Brasil e Rússia: Lula telefonou nesta terça-feira, 4, ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, para discutir a ampliação das relações comerciais entre os dois países e a guerra na Ucrânia ( Contributor/Getty Images)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 13h43.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 5 , que falou com o presidente russo, Vladimir Putin, nesta terça-feira, 4, e chamou o líder de seu "amigo". A fala se deu no contexto da defesa do diálogo entre as potências militares mundiais e o uso do Conselho de Segurança da ONU para a resolução das duas maiores frentes de guerra atualmente, a Ucrânia e o Oriente Médio.
"Semana passada liguei para o Xi Jinping para falar sobre a necessidade do Conselho de Segurança se reunir. Ontem falei com meu amigo Putin, para o Conselho se reunir. Vou falar com o Trump também. São cinco pessoas, se reúnam, tomem um café, um whisky, qualquer coisa", disse o presidente em entrevista ao podcast Os Três Elementos. "Todo mundo está pagando por isso [guerras na Ucrânia e Oriente Médio]."
"O Brasil vive um extraordinário momento em sua política internacional", afirmou o presidente, que adota o discurso do multilateralismo desde o início do novo mandato em 2023.
Ele também afirmou que a guerra na Ucrânia deveria ter acabado logo, mas já dura quase cinco anos. "Pensavam, alguns, que o Putin ia ganhar em três meses. Pensavam, outros, que a União Europeia e os Estados Unidos iam colocar muito dinheiro e destruir a Rússia. Não aconteceu nem um, nem outro", disse Lula.
O presidente também reiterou suas críticas à atuação militar israelense em Gaza e no Líbano. "Israel continua invandindo casa, matando palestino, matando libanês e achando que é dono do mundo", afirmou.
Lula também comentou o ciclo recente de eleições na América Latina, com a ascenção de governos direitistas "A América Latina nunca foi de esquerda, sempre foi muito de direita", disse.
Para o petista o mais forte "momento progressista" na região ocorreu entre 2000 a 2012. "Tinhamos presidentes com visão democrática e civilizatória avançada. Agora houve um revertério, a extrema-direita começou a ganhar em alguns países", afirmou Lula.
As afirmações ocorrem em meio a uma crise do Planalto com o líder argentino Javier Milei, uma das maiores figuras da nova direita latinoamericana e aliado do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). "Não vou levar os interesses ideológicos dos presidentes em conta, vou considerar os interesses do Brasil", disse o presidente.
Lula telefonou nesta terça-feira, 4, ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, para discutir a ampliação das relações comerciais entre os dois países e a guerra na Ucrânia. Segundo o Kremlin, a conversa ocorreu por iniciativa do presidente brasileiro.
De acordo com a presidência russa, os dois líderes revisaram o andamento da parceria bilateral em diferentes áreas e defenderam o fortalecimento das relações econômicas entre o Brasil e a Rússia.
O comunicado destaca que os presidentes consideraram prioritárias a ampliação e a diversificação do comércio entre os dois países.
No início de julho, o governo da Rússia suspendeu as exportações de diesel até o dia 31 do mesmo mês, em uma tentativa de conter a escassez de combustível provocada pelos ataques da Ucrânia ao sistema energético do país. Após o fim do prazo, o governo russo extendeu o veto até janeiro de 2027.
O Brasil havia se tornado um dos principais compradores do combustível russo desde o início da guerra. O país era responsável por 75% do abastecimento brasileiro.
A relação entre Brasil e Rússia no mercado de diesel ganhou força em 2022, poucos meses após o início da Guerra da Ucrânia. Na época, o então presidente Jair Bolsonaro anunciou que havia fechado um acordo com Vladimir Putin para importar diesel russo com preços inferiores aos praticados por outros fornecedores.
O Palácio do Planalto confirmou o telefonema, que durou por volta de uma hora, e destacou o apoio do Brasil à candidatura de Michelle Bachelet ao cargo de Secretária-Geral das Nações Unidas.