O presidente nacional do PRB, Marcos Pereira (PRB/Divulgação)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 31 de julho de 2026 às 18h39.
Última atualização em 31 de julho de 2026 às 18h41.
O Republicanos deverá oficializar posição de neutralidade na eleição presidencial deste ano em sua convenção, marcada para a manhã da próxima terça-feira, 3, em Brasília.
Como o Progressistas de Ciro Nogueira (PI), o partido presidido por Marcos Pereira (SP) não deve apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e tende a liberar seus diretórios estaduais para respaldar presidenciáveis.
A avaliação das lideranças do Republicanos é de que a sigla não deve apoiar Flávio por razões sobretudo pragmáticas: o comando do partido quer evitar se comprometer com um candidato que, hoje, tem menor probabilidade de vitória do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O partido hoje tem uma ala bolsonarista relevante, mas também tem lideranças próximas de Lula, o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB); o ex-ministro dos Portos e Aeroportos e deputado Silvio Costa Filho (PE); e o líder da sigla na Câmara, Augusto Coutinho (PE).
Coutinho afirma que a tendência é de que o partido libere os diretórios estaduais. Em Pernambuco, por exemplo, o Republicanos respaldará a candidatura de João Campos (PSB) ao governo estadual e de Lula à Presidência.
Na Paraíba, Hugo Motta, o pai do presidente da Câmara, Nabor Wanderley, pré-candidato ao Senado no estado, participou da convenção estadual do PT.
O apoio a Lula, segundo parlamentares ouvidos pela EXAME, deve ser oficializado por outros diretórios do Nordeste e do Norte. O diretório da sigla no Piauí já oficializou o apoio a Lula. Já no Amazonas, por exemplo, o partido compõe a aliança que lançará Omar Aziz (PSD), próximo a Lula, ao governo estadual.
Diretórios nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste tendem a ficar neutros ou apoiar Flávio Bolsonaro. A ala bolsonarista, que pressionava por uma aliança com Flávio, tem como principal expoente o diretório paulista, comandado por Roberto Carneiro, secretário da Casa Civil do governador Tarcísio de Freitas, também filiado ao partido.
A campanha de Flávio buscava atrair o apoio de siglas do Centrão ao bolsonarista, mas esbarrou na hesitação do grupo político diante das sucessivas crises na pré-campanha do filho de Jair Bolsonaro e no fato de Lula estar numericamente à frente nas pesquisas eleitorais mais recentes.
Nesta semana, o Progressistas decidiu manter a neutralidade na disputa presidencial. Com isso, a sigla de Ciro Nogueira barrou o movimento da campanha bolsonarista, que buscava emplacar a senadora Tereza Cristina (MS) como vice na chapa de Flávio. A própria parlamentar resistia a aceitar o convite, formalizado na última quarta-feira, porque deseja ser presidente do Senado no ano que vem.
“O Progressistas, após consulta aos seus diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral. Diante disso, reiteramos a decisão de não convocar convenção nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina”, afirmou o partido em nota nesta sexta-feira.