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Quando acaba a greve dos Correios? Entenda a paralisação

O serviço funciona com capacidade reduzida desde o sábado, 12, quando o TST determinou a manutenção de 80% do efetivo de trabalhadores dos Correios

Correios em greve: funcionários do serviço postal protestam em frente ao Ministério de Portos e Aeroportos, em Brasília (Emerson Marinho / Cedida à)

Correios em greve: funcionários do serviço postal protestam em frente ao Ministério de Portos e Aeroportos, em Brasília (Emerson Marinho / Cedida à)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 15 de setembro de 2026 às 11h19.

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Os trabalhadores dos Correios iniciaram uma greve nacional por tempo indeterminado na última quinta-feira, 10, em busca da aprovação do acordo coletivo de trabalho 2025/2026. A paralisação foi aprovada após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela estatal durante as negociações da campanha salarial. 

"Não tem previsão [de fim da paralização], é uma greve. Nós estamos em greve por tempo indeterminado", afirmou o Secretário da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telegrafos e Similares (Fentect), Emerson Marinho, à EXAME nesta terça-feira, 15.

O serviço funciona com capacidade reduzida desde o sábado, 12, quando o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou a manutenção de 80% do efetivo de trabalhadores dos Correios durante a greve da categoria. A decisão ocorreu após a estatal recorrer ao tribunal para garantir o funcionamento mínimo da empresa.

Os sindicatos da categoria contestam o modelo de restruturação da estatal, que prevê o fechamento de agências, redução de distritos postais. A categoria também afirma que não pode ser responsabilizada pela crise financeira da estatal.

Por que os Correios estão em greve?

Segundo Emerson Marinho, a paralisação foi motivada pela sobrecarga de trabalho, falta de pessoal e pelo impasse no acordo coletivo. "Está muito difícil a nossa jornada aqui. Tanto por sobrecarga, quanto por falta de pessoal e também pela questão do acordo coletivo, onde o presidente da empresa insiste em tirar cláusulas que são importantes para os trabalhadores", afirmou.

Entre os principais pontos de discordância estão benefícios como o plano de saúde e gratificações. "Ao longo de décadas nós trocamos aumento de salário para manter esse benefício. Agora, além de tirar a gratificação de 37% sobre as férias e o incremento de 200% sobre o feriado, também está em risco o vale extra, que nós sempre tivemos historicamente no final do ano", disse.

Segundo o sindicalista, a direção também tenta retirar o plano de saúde. "Além de tudo isso, ele também tenta tirar o nosso plano de saúde. Então, por isso nós não conseguimos chegar a um acordo na mesa."

Greve afeta entregas e atendimento?

A paralisação também alcança os centros de tratamento da empresa. Segundo Marinho, os trabalhadores estão paralisando as unidades operacionais em todo o país para pressionar a direção dos Correios a retomar as negociações.

"Não adianta a população ir nas agências colocar carga, que a carga não vai chegar, as encomendas não vão chegar, ações postais", afirmou. Ele disse ainda que a categoria pretende manter a paralisação enquanto não houver uma nova abertura de diálogo.

Os Correios informaram que acionaram um plano de continuidade de negócios para reduzir os impactos. "Entre as medidas adotadas estão a mobilização de empregados administrativos para apoio às atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para preservar o fluxo logístico", informou a estatal.

O TST determinou a manutenção de 80% do efetivo durante a greve. O presidente do tribunal, ministro Vieira de Mello Filho, afirmou que o serviço é essencial e destacou os possíveis impactos sobre as eleições de 2026.

Crise nos Correios

A paralisação ocorre em meio à crise financeira da estatal, que é atualmente a empresa que mais contribui para o déficit das estatais federais não dependentes. Em junho de 2026, o grupo registrava déficit de R$ 1,5 bilhão, segundo dados do Banco Central.

A redução do uso de serviços postais tradicionais e o avanço da concorrência privada nas grandes cidades afetaram as receitas. Os Correios também adotaram medidas de reestruturação, como programas de desligamento voluntário, venda de imóveis e reorganização administrativa.

Em sabatina ao Jornal Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não pretende privatizar a empresa em um eventual quarto mandato. O presidente disse que os Correios "não se adaptaram aos novos tempos", mas defendeu a importância estratégica da estatal.

"Se for necessário fazer associação com empresa, nós faremos. Com empresa brasileira, estrangeira, porque a gente quer é um Correios prestando serviço", disse Lula. O presidente também afirmou que "desde 1985 o correio brasileiro vive em crise".

No início do mandato, em 2023, Lula retirou os Correios do Programa Nacional de Desestatização (PND) e do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

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