Lula na ONU: petista deve dar recados a Trump durante discurso (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 17 de setembro de 2026 às 16h42.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá buscar contrapor pontos da política externa de Donald Trump em seu discurso na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, no dia 22 de setembro, mas deverá adotar uma linguagem diplomática e sem citação direta ou nominal ao líder americano e aos Estados Unidos, segundo integrantes do governo a par do assunto.
O discurso de Lula já tem um rascunho pronto, mas o presidente ainda não bateu o martelo sobre todos os pontos que deverá mencionar em sua fala.
Não deverá haver uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, mas o governo brasileiro entende ser provável que um breve encontro pessoal nos bastidores do evento volte a ocorrer, uma vez que Trump discursa imediatamente depois de Lula.
Os presidentes Donald Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em maio de 2026 (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)
Já se sabe que Lula deve fazer afirmações que valorizem a soberania brasileira e a solidez das instituições do Brasil. Embora o governo Lula entenda que há tentativas dos EUA de interferência no processo eleitoral no Brasil, como a imposição do tarifaço, o presidente não vai mencionar diretamente isso no discurso.
A ideia é passar recados sem iniciar um confronto verbal. Lula deverá mencionar, por exemplo, que a democracia do Brasil é sólida e deve defender o princípio da não intervenção.
Outro tema a ser mencionado é o combate ao crime organizado. Lula deve apresentar o que integrantes de seu governo consideram sua versão sobre a importância da cooperação internacional no crime organizado, mas com respeito à autonomia dos países.
O discurso não deve mencionar, por exemplo, a contraposição brasileira ao Escudo das Américas, iniciativa dos Estados Unidos que permite o compartilhamento de inteligência com países latino-americanos e a presença militar dos EUA nessas nações. O Brasil não aderiu à iniciativa por considerá-la intervencionista.
Lula também deve defender o multilateralismo e uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, temas que já têm abordado. O presidente também deverá mencionar a importância do diálogo entre as principais potências para dirimir os conflitos globais.
O presidente vai chegar a Nova York na noite de domingo, 20 de setembro, e ficará nos EUA por menos de 48 horas. O presidente vai voltar ao Brasil logo após seu discurso, no dia 22. Há previsão de que Lula realize uma série de reuniões com líderes no dia 21 de setembro, segunda-feira.
De acordo com um integrante do governo brasileiro que fará parte da comitiva de Lula, o Itamaraty já recebeu ao menos 30 pedidos de encontros bilaterais.
A única agenda já marcada é um encontro com o prefeito de Nova York, o democrata Zohran Mamdani, em resposta a uma solicitação do próprio americano.