distrito Federal. Mais cedo, Valdemar Costa Neto disse ao Globo que a ex-primeira-dama pretende conversar com Bolsonaro antes de confirmar seu futuro eleitoral.
Apesar da cautela pública, a expectativa na cúpula do partido é de que Michelle aceite disputar uma das duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal. Nos bastidores, dirigentes trabalham inclusive na composição da chapa, que poderá ter como suplente Diego Torres Dourado, irmão da ex-primeira-dama.
Questionada sobre a relação com Flávio após o pedido público de desculpas feito pelo senador na semana passada, Michelle confirmou que os dois ainda não tiveram um reencontro presencial. A expectativa é que isso ocorra na convenção do partido, caso Flávio participe do evento.
A ex-primeira-dama afirmou que tem saído pouco de casa para acompanhar Jair Bolsonaro e que procura manter um ambiente tranquilo para evitar desgastes ao ex-presidente.
"Até porque eu tenho que manter um lar tranquilo para ele. O soluço é um resultado também dessa tensão. Então eu tento proporcionar um lar mais tranquilo para a gente não ter que conversar sobre situações. Mas ele está bem, graças a Deus. O soluço deu uma trégua agora. E a gente está vencendo um dia de cada vez", disse.
Mesmo com a rotina reduzida, Michelle afirmou que continua participando da campanha de candidatos aliados.
"Vim aqui fazer algumas gravações. Estou ajudando alguns candidatos. Pelo carinho, pelo amor. Pelo compromisso de saber que nós temos homens e mulheres de bem que estão trabalhando pela nação. Então hoje eu tirei esse tempinho para poder mandar alguns vídeos das convenções", afirmou.
Segundo aliados, caso confirme a candidatura ao Senado, a campanha deverá priorizar ações nas redes sociais e agendas presenciais curtas, principalmente em Brasília, para que Michelle permaneça a maior parte do tempo ao lado de Bolsonaro.
A definição da candidatura é aguardada há meses pelo PL e condicionou a montagem da chapa no Distrito Federal. Caso entre na disputa, Michelle deverá concorrer ao lado da deputada Bia Kicis (PL-DF), enquanto o partido apoiará a governadora Celina Leão (PP) na tentativa de reeleição.
Nos bastidores, dirigentes também avaliam que a candidatura poderá consolidar a reaproximação entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Os dois romperam politicamente após divergências sobre a estratégia eleitoral do partido no Ceará. Na semana passada, o senador fez um pedido público de desculpas à ex-primeira-dama e pediu que ela se engajasse em sua campanha presidencial.
Michelle também descartou reassumir a presidência nacional do PL Mulher.
"Ciclo encerrado", respondeu ao ser questionada sobre um possível retorno ao comando da ala feminina do partido.
Valdemar Costa Neto confirmou que ela não pretende voltar ao cargo. Segundo o dirigente, o PL não deverá nomear uma nova presidente nacional neste momento, e Ana Munhoz continuará responsável pela interlocução com as presidentes estaduais da sigla.
Com O Globo