EUA e Irã: especialistas avaliam que não há solução militar para confronto no curto prazo. (Imagem gerada por IA)
Repórter
Publicado em 19 de maio de 2026 às 10h25.
O impasse entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz se prolonga três meses após oa ataques de Washington e Israel contra Teerã.
A avaliação entre formuladores de política, segundo a Reuters, é de que não há perspectiva imediata de acordo, enquanto cresce a preocupação de que um erro de cálculo possa desencadear um novo conflito. As negociações indiretas seguem travadas, com posições consideradas incompatíveis.
O Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passavam cerca de 25% do petróleo global e 20% do gás natural liquefeito antes do conflito, tornou-se o principal ponto de tensão. O bloqueio dos Estados Unidos e o controle iraniano da região reduziram o fluxo de energia e aumentaram os impactos sobre o mercado internacional.
As posições seguem sem convergência. Os Estados Unidos exigem que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio por 20 anos e retire seus estoques do país. O Irã, por sua vez, pede o fim dos ataques, garantias de segurança, reparações de guerra e reconhecimento de soberania sobre Ormuz — condições rejeitadas por Washington.
“Ambos acreditam que o tempo está do seu lado e têm vantagem, e essa percepção é justamente o que torna um acordo impossível”, disse Ali Vaez, do International Crisis Group, à Reuters.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã precisa avançar “rápido” nas negociações ou enfrentará consequências.
Autoridades iranianas afirmam que concessões sobre o programa nuclear, o sistema de mísseis e o controle do estreito não são negociáveis, mas pilares estratégicos do regime. Um oficial iraniano disse à agência que abrir mão desses ativos equivaleria à rendição.
Ainda assim, fontes próximas ao governo iraniano indicam desconforto com a continuidade de um cenário prolongado de “nem guerra nem paz”, em meio à deterioração econômica, com inflação elevada e desemprego crescente.
Teerã estaria buscando um acordo preliminar para encerrar o conflito, com reabertura de Ormuz sob supervisão iraniana em troca do fim do bloqueio americano, deixando temas como sanções e o programa nuclear, para etapas posteriores.
De acordo com a agência, os Estados Unidos defendem que a resolução do conflito deve ocorrer apenas após avanços nas questões centrais.
Sobre o programa nuclear, fontes iranianas afirmam que Teerã admite reduzir parte de seu estoque de cerca de 440 kg de urânio altamente enriquecido ou transferi-lo ao exterior, possivelmente para a Rússia, com possibilidade de recuperação em caso de descumprimento de acordo. Washington rejeita a proposta.
O Irã também pressiona por uma suspensão mais curta do enriquecimento do que os 20 anos exigidos pelos EUA e pela liberação de US$ 30 bilhões em ativos congelados. Washington, segundo as fontes, aceita apenas liberação parcial e escalonada.
Sem solução militar considerada viável no curto prazo, analistas afirmam que a diplomacia permanece como única alternativa prática.
O ex-negociador norte-americano Aaron David Miller afirmou que o controle de Ormuz será determinante para o desfecho da crise e para a política externa dos Estados Unidos.
Ele disse ainda que uma reabertura sem acordo político exigiria uma ocupação prolongada da região por forças terrestres americanas.
Danny Citrinowicz, do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel, afirmou que as ações militares anteriores não alteraram de forma significativa a capacidade iraniana e alertou para o risco de subestimar a resiliência de Teerã em um cenário prolongado de confronto.