Flávio ao lado da esposa Fernando no lançamento da campanha presidencial em Copacabana (Antonio Lacerda/EFE)
Repórter
Publicado em 16 de agosto de 2026 às 14h10.
Última atualização em 16 de agosto de 2026 às 14h22.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou um tom duro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao iniciar oficialmente sua campanha presidencial neste domingo, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Em discurso direcionado principalmente para temas de segurança pública e política externa, o parlamentar afirmou que o governo federal falha no combate ao crime organizado e classificou Lula como o "caloteiro da esperança".
Ao atacar a condução do governo, Flávio afirmou que o Brasil mantém disputas diplomáticas com países distantes enquanto deixa de enfrentar problemas internos relacionados à criminalidade.
"O atual governo briga com países que estão a 10 mil quilômetros de distância da gente, em outro continente, mas não briga com o ladrão vizinho, com traficante, com estuprador, assaltante e assassino", declarou. Segundo o senador, um governo incapaz de garantir a segurança da população também não consegue preservar a soberania nacional. "Ou está fechado com o crime organizado ou é muito incompetente", acrescentou.
O candidato também responsabilizou o governo federal pelo avanço do crime organizado, afirmou que o país perdeu parte de sua soberania e criticou a situação econômica do país, citando o aumento do endividamento da população. Além disso, mencionou as investigações contra Marco Aurélio Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula, para sustentar críticas à gestão petista.
O evento marcou ainda o lançamento da candidatura do deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ) ao governo do Rio de Janeiro, escolhido para liderar o palanque bolsonarista no estado. Também participaram do ato o deputado federal Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio, além de lideranças do PL.
Em seu primeiro discurso de campanha, Gaspar prometeu lealdade ao candidato e afirmou que pretende atuar para combater o crime organizado e defender o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Cinquenta milhões de brasileiros estão sob o domínio territorial do crime organizado. Esse é o produto do Lula e do PT há 20 anos no poder", afirmou. Gaspar também criticou a situação econômica do país e disse que estará na campanha como "para-choque e retaguarda" para ajudar a eleger Flávio Bolsonaro.
Durante o ato, Flávio esteve acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, que fez uma breve participação voltada ao público feminino, defendendo a ampliação de oportunidades para as mulheres.
Também estiveram presentes o senador Rogério Marinho (PL-RN), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado pelo Distrito Federal, não participou do evento por cumprir agenda de campanha em Brasília ao lado da governadora Celina Leão (PL-DF), que busca a reeleição.
Impedido de visitar o pai até o início de outubro após divulgar uma carta escrita pelo ex-presidente, Flávio afirmou que Jair Bolsonaro poderia acompanhar o ato pela televisão. Em seguida, puxou o coro de "volta Bolsonaro" entre apoiadores e reproduziu um áudio gravado pelo ex-presidente.
A escolha de Copacabana para o lançamento da campanha não foi por acaso. A praia foi palco de algumas das maiores manifestações promovidas por Jair Bolsonaro durante seu mandato e se consolidou como um dos principais símbolos da mobilização bolsonarista no país.
Presente no evento, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), avaliou que o perfil de Flávio Bolsonaro ao longo da campanha poderá alternar momentos de maior moderação com discursos mais incisivos, dependendo do contexto político e eleitoral.