Brasil

Governo apresenta plano aos EUA para negociar tarifas de 25%

Documento reúne medidas sobre os seis temas da investigação comercial americana e busca destravar as negociações antes do prazo de 15 de julho

Publicado em 3 de julho de 2026 às 08h18.

O governo brasileiro decidiu apresentar aos Estados Unidos um "mapa do caminho" com medidas voltadas aos seis temas apontados na investigação comercial conduzida pela gestão de Donald Trump com base na Seção 301 da Lei de Comércio.

A iniciativa busca dar objetividade às negociações e evitar que fatores políticos dominem as tratativas sobre a possível imposição de tarifas de 25% a produtos brasileiros.

O prazo para que o governo americano decida se aplicará ou não as novas tarifas termina em 15 de julho. Nos bastidores, segundo O Globo, integrantes do governo afirmam que o objetivo do documento é demonstrar disposição para negociar, mesmo sem atender integralmente às demandas apresentadas por Washington.

Plano busca destravar negociações comerciais

Segundo integrantes do governo, as medidas propostas não representam uma aceitação das exigências americanas. A principal linha de defesa do Brasil continua sendo o argumento de que os Estados Unidos mantêm superávit comercial na relação bilateral, o que, na avaliação do governo, enfraquece a justificativa para a adoção das tarifas.

Ainda assim, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que é importante apresentar iniciativas concretas para manter o diálogo aberto. Parte da equipe econômica, no entanto, considera provável que o tarifaço seja implementado por razões políticas, diante do cenário eleitoral brasileiro.

A principal medida em discussão envolve a redução de tarifas de importação para produtos de segmentos nos quais empresas americanas possuem forte presença, como máquinas, equipamentos médicos e tecnologia da informação.

O pacote também inclui iniciativas que já vinham sendo estudadas pelo governo. Um dos exemplos é o reforço de políticas de combate ao desmatamento ilegal. O tema aparece na investigação americana, que cita dados de 2021 para justificar críticas à política ambiental brasileira. O governo brasileiro argumenta que os indicadores melhoraram desde o início do atual mandato de Lula.

Brasil mantém Pix fora da negociação

As medidas vêm sendo discutidas em reuniões entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Nesta quinta-feira, os dois realizaram o quinto encontro desde a criação do grupo de trabalho bilateral, formado após a reunião entre Lula e Trump na Casa Branca, em maio.

Em nota, o ministério informou que as conversas abrangem os seis eixos da investigação conduzida pelos Estados Unidos: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

Apesar da disposição para negociar, o governo considera alguns temas inegociáveis. Entre eles está o Pix, citado pelos Estados Unidos no capítulo sobre comércio digital. O Escritório do Representante de Comércio (USTR) sustenta que o Brasil favoreceria o sistema de pagamentos em detrimento de empresas americanas do setor, avaliação rejeitada pelo governo brasileiro.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que uma eventual postergação da decisão americana é mais provável do que o cancelamento definitivo das tarifas. A possibilidade de adiamento também foi defendida em documento encaminhado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao USTR, órgão responsável pela investigação comercial.

*Com O Globo

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