Redação Exame
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 10h25.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva está preparando uma cerimônia para marcar os três anos dos ataques golpistas do 8 de Janeiro.
Aliados do presidente defendem que ele não use a solenidade para vetar projeto de lei da dosimetria na presença dos chefes do Legislativo. O gesto é considerado como uma tendência no Palácio do Planalto, mas parte dos auxiliares quer evitar um novo episódio de tensão com o Congresso.
A proposta de redução de penas, aprovada pelo Congresso nos últimos dias de trabalho de 2025, beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros envolvidos na trama golpista.
A ideia da cerimônia é fazer uma defesa da democracia e das instituições brasileiras, três anos após a invasão das sedes dos três Poderes em Brasília, em 2023, e reforçar que o que ocorreu não pode cair no esquecimento.
Além disso, aliados do presidente dizem que o ato ganha nova dimensão diante da conclusão do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da trama golpista, que levou Bolsonaro e auxiliares dele à prisão.
No Legislativo, a base do governo se divide sobre a decisão de vetar o projeto na cerimônia de quinta-feira. Ele já decidiu que irá barrar a matéria e demonstrou a aliados a intenção de que isso poderia ocorrer no dia 8, mas tem até o dia 12 deste mês para fazê-lo.
O PT convocou atos por todo o país no dia 8 em defesa da democracia e da soberania brasileira. Um dos motes é mobilização contrária ao projeto de lei da dosimetria.
Diante da invasão da Venezuela pelos Estados Unidos que levou à captura do ditador Nicolás Maduro, no sábado, representantes da executiva do partido de Lula também defendem incorporar a defesa da soberania da América Latina nessas manifestações.
"A cerimônia tem esse duplo significado: a defesa da democracia e da soberania. E o que vale para o Brasil vale para a América Latina. O ato ganha um simbolismo muito grande num momento em que acontece o que aconteceu na Venezuela. O ato tomou essa nova conotação", diz o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).
O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, afirma que os temas da soberania e defesa da paz ganharam força após os ataques na Venezuela e serão “complementares” na cerimônia na quinta, mas reforça que o foco é a defesa da democracia brasileira.
"O centro do ato de 8 de janeiro é a defesa da democracia e a condenação do golpismo. É o primeiro 8/1 após a condenação e a prisão dos criminosos golpistas. Agora, é evidente que os temas da soberania e defesa da paz ganharam força após os ataques dos EUA e serão complementares no ato. O Brasil defende democracia com soberania nacional. E essa defesa estará presente no ato do 8/1", diz Boulos.
*Com informações do Globo