Economia

Lula defende o PIX após relatório dos EUA sobre barreiras comerciais: 'ninguém fará a gente mudar'

Divulgado nesta quarta-feira, o governo americano emitiu um documento que apontou o sistema de pagamentos como uma ameaça às empresas americanas de cartões

Lula: presidente brasileiro criticou o posicionamento dos EUA sobre o PIX (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

Lula: presidente brasileiro criticou o posicionamento dos EUA sobre o PIX (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 2 de abril de 2026 às 14h24.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta quinta-feira, 2, que "ninguém" fará o governo brasileiro alterar o funcionamento do PIX. A fala ocorreu durante visita às obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), sistema de transporte urbano, em Salvador, na Bahia.

O posicionamento foi apresentado após menção a um relatório divulgado pelo governo de Donald Trump, nesta quarta-feira, 1º, que voltou a apontar o sistema brasileiro como fator de impacto para empresas americanas de cartões.

"Os Estados Unidos fizeram um relatório nesta semana sobre o PIX, disseram que o PIX distorce o comércio internacional, porque o PIX acho que cria problema para a moeda deles", criticou Lula.

E acrescentou: "O que é importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir. O PIX é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o PIX pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira".

Aprimoramento do Pix

Na sequência, o presidente Lula mencionou a possibilidade de ajustes no sistema, indicando que o governo pode "aprimorar o PIX, para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens" que utilizam a ferramenta.

A declaração ocorreu no encerramento do evento em Salvador. Durante interação com apoiadores, o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, alertou o presidente com a frase: "Não esqueça de falar do PIX". Em seguida, Lula abordou o tema e concluiu o discurso.

Relatório dos EUA cita impacto do PIX em empresas de pagamento

O documento divulgado pelo governo dos Estados Unidos nesta quinta-feira, 2, afirma que o PIX gera impacto negativo para fornecedores norte-americanos de serviços de pagamento eletrônico.

"O Banco Central criou e regula o PIX; stakeholders dos EUA temem que o BC [Banco Central] dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos. O uso do Pix é obrigatório para instituições com mais de 500.000 contas", diz o documento.

Essa não é a primeira menção ao sistema brasileiro. Em julho de 2025, o PIX já havia sido citado por autoridades norte-americanas como possível risco competitivo. Na época o Brasil estava sendo investigado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), por meio da Seção 301.

No ano anterior, o relatório não mencionou diretamente o sistema, mas fez referência a serviços de comércio digital, digital commerce, e pagamentos eletrônicos oferecidos pelo Estado brasileiro.

"O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", informou o USTR.

O Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026 também inclui outros temas relacionados ao Brasil, como:

  • mineração ilegal de ouro;
  • extração ilegal de madeira;
  • legislação trabalhista;
  • PL dos Mercados Digitais, proposta sobre regulação de plataformas digitais;
  • regulamentação da Lei Geral de Proteção de Dados, norma sobre privacidade de dados;
  • taxa de uso de rede;
  • satélites.
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