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Eleição vai acabar no 1º turno? CEO da AtlasIntel vê disputa apertada entre Lula e Flávio

CEO da AtlasIntel afirma que diferença entre os dois candidatos no segundo turno tem ficado abaixo de um ponto e avalia que votos de terceira via devem impedir encerramento antecipado da eleição

Lula e Flávio Bolsonaro: eleição não deve terminar no primeiro turno (Divulgação/Exame)

Lula e Flávio Bolsonaro: eleição não deve terminar no primeiro turno (Divulgação/Exame)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 27 de setembro de 2026 às 09h00.

Última atualização em 1 de outubro de 2026 às 16h22.

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RESUMO +

O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que considera “extremamente baixa” a chance de a eleição presidencial terminar no primeiro turno. Segundo ele, a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro aparece equilibrada nos levantamentos recentes e os votos de candidatos de terceira via devem impedir que um dos dois abra vantagem suficiente para vencer antecipadamente.


O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que a possibilidade de a eleição presidencial ser definida no primeiro turno é “extremamente baixa” diante do equilíbrio entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e do percentual de intenção de voto dos candidatos da chamada terceira via.

“Me parece bastante difícil que a corrida se encerre num primeiro turno”, disse Roman ao programa Eleições em Pauta, da EXAME. 

Segundo o CEO da AtlasIntel, nomes como Renan Santos, Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema devem somar uma parcela de votos considerada relevante, especialmente entre eleitores identificados com a direita.

“Não acredito que teremos menos de uns quatro ou cinco pontos para o Renan Santos. Não acredito que teremos menos de 3% para Augusto Cury. E, de maneira semelhante, Zema e Caiado devem ter cada um em torno de 2%”, afirmou.

Roman afirmou que, mesmo com um movimento de voto útil na reta final, candidatos de terceira via devem preservar uma parcela relevante do eleitorado. Para ele, essa distribuição de votos reduz a possibilidade de que Lula ou Flávio consigam concentrar apoio suficiente para encerrar a disputa na primeira votação.

Na última pesquisa AtlasIntel divulgada na quarta-feira, 23, Renan Santos (Missão) marcou 4,5%, seguido pelo escritor Augusto Cury (Avante), que pontuou 2,1%. Cury, que chegou a aparecer com 7%, teve uma queda expressiva no último levantamento.

O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) teve 1,3% e o ex-governador Romeu Zema (Novo) apareceu com 0,9%. Os demais nomes não pontuaram. Lula registrou 45,8% das intenções de voto e Flávio, 43,4%. 

Acompanhe a apuração para presidente em tempo real.

Exame | Entrevista Andrei Roman Foto: Germano Lüders 09/10/2025

“Me parece bastante difícil que a corrida se encerre num primeiro turno”, diz Andrei Roman (Germano Lüders /Exame)

Por que Flávio Bolsonaro cresceu nas pesquisas, segundo Andrei Roman

Questionado sobre o crescimento de Flávio Bolsonaro nos levantamentos da AtlasIntel, Roman afirmou que o desempenho do senador não estaria relacionado apenas à sua trajetória individual, mas ao cenário de polarização política entre o campo bolsonarista e o PT.

“Não é tanto uma resiliência do Flávio, é uma resiliência da polarização e do voto anti-Lula e anti-esquerda”, afirmou.

Na última semana, foi revelado que o senador embarcou em um jato executivo pertencente à Prime You, que tinha como sócio o banqueiro Daniel Vorcaro, em voo da Flórida a Brasília em 19 de janeiro, véspera da posse de Donald Trump.

O advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, que detém uma cota da aeronave em questão, diz que custeou o voo e refuta qualquer ligação com Vorcaro.

Roman cita que todo o envolvimento do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é um dos fatores que tornam a disputa tão apertada, pela sua alta rejeição. O especialista disse que um nome alternativo da direita com menor rejeição poderia alterar a dinâmica da disputa e vencer Lula com maior facilitade. Ele citou como exemplo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao afirmar que outro candidato poderia ter uma situação diferente no confronto com Lula.

"Se tivéssemos um outro candidato hegemônico na direita, Tarcísio, por exemplo, qualquer outro nome com menos rejeição que o Flávio, me parece que essa corrida seria quase impossível para o Lula vencer no contexto atual", disse.

O CEO da AtlasIntel também relacionou o cenário eleitoral a uma avaliação negativa do governo Lula. Segundo ele, há uma “erosão estrutural” de bases de apoio do presidente em segmentos como jovens e parte da classe média baixa.

Lula aposta em medidas na reta final, mas Roman vê efeito maior na mobilização

Roman avaliou que medidas anunciadas pelo governo Lula na reta final, como mudanças relacionadas ao Bolsa Família e às bets — plataformas de apostas esportivas — tendem a ter mais impacto sobre a mobilização dos eleitores do que sobre a mudança de opinião.

“Quando se trata do Lula, as opiniões são muito cristalizadas e, por conta da polarização, são bastante radicais”, afirmou.

Segundo ele, a eleição ocorre em um ambiente de menor engajamento político, o que pode aumentar a importância da participação dos eleitores mais motivados. Roman afirmou que espera uma possível alta da abstenção e disse que campanhas de mobilização podem ter papel relevante na reta final.

Roman afirmou que o clima eleitoral está mais fraco do que em outros ciclos e que a participação dos eleitores pode ser um dos fatores decisivos da disputa.

Sudeste ganha importância no cálculo eleitoral

Na entrevista, Roman também afirmou que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro deve passar pelo desempenho regional, especialmente no Sudeste. Segundo ele, o presidente mantém vantagem no Nordeste, mas a diferença em relação a eleições anteriores teria diminuído.

“Tudo indica que o Lula terá um desempenho muito pior no Nordeste dessa vez”, afirmou Roman. Segundo ele, essa perda precisaria ser compensada por uma melhora do desempenho no Sudeste, região que concentra um eleitorado maior.

O CEO da AtlasIntel afirmou que, em uma disputa com diferença inferior a um ponto percentual, qualquer região pode influenciar o resultado final. Ele citou São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro como estados relevantes para a reta final das campanhas.


Perguntas frequentes

Andrei Roman acredita que a eleição termina no primeiro turno? +

Não. O CEO da AtlasIntel afirmou que considera a chance de definição no primeiro turno “extremamente baixa” diante do equilíbrio entre Lula e Flávio Bolsonaro e da presença de candidatos de terceira via.

Por que Roman considera difícil uma vitória no primeiro turno? +

Segundo ele, a distância entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno tem sido pequena e os demais candidatos ainda devem concentrar parte dos votos.

O que Andrei Roman disse sobre o crescimento de Flávio Bolsonaro? +

Roman afirmou que o desempenho do senador está ligado principalmente à polarização política e ao voto contrário ao governo Lula, e não apenas à figura de Flávio Bolsonaro.

Qual região pode ser importante na disputa, segundo Roman? +

O CEO da AtlasIntel destacou o Sudeste como uma região relevante, especialmente porque uma eventual redução da vantagem de Lula no Nordeste poderia ser compensada por desempenho maior em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Roman fez uma previsão sobre o resultado da eleição? +

Não. Na entrevista, ele apresentou avaliações sobre cenários eleitorais e comportamento do eleitorado, sem afirmar um resultado futuro.

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